Política

Estudo da Marktest: 71% da população de Luanda está muito mais preocupada com a Covid-19

Isaque Lourenço

Um estudo da Marktest, lançado ontem por videoconferência, em Luanda, estimou que no global 73 por cento da população de Luanda está mais preocupada com a pandemia da Covid-19.

Segundo a amostra de 355 entrevistados durante a primeira semana deste mês há 46 por cento das pessoas com receio de serem contaminadas e 14 por cento temem as dificuldades por falta de alimentos
Fotografia: DR

Ou seja, 51,4 por cento da população na capital do país está, neste momento, muito mais e 21,7 por cento mais preocupada com a pandemia da Covid-19, comparativamente ao seu início em Março. O Índice de Preocupação (IP), que calcula a média entre preocupados e não preocupados, é de 55 por cento, numa amostra de 355 pessoas, entrevistadas entre os dias 2 e 6 deste mês.

Os dados da Marktest adiantam também que, actualmente, o receio de ser contaminado (46 por cento) e a falta de alimentos (14 por cento) continuam a ser as duas situações que melhor traduzem

O receio dos luandenses

A Marktest comparou o comportamento da população no início da pandemia, em finais de Março e princípio de Abril, quando foi decretado o Estado de Emergência, com o início de Julho, já na vigência da Situação de Calamidade Pública.

 O estudo avança que a grande maioria da população em Luanda (84 por cento) refere que em caso de suspeita da Covid-19 sabe quem contactar. Nesse capítulo, 88 por cento referiu-se à linha 111. Quanto às últimas medidas tomadas pelo Executivo (Governo e Ministério da Saúde, em particular), cerca de 65 por cento está de acordo ou totalmente de acordo, estando em desacordo ou totalmente em desacordo cerca de 25 por cento. 

O índice encontrado entre estas duas posições é de 41 por cento. Comparativamente ao início de Abril verifica-se que os atributos que sofreram uma maior alteração foram a confiança (-18 por cento), a calma/tranquilidade (-14 por cento); a descontração (-9 por cento) e a boa disposição (-9 por cento).

Em termos comparativos verifica-se que a ansiedade/stress decresceu (-13 por cento) mas a insegurança subiu 12 por cento. Os três atributos que melhor demostram actualmente o estado de espírito dos luandenses é a preocupação (56 por cento), a calma (41 por cento) e o sentimento de insegurança (35 por cento).

O Sistema Nacional de Saúde não corresponder à pandemia mantém-se como o terceiro maior receio a par do receio de não sobreviver ao vírus (ambos com 8 por cento). Na interacção com os parceiros e a imprensa, a responsável pelo estudo da Marktest, Ana Paula Rodrigues, fez saber que novas entrevistas iniciam hoje para medir a opinião dos luandenses e algumas províncias sobre como avaliam as medidas mais recentes tomadas pelo Governo e que foram comunicadas na última terça-feira pelo ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Adão de Almeida, e que agravaram algumas medidas aliviadas por altura da Situação de Calamidade Pública.

Ana Paula Rodrigues disse ao Jornal de Angola que os próximos estudos vão também procurar reflectir a opinião sobre casos de estigmatização entre os luandenses e dos de fora da capital, cuja percepção, nos últimos tempos, é de uma aparente discriminação, fundamentalmente entre as pessoas já infectadas e seus parentes.

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