Política

Diplomacia com dimensão africana

Adelina Inácio|

O ministro das Relações Exteriores disse ontem, em Luanda, que África continua a ser prioridade estratégica da política externa de Angola e anunciou o reforço do papel do país na União Africana, SADC, CEEAC e na Comissão do Golfo da Guiné.

Ministro das Relações Exteriores falou das prioridades da diplomacia
Fotografia: Santos Pedro

Georges Chikoti falava na cerimónia de cumprimentos de fim do ano e disse que Angola continua a manter a sua vocação de factor de paz, estabilidade e desenvolvolvimento no continente.
O ministro garantiu grande atenção às questões de paz e segurança das fronteiras comuns e ajuda aos países com quem tem “profundos laços de amizade”, como a República Democrática do Congo.
O ministro disse que a posição de Angola na arena internacional é uma questão estratégica do Estado, incluindo os aspectos económicos e financeiros. Por isso, Angola defende uma política externa que privilegie o estabelecimento de parcerias estratégicas com vantagens recíprocas.
“Os resultados económicos registados nos últimos tempos por alguns países da Ásia e as condições favoráveis das suas parcerias no âmbito da cooperação sul-sul passaram a merecer uma avaliação mais cuidada da definição das prioridades diplomáticas de Angola”, disse Chikoti.

Parcerias estratégicas

O ministro disse que o Executivo vai dar prioridade à cooperação com a China, Índia e Japão para o estabelecimento de parcerias estratégicas. Georges Chikoti falou também das relações com os EUA, que considera importantes. A relação, disse, resulta do acordo de Parceria Estratégica assinado em 2011 que estabeleceu um mecanismo diplomático de diálogo permanente mais consentâneo com o nível das relações bilaterais em questões de democracia, desenvolvimento, segurança energética global, paz e estabilidade regional.
O ministro destacou ainda como parceiros importantes de Angola países como o Brasil, Argentina, Cuba, Venezuela, tendo garantido que está a trabalhar com a União Europeia e destacou as relações com a Rússia no continente europeu. Georges Chikoti disse que Angola defende também uma política externa de boa vizinhança assente nos princípios internacionalmente aceites, no respeito pela soberania, igualdade e integridade territorial dos Estados.

Preocupação com a RCA

Na política internacional, Georges Chikoti manifestou preocupação relativamente aos últimos acontecimentos na República Centro Africana e Mali. Para o ministro, a intervenção militar da França nos dois países levanta questões quanto à incapacidade do continente africano em garantir a sua própria segurança e estabilidade. O chefe da diplomacia angolana destacou o acordo de paz assinado entre o Governo da RDC e o movimento rebelde M23 e o memorando de entendimento para o estabelecimento de um mecanismo tripartido de relação e cooperação conjugada para a consolidação do ambiente de paz naquele país.

Busca de soluções

O chefe da diplomacia angolana falou também do papel de Angola na União Africana e realçou o papel do país na busca de soluções colectivas para os problemas do continente e do mundo. “Foi assim que assumimos a presidência do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, numa altura em que agenda africana estava dominada por crises político-militares na Somália, Guiné-Bissau, Mali, República Democrática do Congo”, disse.
O ministro afirmou que Angola é membro activo das Organizações das Nações Unidas e participa no processo de reformas do Conselho de Segurança para dar a este órgão maior equidade e democratização na tomada de decisões, dotar a Assembleia-Geral de capacidade real para influenciar a conduta dos Estados membros no respeito pela Carta da ONU.
A internacional do papel de Angola na prevenção e solução de conflitos em África e o exemplo no processo de paz e reconciliação nacional, levou o país a apresentar a sua candidatura a membro não permanente do Conselho de Segurança para o período de 2015/2016 que de acordo com o ministro está a merecer apoios de vários quadrantes diplomáticos.  
Antes da intervenção do ministro Georges Chikoti, o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Eduardo Beny, que falou em nome dos diplomatas e funcionários, defendeu a criação de um plano de modernização tecnológica do Ministério, promoção de quadros na carreira diplomática, técnica e administrativa.
Eduardo Beny garantiu para mês a conclusão da discussão do novo Estatuto Orgânico aprovado já pelo Conselho de Ministros, a reforma de funcionários e o novo estatuto remuneratório.
O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que a intenção é dar dignidade aos diplomatas que ajudaram nos esforços da edificação de uma diplomacia activa. 

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