Política

Esperança renascida

Cândido Bessa |

O ano que hoje inicia vai ser crucial para o Presidente João Lourenço e sua equipa governativa, depois do que aconteceu nos últimos três meses, os primeiros do Chefe de Estado, em que conseguiu, em tão pouco tempo, relançar a esperança dos angolanos por uma vida melhor.

As grandes prioridades das políticas públicas do actual Governo vão estar centradas em programas virados ao crescimento saudável da criança no seio da família
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Os primeiros três meses de trabalho do Presidente da República foram marcados pelo rigor nas decisões, disciplina e, como reconheceram vários políticos e líderes da oposição, na coerência nos discursos, desde a tomada de posse, em 26 de Setembro. Na ânsia de “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”, o João Lourenço fez questão de colocar os cidadãos e a sociedade em primeiro lugar.
O Presidente assumiu a corrupção, o nepotismo, o compadrio, em todas as esferas da sociedade, como os males a combater todos os dias e os comparou a uma epidemia de que o país precisa de se livrar com urgência. O sinal já tinha sido dado na tomada de posse, quando declarou: “Os cidadãos precisam de acreditar que ninguém é rico ou poderoso de­mais para se furtar a ser punido, nem ninguém é pobre demais ao ponto de não poder ser protegido”. João Lourenço manifestou-se, igualmente, disponível, durante o mandato, para uma atitude de abertura e diálogo com toda a sociedade, em relação aos problemas da Nação, e para prevenir e combater quaisquer condutas que impeçam os cidadãos de usufruírem dos direitos que a Constituição da República lhes confere.
É isso que se espera do Chefe de Estado neste 2018, para que seja, de facto, um ano bom para as famílias, para os cidadãos, para as empresas e para a sociedade, em geral, e, de uma vez por todas, se evite condenar a maioria dos angolanos à miséria absoluta.
A mensagem deixada aos angolanos como desejo de bom ano é prova disso.
 “Desta vez, vamos empenhar-nos seriamente para que esse desejo deixe de ser uma ilusão e se torne numa realidade”, disse, para desejar que o novo ano traga prosperidade e melhores dias para todos. Há quem veja na frase do Presidente da República, na cerimónia de fim de ano, de que “três meses é pouco tempo para mostrar obras, três meses não é nada”, um recado do género: “Vocês ainda não viram nada. Aguardem!

Avançar com as reformas

Em economia, a forma como somos vistos lá fora faz grande diferença, na decisão de a classe privada investir. Olhando para 2017, dá a indicação de que a forma como o Presidente vai actuar será determinante para o sucesso.
A correcta leitura da realidade e dos fenómenos mundiais, por parte da equipa económica, liderada pelo ministro de Estado Manuel Nunes Júnior, permite tomar medidas acertadas para prevenir o impacto negativo de crises, como a que ocorre desde 2014, com a queda dos preços das principais matérias-primas, como o petróleo, responsável por mais de 80 por cento das receitas do país.
O ajuste fiscal e cambial é incontornável, de acordo com especialistas. O FMI já avançava esta necessidade, em função da deterioração da vida da população, com a subida da taxa de inflação que hoje atinge os 24 por cento (a décima mais alta do mun­do) e da diferença entre o câmbio paralelo e o informal. No fundo, a equipa económica do Presidente vai desvalorizar a moeda e ajustar os impostos. Trata-se, no fundo, de fazer que quem tem mais pague mais e quem tem menos também pague menos.
“É uma forma de repor a justiça fiscal”, garante o FMI. Desde 2016 que a taxa de câmbio oficial definida pelo Banco Nacional de Angola (BNA) está fixado nos 166 kwanzas, por cada dólar norte-americano, e nos 186 kwanzas, por cada euro. À falta de divisas nos bancos comerciais, a opção para muitos é o mercado de rua, que, apesar de ilegal, serviu como indicativo para transacções de alguns bens e serviços.
O Programa de Estabilização Macroeconómica, aprovado no mês passado, tem exactamente em vista alinhar a economia angolana a um ambiente referenciado como “novo normal\", que incentive o investimento, traga mais emprego, melhores salários e maior segurança social. Neste capítulo, um sinal positivo foi a manutenção da taxa de juros em 18 por cento (ainda a nona mais alta do mundo), já que o mercado esperava por uma subida deste indicador que mostra o custo do dinheiro e que é de extrema importância para os empresários, principalmente os nacionais, que precisam de dinheiro para investir.
Uma desvalorização da moeda, de acordo com especialistas, levaria igualmente à subida da taxa de juros, o que desincentiva o recurso ao crédito. O normal, afirmam, numa economia em que os empresários precisam de dinheiro, como de pão para a boca, seria uma queda brusca dos juros, tornando o dinheiro mais barato para os homens de negócios, para, assim, investirem mais e criarem empregos. 

O Presidente visto de fora

Se, no país, alguns ainda desconfiam da eficácia das medidas e pequenas acções do Presidente, de fora chegam sinais de esperança. Pequenos gestos entre nós, habituados a ver a árvore e não a floresta, fazem toda a diferença para os grandes meios e cadeias internacionais, que também duvidavam de João Lourenço, quando foi eleito, em Agosto.
Entre os destaques, estão o semanário português Ex­presso, que considera a eleição de João Lourenço um dos acontecimentos do ano que ontem terminou. A agência de informação financeira Bloomberg e a revista The Economist publicaram artigos que elogiam a nova presidência e destacam o estilo reformista, manifestado desde que tomou posse, em 26 de Setembro.
“Ele só liderou Angola por um par de meses, mas os investidores em títulos já gostam do que estão a ver de João Lourenço”, escreve a Bloomberg. O The Economist afirma: “Tão depressa, depois de chegar ao cargo, João Lourenço começou forte”.

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