Política

França destaca papel estratégico de Angola

Gabriel Bunga

Angola desempenha um papel estratégico na região do Golfo da Guiné, afirmou ontem, em Luanda, o adido de Defesa da França em Angola, tenente-coronel Géry Mangez.

Adido diz que França quer trabalhar com Angola no domínio da segurança marítima
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Géry Mangez falava aos jornalistas da Rádio Nacional de Angola e do Jornal de Angola sobre as manobras militares que decorreram na costa marítima angolana na semana passada. “Angola é um país que tem um papel muito importante na região e, por isso, a França assinou o acordo de defesa para fortalecer esta capacidade, para assegurar toda a região do Golfo da Guiné”, disse.
Géry Mangez disse que o acordo que a França e Angola assinaram no domínio militar, durante a visita do Presidente João Lourenço a França, serviu para reforçar e fortalecer os laços de cooperação entre os dois países. O acordo militar entre os dois países no domínio da defesa, disse, prevê a cooperação nos domínios de manutenção da paz e da segurança marítima.
“São dois domínios onde a França quer trabalhar muito com Angola”, enfatizou o diplomata militar, acrescentando que os dois países precisam de trabalhar juntos no Golfo da Guiné para a garantia de um mundo melhor e seguro.
O adido da Defesa da França em Angola considerou positivos os resultados dos exercícios navais realizados entre as marinhas de Guerra dos dois países, na semana passada. “Estes exercícios foram um grande sucesso para a França e Angola”, disse, sublinhando que, agora, os militares angolanos e franceses estão em melhores condições de trabalhar em conjunto no domínio da segurança marítima, com destaque para a planificação.
Os treinos militares das marinhas de Guerra foi uma iniciativa das autoridades francesas, envolvendo Angola e outros países do Golfo da Guiné até Cabo Verde. O tenente-coronel Géry Mangez disse que os exercícios contaram com uma equipa de avaliação que acompanhou todas as fases do exercício, desde a segurança dos participantes, do navio patrulheiro e da equipa de fuzileiros navais angolanos que fizeram uma intervenção ao navio francês.
Os exercícios das marinhas de Guerra de Angola e de França incidiram no treino dos militares nos domínios do combate à pesca ilegal, pirataria e assistência de navios em perigo.”O nível dos exercícios foi muito bom, tivemos uma equipa de avaliação francesa”, disse.
Ainda no domínio militar, Angola e a França também cooperam na área de formação de quadros. Neste momento, revelou Géry Mangez, mais de 250 militares angolanos estão a frequentar o curso de Língua Francesa na Aliança Francesa de Luanda.
Saúde e técnica militar são outras áreas de cooperação. Na Saúde, disse, dois médicos angolanos trabalham num hospital francês para troca de experiências por um período de três anos.
Ainda no âmbito da cooperação militar, sublinhou o adido francês, existe um curso para oficiais generais angolanos sobre o desenvolvimento da segurança em África e outros cursos para efectivos da Força Aérea Nacional, no domínio de planificação.
Géry Mangez disse ainda que a França está aberta para estender a cooperação militar noutras áreas, dependendo da parte angolana a definição das suas necessidades. Defende, no entanto, ser preciso fortalecer as capacidades militares para conter as ameaças. Para a França, sublinhou, a principal ameaça é o terrorismo na zona do Sahara.
“A cooperação entre a França e Angola, bem como África no geral, é para resolver os problemas que se vive em conjunto e não apenas devido aos interesses franceses”, esclareceu o diplomata militar francês, admitindo que as duas partes têm interesses comuns.
A última vez que Angola e a França realizaram exercícios militares conjuntos no mar foi em 1993.

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