Política

FAO passa centro de spirulina para as Pescas

O Centro Nacional de Produção de spirulina, situado na localidade do Mucoso, município de Cambambe, que até agora estava sob gestão do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), passa a ser gerido pelo Ministério das Pescas.

Protocolo dá por finda a gestão do centro pelo Fundo das Nações Unidas para a Alimentação
Fotografia: Nilo Mateus | Edições Novembro

O protocolo de transferência da gestão foi rubricado pelo director do Instituto da Pesca Artesanal e Aquicultura, Nkossi Luyeye, e pelo representante em exercício da FAO em Angola, Anastácio Roque.
O protocolo dá por finda a gestão do centro pela FAO após terem sido cumpridas as fases de construção, produção e divulgação do projecto, o primeiro em Angola.
A transferência da gestão permite ao Ministério das Pescas a definição de políticas destinadas à auto-sustentabilidade do projecto por via da comercialização do produto, considerado um dos suplementos de alto valor nutritivo pouco conhecido ainda em Angola, cujos efeitos se reflectem no estímulo do organismo de pessoas com carência nutricional, sobretudo idosos e crianças.
A sua produção começou em Junho de 2017, tendo sido lançada a campanha de divulgação e de consumo em Fevereiro deste ano.
O representante em exercício da FAO em Angola disse que o acto encerra um ciclo experimental desenvolvido pela Agência das Nações Unidas, nos últimos seis anos, em que os resultados obtidos em testes laboratoriais validaram a qualidade do produto, que passa a ser comercializado dentro e fora do país.
A produção de spirulina resulta de um investimento directo da FAO, em parceria com o Ministério angolano das Pescas, quer na construção do centro, quer na formação, no exterior do país, de técnicos angolanos que manuseiam os equipamentos. Com a transferência do projecto, prosseguiu o funcionário da FAO, estão criadas as condições para a produção, em larga escala, permitindo que o empresariado local possa investir neste sector, tendo em conta as qualidades do produto.
A sua inserção no mercado de consumo responde às recomendações das Nações Unidas relativamente ao aumento da segurança alimentar e ao combate à mal nutrição, pois, além do seu consumo directo, tem influência no rendimento produtivo nos sectores agrícola, pecuário, dos galináceos, na aquicultura e  noutros agentes da cadeia de produção, por via da sua adição aos fertilizantes e rações. Pelo seu valor comercial, a spirulina é já uma das fontes de rendimento de muitos países que detêm um índice de produção para exportação, como a Índia, Cuba, México, Israel, Burquina Faso e o Chade.
O secretário de Estado das Pescas, Carlos Martinó Cordeiro, que testemunhou o acto, instou o empresariado nacional a aderir ao processo de produção de spirulina, com vista a contribuir na diversificação da economia nacional.
Referiu que o empresariado angolano ao aderir a este processo, além de perseguir o lucro, contribuiria para a produção de um suplemento que muito influencia na melhoria da dieta das populações vulneráveis.
Indicou que a aposta na produção da spirulina responde a um dos programas sociais que visa a melhoria da dieta.
A vice-governadora para o Sector Político, Social e Económico do Cuanza-Norte, Leonor da Silva Ferreira, lembrou que “este produto, certificado internacionalmente, afigura-se como defensor do sistema imunológico do ser humano, estimula o alto rendimento desportivo e assegura o crescimento sadio das crianças”. Espera por isso, o envolvimento de empresários na sua produção, comercialização e consumo, continuou.

Tempo

Multimédia