Política

Deputadas defendem acções contra violência nas famílias

Adelina Inácio

O Grupo de Mulheres Parlamentares está preocupado com a desestruturação de famílias, aumento de casos de violência no seio das famílias, com maior realce para a física, psicológica, laboral, económica, patrimonial e sexual.

Grupo de Mulheres Parlamentares considera que o combate à desigualdade exige o envolvimento da sociedade civil
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

A preocupação das deputadas foi apresentada terça-feira, em Luanda, pela presidente do Grupo de Mulheres Parlamentares, Luísa Damião, durante a mesa re-donda sobre o Dia Internacional da Mulher, que se assinala hoje.
A deputada reconheceu que a violência doméstica constitui um problema social que tem estado a atingir níveis excessivamente preocupantes no país. Luísa Damião pediu apoio de parceiros sociais, em particular das igrejas, no sentido de moralizar a sociedade. “Devemos todos envidar esforços para termos cada vez mais famílias estruturadas, fraternas e felizes, exaltando o papel socializador da família e o reforço das suas competências”, defendeu a deputada.
Para se ultrapassar o elevado índice de violência no país, a presidente do Grupo de Mulheres Parlamentares propôs a criação de centros de atendimento integral à mulher, que conte, entre outros serviços especializados, com um sector de prevenção e atenção contra a violência doméstica, e outro de apoio à mulher empreendedora, com ferramentas de estímulo ao pequeno negócio, como o micro crédito e a capacitação profissional.
A deputada do MPLA apelou a uma maior coesão no seio das famílias na preservação dos valores culturais, na defesa de uma nova mentalidade e na construção de uma sociedade onde perdure a paz espiritual, social e moral. A presidente do grupo de parlamentares lembrou que a violência contra as mulheres constitui uma das violações dos direitos humanos mais silenciadas no mundo, por isso, a deputada defende a cultura de denúncia dos casos de violência para que os infractores sejam punidos. Para a deputada, a existência, em Angola, de uma Lei contra a Violência Doméstica constitui um ganho para as famílias angolanas e se afigura como uma medida de grande alcance para a pacificação e harmonização dos lares, aliadas a outras medidas de educação para a prevenção.

Maior divulgação
Luísa Damião encoraja o desenvolvimento de  acções para a sua contínua divulgação, através de palestras, debates e até mesmo junto dos órgãos de comunicação social, para que a mensagem chegue até aos pontos mais recônditos do país.
A deputada disse que a "Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável", adoptada pelas Nações Unidas, lembra que o pleno re-forço do poder das meninas e mulheres é um dos impulsos mais poderosos para o desenvolvimento da humanidade.
No que concerne à igualdade do género, a presidente do grupo de mulheres parlamentares disse que é uma tarefa que o Parlamento deve alcançar com êxito no sentido de continuar a fortalecer o papel das mulheres na vida política, económica e social.
Luísa Damião entende que a  desigualdade entre homens e mulheres penaliza as sociedades. “A violência, a injustiça e os estereótipos que muitas mulheres sofrem enfraquecem a sociedade como um todo, além de privar as próprias sociedades de um considerável potencial de criatividade, força e confiança no futuro”, disse.
Para a deputada do MPLA, a desigualdade de género não é apenas socialmente maléfica, mas também economicamente destrutiva. Por isso, defende a promoção e aumento de políticas públicas a favor das mulheres. Este ano, o lema das comemorações é “Reforço do poder da mulher”.

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