Política

Energias limpas elevam níveis de produção para 150 por cento

João Dias

O país poderá aumentar a capacidade actual de geração de energia em 150 por cento, passando dos actuais 3.334 megawatts para 7.500 megawatts, 500 dos quais em novas e renováveis fontes de energia, anunciou ontem, em Luanda, fonte do Ministério da Energia e Águas.

Investimento nas energias renováveis marcou sessão de ontem do Conselho Consultivo
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

Segundo a chefe de Departamento de Licenciamento, Fiscalização e Cadastro para as Energias Renováveis do Ministério da Energia e Águas, Maria Graciete Neto Cardoso Pitra, que falava no quarto Conselho Consultivo do Ministério do Ordenamento do Território e Habitação, todo este processo contará com a participação do sector privado, perspectivando assegurar o fomento do subprograma para as Energias Novas e Renováveis.

Maria Graciete Neto Cardoso, que apresentou o Plano de Acção 2018-2022, afirmou que a aposta maior incidirá na energia solar, quer para a substituição de combustíveis fósseis quer para as centrais de grande escala, em energia solar, eólica, biomassa e mini-hídricas.
Segundo a responsável, o país tem necessidade de implementar a electrificação das zonas rurais, promover a inclusão das novas energias renováveis na matriz energética nacional através de projectos híbridos e projectos ligados à rede e trabalhar na consciencialização sobre eficiência no uso das energias renováveis.
Para o efeito, está em vista um processo de inclusão das novas energias renováveis, elaboração de estudos de viabilidade, enquadramento legal e criação de incentivos.
O país, referiu, tem potencial para gerar este tipo de energia, dado que possui a chamada radiação solar global em plano horizontal anual, numa média compreendida entre 1.370 e 2.100 kWh/m²/ano.
Citando estudos, Maria Graciete Neto Cardoso lembrou que, dos resultados obtidos, a província do Namibe apresenta o maior potencial, seguindo-se as da Huíla, Cuanza-Sul, Malanje e Moxico. Quanto ao valor da potência eólica bruta nacional, de acordo com estudos, supera os 140 gigawatts (GW). “Em Cabinda, Luanda e Zaire não foi identificado potencial eólico. A potência tecnicamente aproveitável deverá ser conhecida após estudos, para a construção de parques eólicos”, disse a também antiga técnica de energias renováveis na SADC, ao se debruçar sobre o tema “Smart Cities versus Energias Renováveis”.
O país, referiu, regista algumas iniciativas de produção de energia solar, a exemplo das chamadas aldeias solares no Cuando Cubango, Cuanza-Sul e Lunda-Sul, que contam com a instalação de 686 kits, 4.785 postes de iluminação pública e 116 baixadas de ligação à rede pública.

Centrais híbridas
Segundo as necessidades identificadas, pretende-se entrar para um processo de electrificação rural com base em energias renováveis, bem como a extensão de redes, sistemas solares autónomos, sistemas híbridos, pequenas hídricas e biodigestores.
Foram considerados quatro tipos de resíduos para a produção de energia, nomeadamente: florestais e cultivos energéticos, indústrias agro-alimentares, agrícolas e pecuários e urbanos.

Parques eólicos
Maria Graciete Neto Cardoso informou que existem oportunidades para investimento em parques eólicos pelo país. A responsável apontou como exemplos a província de Benguela, onde se pode instalar um parque eólico com 26 turbinas e uma capacidade para gerar 53 megawatts de potência.
Na província do Bié, na Nharea, disse, pode ser instalado um parque com 18 turbinas, podendo gerar uma potência de 36 megawatts.
No Cuanza-Norte, no parque do Gastão, com 15 turbinas, que no conjunto, podem gerar 30 megawatts de potência.
No Mussende I, Cuanza-Sul pode ser instalado um parque com 18 turbinas e potência de 36 megawatts, no Mussende II com 22 turbinas, poderá gerar 44 megawatts.
A responsável afirmou que as oportunidades estão identificadas, seguindo-se a elaboração de normas e procedimentos para a implementação de projectos de energias renováveis, avaliação do potencial do recurso de biomassa disponível para produção de electricidade e instalação de biodigestores.
Devem igualmente ser identificadas as necessidades concretas dos sistemas autónomos e de mini redes, gestão do Centro de Recolha e Análise de Dados, estudos para a instalação de sistemas híbridos (Solar-Térmico) nas zonas rurais e estudos de viabilidade para a construção dos parques solares e eólicos identificados.

 

 

Tempo

Multimédia