Política

França apoia conservação do património cultural

Victor Mayala | Mbanza Kongo

A França está disponível em apoiar Angola nos esforços que visam a conservação e desenvolvimento de todo o património cultural de Mbanza Kongo, anunciou o embaixador daquele país, Silvain Itté, que se encontra desde ontem em visita de trabalho de 72 horas nesta cidade.

Igreja do Kulumbimbi foi o primeiro templo cristão construído na África subsaariana
Fotografia: Garcia Mayatoko | Edições Novembro

À margem do encontro com o governador provincial do Zaire, o diplomata francês acrescentou que o seu país também está disponível em ajudar a desenvolver a actividade económica que poderá surgir em torno do sector turístico, tendo em conta a vasta experiência que a França tem no domínio da gestão da indústria turística.
A França, revelou, recebe anualmente mais de 87 milhões de turistas, tendo, por isso, uma vasta experiência sobre o assunto. “Conversamos com o governador e com outras autoridades tradicionais para sabermos em como podemos ajudar no desenvolvimento do património da região”, disse Silvain Itté, que mais adiante reconheceu não ser uma tarefa fácil transformar localidades em espaços turísticos. Para haver sucesso, defendeu, devem ser definidas prioridades, pois Mbanza Kongo possui vários pontos turísticos.
“A França está disposta a ajudar, em primeiro lugar, na formação e em investimentos humanos, porque antes de falar em meios financeiros, devemos ter as pessoas, uma vez que os turistas vão esperar qualidade de serviços, que passam, necessariamente, pela formação profissional”, sustentou.
O embaixador sublinhou que o apoio da França vai depender das prioridades de investimentos a serem definidas pelas autoridades angolanas. “Sobre as questões de formação profissional, pesquisa e transferência de conhecimentos, já estamos disponíveis e podemos enviar rapidamente especialistas que podem ajudar nestas matérias”, indicou.
O embaixador lembrou que a França foi um dos países que apoiou a candidatura de Mbanza Kongo a Património Mundial da Humanidade. Com efeito, Silvain Itté exprimiu a sua satisfação pela elevação daquela cidade a este estatuto.
Durante a sua estada em Mbanza Kongo, o embaixador da França deve visitar algumas infra-estruturas e sítios de interesse histórico-cultural, com destaque para a Escola Superior Politécnica de Mbanza Kongo, museu dos reis do Congo, Yala nkwu (árvore milenar), Kulumbimbi (primeira igreja católica construída na África subequatorial) e cemitério dos antigos reis do Congo.
O centro histórico da cidade de Mbanza Kongo foi incluído na lista do Património Mundial durante a 41.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO, realizada em Julho deste ano, em Cracóvia (Polónia). O projecto de inscrição da capital do Zaire na lista da UNESCO, denominada  “Mbanza Kongo, Cidade a Desenterrar para Preservar”, foi lançado em Setembro de 2007, com a realização da segunda Mesa Redonda Internacional que abordou esta temática na referida sede provincial.
Desde a fundação do Reino do Kongo, no século XIII, a cidade de Mbanza Kongo foi a capital, o centro político, económico, social e cultural, sede do Rei, a sua corte e centro das decisões. Mbanza Kongo foi, no século XVII, a maior vila da Costa Ocidental da África Central, com uma densidade populacional de 40 mil habitantes (nativas) e quatro mil europeus.
Com o seu declínio, a cidade que se encontrava no centro do reino em plena “idade de ouro” transformou-se numa vila mística e espiritual do grupo etnolinguístico Bakongo e albergou territórios de Angola, República Democrática do Congo, Congo Brazzaville e Gabão.
A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, afirmou recentemente, em Luanda, que a elevação da cidade de Mbanza Kongo a Património Mundial representa um ganho para Angola.

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