Política

Garantidos recursos financeiros para porto de águas profundas

O Fundo Soberano de Angola confirmou ontem um investimento de 180 milhões de dólares num porto de águas profundas no país que se prevê criar mais de 20 mil empregos e agregar mais valores conducentes ao desenvolvimento nacional. 

José Filomeno dos Santos
Fotografia: Jaimagens | Edições Novembro

O compromisso é realizado pelo fundo de private equity para infra-estruturas, que foi capitalizado com 1,1 mil milhões de dólares pelo Fundo Soberano de Angola.  Os investimentos no sector industrial e nas infra-estruturas de apoio ao comércio na região subsaariana têm apresentado elevados índices de lucro e resistência aos riscos associados aos países no nosso continente, de acordo com José Filomeno dos Santos, PCA do Fundo Soberano de Angola.
“Alocar capitais às infra-estruturas marítimas e de apoio logístico e industrial em Angola permite diversificar outros investimentos nos mercados financeiros internacionais presentes na carteira do Fundo Soberano de Angola”, disse. O investimento em questão criará o primeiro porto de águas profundas em Angola e será desenvolvido em duas fases. A primeira consiste num terminal de 630 metros de comprimento, ligado à costa através de uma ponte de dois quilómetros de comprimento. O canal de acesso terá 15 metros de profundidade e o terminal beneficiará de uma profundidade de 14 metros. Esta infra-estrutura inclui um estaleiro naval moderno, um porto seco, uma zona industrial e outra franca. 
O Fundo Soberano de Angola apresentou igualmente o estado da sua carteira de investimento do segundo e terceiro trimestre do ano 2016, que abrange o período de 1 de Abril a 30 de Setembro de 2016. No fim deste período, os activos estão avaliados em 4,755 mil milhões de dólares.
Os Títulos e Valores Mobiliários vão somar 1,833 mil milhões de dólares, os Activos de Renda estão avaliados em 1,179 mil milhões, representando 64,3 por cento da carteira de investimentos líquidos. Igualmente, 16,4 por cento do capital de 1,1 mil milhões de dólares do Fundo de Private Equity para Infra-estruturas estão dedicados a um projecto de infra-estrutura marítima e de apoio logístico e industrial.  Num comunicado, o Fundo Soberano de Angola esclarece que 14,8 por cento do capital de 220 milhões de dólares do Fundo de Private Equity para Silvicultura estão investidos num polígono florestal de larga escala, ao passo que 7,3 por cento do capital de 250 milhões do Fundo de Private Equity para Agricultura são dedicados a sete fazendas de larga escala, com uma área total equivalente a 72 mil campos de futebol.
O comunicado esclarece que os 32,5 milhões investidos num polígono florestal destinado à produção sustentável de madeira, consistem numa concessão de 80 mil hectares. Este investimento visa alcançar ganhos elevados de cariz económico e também social já em 2017. A sua implementação tem promovido práticas sustentáveis de exploração da madeira e proporcionado programas de desenvolvimento de habilidades para a comunidade local, que levará a enormes benefícios comunitários através da prestação de segurança no trabalho e actividade económica para a região.
Além disso, 18,2 milhões de dólares são dedicados aos sete projectos agrícolas, localizados em Angola. O investimento público nas infra-estruturas agrícolas do país é dos que mais cresceram, durante a última década, no continente. Prevê-se que os rendimentos futuros deste ramo possam ser reforçados por uma gestão de cariz comercial e aplicação de técnicas mais eficientes de produção a médio prazo. O fomento da agricultura é indispensável para a segurança alimentar de África, para o comércio intra-continental e para a criação de fontes sustentáveis de rendimento para as nações, baseadas nos mercados internacionais de matérias-primas e no agro-negócio.   “Temos vindo a materializar o propósito do fundo soberano de investir em sectores estratégicos para o desenvolvimento nacional, através dos sete fundos de private equity que constituímos de 2014 a 2015” disse José Filomeno dos Santos, sublinhando que as alocações permitem preservar o capital do Fundo Soberano de Angola.

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