Política

Especial/João Lourenço: Corrupção adiou sonho de milhares de jovens

O presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Isaías Kalunga, afirmou que a corrupção é um mal imensurável, que adiou o sonho de milhares de jovens no país.

Presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Isaías Kalunga
Fotografia: Edições Novembro

O líder juvenil referiu que o alastramento do problema, em território nacional, impediu o surgimento de mais escolas e centros de formação profissional que, hoje, serviriam melhor os jovens. “Por causa deste mal, verifica-se, hoje, no país, um ensino débil, a existência de mais instituições de ensino privado do que público e os preços feitos nessas instituições privadas não estão ao alcance de muitos jovens, por serem bastante exorbitantes”, realçou.

Revelando tristeza, Isaías Kalunga disse que, devido ao alto nível de corrupção que estava instalado no país, começaram a surgir cidadãos muito endinheirados, que rivalizavam com um número elevado de tantos pobres. Referiu que tínhamos um país em que a riqueza era muto mal distribuída e qualquer cidadão podia dormir pobre e, no dia seguinte, acordar milionário.

“Bastava ser nomeado para uma função pública, para, em menos de cinco anos, tornar-se um multimilionário”, lembrou. O líder juvenil realçou que isto fez com que muitas escolas do país ficassem sem assentos e, nos casos em que os tivessem, fossem de madeira atravessada em pedra, para um mínimo de até cinco crianças.

Para escrever, tínhamos de apoiar o caderno no colo. Apesar disso, prosseguiu, eram orientados a acreditar que se tratava de uma coisa normal.
Disse ser graças ao combate à corrupção que se está a ficar a saber, nos dias que correm, da existência, no país, de muitos dirigentes multimilionários, que não aceitaram investir em Angola.

Isaías Kalunga salientou que o país está numa situação que convida todos os angolanos, de Cabinda ao Cunene, a arregaçar as mangas, para ajudar o Presidente da República neste combate à corrupção. “Só assim conseguiremos o país que todos almejamos”, lembrou. O líder juvenil não tem dúvida de que o combate à corrupção vai permitir ao país resgatar milhões de dólares retirados ilicitamente da esfera do Estado, para serem investidos em projectos que vão gerar mais empregos, escolas e várias outras infra-estruturas de saúde, que, de forma directa, vão beneficiar os jovens.

Isaías Kalunga defende o uso da parte dos valores a serem recuperados em programas que beneficiem a juventude, como a construção de escolas, centros de formação, hospitais e concessão de crédito para o empreendedor e outros. “Se os valores recuperados forem canalizados para estes projectos, num prazo de cinco ou dez anos, estaremos a ombrear com as principais potências do continente”, vaticina.

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