Política

“Estou surpreendido pela positiva”

João Dias

O Presidente da República, João Lourenço, incentivou os promotores do Projecto Integrado de Desenvolvimento Agrícola e Regional da Quiminha a produzirem mais e melhor nos próximos tempos e lembrou que o mesmo conheceu significativa evolução, de 2015 a 2019.

Com uma produção de 24 milhões de ovos, Quiminha deixou o Presidente da República satisfeito com os níveis alcançados, mas pode duplicar os índices
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Durante o período, produziu 26 mil toneladas de produtos diversos, uma cifra que deve ser elevada para 35 mil, ainda no próximo ano. João Lourenço realizou uma visita guiada ao projecto público-privado. Passou pelo futuro centro de quarentena do gado bovino, centro de logística, zona das 300 casas, pela área dos 150 hectares de plantação de banana, zona de produção de milho e soja e a do aviário. O Presidente da República disse estar surpreendido, pela positiva, com o desempenho do projecto, apesar de não ter atingido ainda a velocidade cruzeiro e o pico da produção. 

“Aproveitamos esta oportunidade para encorajar os promotores a continuarem neste caminho. Angola tem grandes potencialidades e pode produzir muito mais do que vem produzindo, quer através da agricultura empresarial, quer da familiar”, disse o Presidente João Lourenço, que esteve no início da implementação do projecto, altura em que, segundo ele, “não era nada” em relação ao que viu ontem.
Prevê-se que o projecto, na sua fase cruzeiro crie cerca de 1.200 postos de trabalho directos. Actualmente conta com 600 trabalhadores. João Lourenço assinalou que a Quiminha já se auto-financia, pois produz e vende, o que dispensa qualquer injecção de mais dinheiro público. “O projecto tem receitas e estas servem para reinvestir. Por isso, não há necessidade de recorrer, mais uma vez, ao OGE”, explicou.
Localizado a sudeste de Luanda, o Projecto Integrado de Desenvolvimento Agrícola e Regional da Quiminha está erguido numa área equivalente a 2.300 campos de futebol, perto da barragem com o mesmo nome, no Rio Bengo.

Os números da Quiminha
Com 300 fazendas familiares, de um hectare cada, que comporta uma casa T3, um túnel estufa com 500 metros quadrados, ramal de fornecimento de água potável à residência e de água bruta para irrigação, Quiminha pretende atingir o nível de produção plena e conta com um centro logístico, que se destaca pelas estruturas e equipamentos que reúne para conservar, seleccionar, lavar, calibrar e empacotar ou ensacar. É de lá onde saem quantidades de produtos agrícolas para o principal centro de consumo do país: Luanda.
O principal alvo são as grandes superfícies comerciais. Pelo que se deu a ver aos visitantes, os bens produzidos na Quiminha reúnem qualidade aceitável. O centro logístico conta com silos com capacidade de armazenamento de quatro mil toneladas, uma fábrica de rações, que processa 15 toneladas por hora, câmaras de frio com capacidade para armazenar oito mil toneladas, uma sala de empacotamento, parque de máquinas e armazéns.
A Quiminha tem um centro de produção com estufa viveiro de um hectare com capacidade para produzir 15 milhões de mudas diversas por ano. Conta ainda com oito casas de sombra, com uma área de um hectare cada, para a produção de tomate, pimento, pepino, beringela, entre outras hortícolas. A capacidade de produção é de cerca de 1.200 toneladas de hortícolas por ano.
Com 11 pivots centrais para a irrigação por aspersão, o Projecto Integrado de Desenvolvimento Agrícola da Quiminha tem cerca de 700 hectares destinados à produção de grãos, raízes, tubérculos e cebola, prevendo uma produção de 20 mil toneladas de bens diversos por ano.
A par destes, estão outros 200 hectares à volta dos pivots, suportados pela irrigação gota-a-gota para a produção de pimento, tomate, beringela, cenoura, abóbora, melancia, meloa e melão. Só nos 150 hectares de banana, Quiminha produz cerca de cinco mil toneladas. Para 2020, a previsão é que seja duplicada a produção.
Na Quiminha há duas áreas distintas para a produção de frango e ovos, suportadas por uma fábrica de rações que pode produzir 15 mil toneladas por hora. O Projecto tem uma área de cria e recria para 30 mil pintos e outra de postura para 90 mil galinhas. Por ano, são produzidos 24 milhões de ovos. A ração produzida, além de servir de suporte aos aviários da Quiminha, permite a comercialização para outras explorações avícolas da região.
Em 2019, foram produzidos 254 toneladas de tomate, dois de alface, 135 de beringela, 50 de repolho, cinco de couve, 110 de melancia, 50 de pepino, 40 de meloa, 25 de melão, 45 de pimento verde, 26 de pimento amarelo, 15 de pimento laranja, 41 de pimento vermelho, 32 de cenoura, 11 de milho doce, 300 de papaia, 8 de feijão, 5.040 de milho, 2000 de soja, 2200 de cebola, sete de malagueta, 6000 de batata-rena, quatro de abóbora e 195 toneladas de batata doce. No total, o projecto colocou no mercado 26.600 toneladas de produtos diversos.
Mediante a análise das opções de rotação de diferentes culturas, estima-se que, até finais deste mês, sejam colocados no mercado 35 mil toneladas de produtos diversos e 24 milhões de ovos.

Modelo a replicar
Em breves declarações à imprensa, o ministro da Agricultura e Florestas, António Francisco de Assis, disse ter falado com o Presidente da República no sentido de se dar mais força ao projecto para produzir mais, melhor e crescer no lado da integração social, e evitar que seja um projecto elitista, fazendo participar mais as famílias dos arredores.
Para o ministro, os resultados são satisfatórios e a prová-lo está o facto de o que se faz na Quiminha poder ser um bom exemplo para o que se pretende a nível do país. “Esta zona tem água, terra fértil e além disso está perto de Luanda, o maior centro consumidor”, disse António Francisco Assis, que entende que é necessário imprimir maior responsabilidade e seriedade no que é feito no país.
Este projecto é fruto de uma parceria público-privada em que há, por um lado, investimento realizado pelo Estado e, por outro, investimento privado. Falou dos bons resultados em termos de produção de milho, soja e 24 milhões de ovos por ano. “É uma boa cifra”, reconheceu, lembrando que se está a produzir milho entre 3,5 e 8,5 toneladas por hectare.
Das 300 casas construídas no projecto, parte considerável não está habitada. O ministro qualificou a situação de “grande desperdício” e prometeu medidas para reversão do cenário, uma das quais sensibilizar a população que tem um projecto com todas as condições para produzir, como casas, terras e água. “Estamos a fazer um trabalho de sensibilização para que retomem a produção. Temos todas as condições técnicas e até mercado dos produtos. O que falta é engajamento das famílias, muitas das quais já eram velhas e que repassaram as casas para os filhos que vivem em Luanda. Mas, estes filhos não têm identidade com o campo”, sublinhou o ministro, para quem é preciso dialogar primeiro antes de usar a força.
“O Presidente da República incentivou-nos no sentido de continuar a trabalhar e a prestar atenção às comunidades ao redor do projecto para que tenham benefícios directos não só de emprego, mas também de apoio social”, disse Carlos País, director do projecto.

Balanço de dois dias
Numa breve resenha sobre a jornada de campo de dois dias, fez um balanço que considerou possível por terem sido vistas coisas boas, mas também coisas más, que precisam ser corrigidas e melhoradas. “O que gostaria de destacar são as visitas de campo em unidades industriais, que permitiram aferir o que o país já está e o que pode vir a produzir, se houver não apenas uma atenção do Executivo, mas também do próprio sector empresarial privado”, disse.
Em torno da questão da necessidade de revitalização do sector privado, o Presidente da República falou do que o Estado tem vindo a fazer para melhorar o ambiente de negócios e de investimento, admitindo existirem detalhes por alinhavar. “São coisas mínimas. Por isso é que existe diálogo entre o Executivo e o sector empresarial. Eles vão dizer-nos que outros apoios e incentivos é que precisam”, notou.

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