Política

Executivo incentiva ingresso nas organizações internacionais

Edna Dala

O Ministério das Relações Exteriores está a trabalhar na criação de uma área específica para apoiar cidadãos nacionais que queiram ingressar nas organizações internacionais, revelou o ministro Téte António.

Ministro aponta trabalho para inserção de mais quadros
Fotografia: Santos Pedro| Edições Novembro

Em declarações ao Jornal de Angola, Téte António explicou que a área a ser criada vai ser dotada de ferramentas essenciais para ajudar os interessados a reforçar as suas escolhas, disponibilizando informação útil sobre os organismos internacionais, suas funções e as dinâmicas de articulação. A iniciativa, segundo o ministro, responde a uma aposta do país em ter, também, quadros nacionais na função pública internacional, sabendo que podem jogar um papel fundamental nos processos em que o Estado esteja engajado.

“Cada angolano, em qualquer uma destas organizações internacionais é, também, um embaixador do país”, sublinhou Téte António.  Depois de ter defendido recentemente a necessidade de inserção de mais quadros angolanos nas organizações internacionais, o ministro esclareceu que “esses quadros não recebem quaisquer orientações dos seus países de origem, pois, é proibido, de acordo com a deontologia da função pública internacional”.

Mas permite ao país em causa, acrescentou, beneficiar do preenchimento de vagas dos seus quadros e tomar decisões adequadas. Referiu que existem inúmeros benefícios das organizações internacionais para o país e, frisou, nada melhor do que ter cidadãos nacionais nestas instituições. O ministro destacou que as organizações podem igualmente servir como um canal de emprego para os jovens, o que considerou como uma das grandes vantagens.

“Cada angolano que entra para essas organizações traz consigo um conhecimento que pode servir também para o país”, sublinhou. Defendeu ainda a necessidade de se mudar a percepção que a maioria tem sobre as organizações internacionais. “Quando falamos de organizações internacionais, pensamos logo na ONU e União Africana quando, na verdade, existe uma série de organizações. 

Téte António, que ocupou vários cargos na União Africana, esclareceu que ir para a função pública internacional não significa, apenas, ingressar nestas duas organizações. Questionado sobre os benefícios da inserção destes quadros nas organizações internacionais, o titular do Mirex respondeu: “É mais fácil defender os teus projectos quando tens um cidadão nacional no Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), principalmente se estiver numa posição executiva de decisão.

O interesse ou a vantagem do país será melhor defendido pelos seus cidadãos, ao contrário de funcionários estrangeiros por exemplo”. Para tal, disse, é preciso ir mais além, porque, para defender tais posições, é preciso estar bem munido de informação. O ministro apontou, também, o rendimento para esses quadros e para as suas famílias como um dos grandes benefícios destes programas.

A título de exemplo, Téte António indicou que o rendimento de um funcionário enviado para um país do terceiro mundo ou em desenvolvimento é maior, comparado à ajuda pública ao desenvolvimento. “São todos esses benefícios que contribuem para o país, além de elevar o nome de Angola”, sublinhou.

Factores impeditivos

Téte António indicou a formação e informação como um dos grandes factores impeditivos para a presença de mais quadros angolanos nestas organizações. “Há formações que são dadas para os exames de admissão nas Nações Unidas, por exemplo, porque o sistema das Nações Unidas foi concebido para o sistema anglo-saxónico.

Quem está fora do meio dificilmente tem acesso por causa da estruturação do referido sistema”, disse “É preciso viver um certo ambiente para responder às questões colocadas do exame de admissão, por isso é necessário a formação e a presença física através de estágios, uma modalidade usada por muitos países”, salientou.

Ainda sobre os entraves, Téte António lembrou que o Ministério das Relações Exteriores está a criar uma área específica para esse tipo de actividade e, através das missões diplomáticas, permitir o acesso a informações e oportunidades aos cidadãos nacionais interessados. Não obstante isso, o mi-nistro reafirmou que o Executivo está preparado para dar apoio político aos quadros nacionais interessados em ingressar na função pública internacional.
As metas do Governo, frisou, incidem no aumento de mais quadros angolanos nos organismos internacionais.

“Estamos a trabalhar de modo a estruturar melhor essa questão. Téte António esclareceu que a colocação no sistema das Nações Unidas não é apenas para juniores mas também para seniores. “É preciso estar no local da decisão para influenciar”, salientou. Segundo o ministro, o Executivo continua a trabalhar no sentido de aumentar a presença nas organizações internacionais.

Neste aspecto, acrescentou, as representações diplomáticas têm desempenhado um papel importante. Apontou a necessidade de haver um sistema a ligar as missões diplomáticas, para a identificação de oportunidades.

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