Política

Ensino à distância condicionado à criação de condições técnicas

Edivaldo Cristóvão

A implementação do ensino à distância ou semi-presencial no país depende das condições de infra-estruturas e meios tecnológicos com acesso à Internet, segundo o director nacional para a formação pós-graduada do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação.

Emanuel Catumbela (à esquerda) esclarece os passos a seguir para o ensino à distância
Fotografia: Cedida

Emanuel Catumbela acrescentou que as instituições públicas e privadas precisam de ter um servidor local e utilizar as plataformas do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade de Informação (Infosi).

Tutelado pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, o Infosi é a aposta forte no projecto “Angola Online”, que permite, actualmente, o acesso gratuito de 30 mil cidadãos à Internet, em 111 pontos no país.

O director sublinhou que o Decreto Presidencial sobre o ensino à distância define que os princípios gerais facilitam pessoas que não atendem as aulas de forma presencial, tendo acesso aos conteúdos de forma remota.

A utilização do Infosi, ainda de acordo Emanuel Catumbela, só é permitida para os cursos que existem de forma presencial, que tenham tido avaliação positiva e os gestores das instituições devem solicitar ao Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação essa modalidade, com as condições necessárias.

“As instituições de ensino superior devem criar condições de apoio para os alunos, ter docentes específicos contratados, cronograma de acção e ter equipas de trabalho com objectivo de receber o maior número de alunos”, sublinhou.

Emanuel Catumbela referiu que, desde o ano passado, o Ministério tem estado a beneficiar de um financiamento da União Europeia, através de um programa específico de apoio ao ensino superior, tendo sido solicitadas ferramentas que permitam o ensino à distância, para, até o final deste mês, serem beneficiadas instituições públicas e privadas.

Garantiu que neste momento o ISCED do Huambo, Universidade Katyavala Buíla, em Benguela, Universidade Agostinho Neto, Gregório Semedo e Católica têm sistemas de informação criados para garantir aulas de forma remota.

O director realçou que, com mais de 90 instituições superiores no país, só será possível fazer a implementação do sistema de ensino à distância de forma gradual.

“Neste momento não temos nenhuma instituição superior autorizada a ministrar o sistema de ensino semi-presencial ou à distância, desde a publicação do Decreto Presidencial, em Janeiro deste ano”, realçou.

Reforçou que, com a situação da Covid-19, as salas de aula estarão limitadas, sendo necessário que se utilizem ferramentas que facilitam o processo de aprendizagem, para quem tem a plataforma disponível. Emanuel Catumbela disse que têm estado a fazer contactos com o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social no sentido de se facilitar o acesso à Internet às instituições públicas e privadas.

Revelou que o Ministério está a criar, também, ferramentas que facilitem o ensino semi-presencial ou à distância, para que o aluno tenha acesso às matérias em qualquer lugar, através da Internet.

“O grande problema do ensino à distância é o acesso à Internet por parte dos estudantes em casa, sabemos que muitos deles têm dificuldades de ter um computador e outros equipamentos. Mas, para isso, existem algumas soluções, como criar canais de acesso livre, através da utilização de um smartphone, com saldo de dados”, sustentou.

Relativamente às matérias ou conteúdos, referiu que dependem das condições criadas pelas instituições, obedecendo, pelo menos, 75 por cento, para um curso de direito, por exemplo.

“O pagamento de propinas é um assunto que está a cargo do Ministério das Finanças e outros envolventes no processo, a fim de se achar um ajustamento favorável para todos”, concluiu.

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