Política

Fernando Heitor deixa a UNITA

Bernardino Manje |

Fernando Heitor anunciou a cessação da sua militância na UNITA no final do seu mandato como deputado e mostrou-se disponível para integrar o próximo governo, mesmo em caso de vitória do MPLA nas próximas eleições gerais, previstas para Agosto deste ano.

Fernando Heitor anunciou a cessação da sua militância na UNITA
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Em entrevista na terça-feira à noite na TV Zimbo, o também economista confirmou que entregou uma carta ao presidente da UNITA a informar que não estava disponível a fazer novamente parte da lista de candidatos a deputados, tendo alegado motivos objectivos e subjectivos. “Já estou há 20 anos como deputado e julgo ter chegado o tempo de dar oportunidade aos mais jovens”, disse Fernando Heitor, que criticou os mais velhos apegados aos cargos, muitos dos quais sem mais-valia.
Além de estar há muito tempo como deputado, Heitor, 62 anos, justificou igualmente a sua saída do Parlamento com o facto de estar a ser subaproveitado. “Acho que é tempo de fazer uma outra coisa. Se calhar, vou tratar das minhas lavras ou escrever as minhas memórias”, afirmou o ainda deputado, que há já algum tempo não é membro da direcção da UNITA, a seu pedido.
O ainda deputado da UNITA disse não haver problema algum em integrar um governo do MPLA, desde que seja nomeado para um cargo em que tenha capacidades ou valências para tal. “Preocupamo-nos muito com as militâncias! O país está muito partidarizado e não precisa disso. Temos de encontrar plataformas de convergência. É por isso que quero ser apartidário”, sustentou Fernando Heitor, ao justificar a cessação da sua militância na UNITA e a disponibilidade para integrar qualquer governo, incluindo o do MPLA.
Heitor, que preside a uma das comissões do Parlamento, confirmou que teve, recentemente, um encontro com o candidato do MPLA a Presidente da República, no Lubango, onde este foi apresentado aos militantes e simpatizantes do partido. Mas negou que o encontro com João Lourenço estivesse relacionado com alguma concertação no sentido de fazer parte do próximo governo. “Apenas fui felicitá-lo pelo facto de ele ter sido indicado candidato do MPLA a Presidente da República”, disse. Fernando Heitor realçou que nunca pediu cargos, nem na UNITA, nem a lado nenhum. “Tenho uma vida pessoal razoavelmente feita. Pertenço à classe média e não vou pedir esmolas”, afirmou, antes de lembrar que também pode dar aulas. “A educação é a minha paixão”. 
Heitor pediu desculpas pela falta de modéstia, quando afirmou que é “uma pessoa bem formada”. E mais adiante reafirmou que estava disponível a integrar um governo do MPLA. “Se for convidado, vou com todo o orgulho. Neste aspecto, sou completamente apartidário, pois o país está em primeiro lugar”, disse, esclarecendo que teria a mesma disponibilidade na eventualidade de ser convidado a integrar um governo da UNITA.
Durante a entrevista, em que os telespectadores também puderam fazer perguntas, Fernando Heitor voltou a contestar a indicação de Raul Danda como vice-presidente da UNITA, justificando que a militância deste “nunca foi rectilínea.” Heitor terá feito uma referência implícita ao facto de Raul Danda ter, a dado momento, abandonado a UNITA para integrar a extinta Tendência de Reflexão Democrática (TRD). O deputado sublinhou ainda que não é o único no seio da UNITA que se mostra contra a indicação de Danda para vice-presidente do partido. Deixou claro que, independentemente da sua contestação, não tem animosidade com qualquer membro da direcção do partido. Nem com o presidente Isaías Samakuva, nem mesmo com o próprio Raul Danda.

Falso problema

Fernando Heitor considerou um “falso problema” as reclamações dos partidos na oposição devido ao facto de o ministro da Administração do Território ser ao mesmo tempo candidato a Vice-Presidente da República pelo MPLA. A oposição considera que Bornito de Sousa é árbitro e jogador ao mesmo tempo, pelo facto de dirigir a instituição que conduz o processo de registo eleitoral.
“Acho que isso é um falso problema! Então, por que não se queixaram também do facto de (nas últimas eleições) o Presidente José Eduardo dos Santos ter continuado no cargo (de Titular do Poder Executivo, mesmo concorrendo)? Além disso, Adão de Almeida (secretário de Estado para os Assuntos Institucionais) também não é candidato a deputado pela lista do MPLA?”, questionou-se.
Heitor afirmou que, do ponto de vista legal, não há nada que impeça o ministro da Administração do Território de ser candidato a Vice-Presidente da República. “Não há nenhuma lei que diga que ele deve deixar o cargo”, referiu o deputado, defendendo, no entanto, que, do ponto de vista ético, seria bom que Bornito de Sousa colocasse o seu cargo no MAT à disposição.

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