Política

Georges Rebelo Chikoti está na Guiné Equatorial

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, é recebido hoje, em Malabo, pelo Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, quase três semanas após um períplo a alguns pasíses da região incluindo aquele Estado africano.

Chefe da diplomacia angolana é recebido pelo Presidente Teodoro Obiang Nguema três semanas após o último encontro em Malabo
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Georges Chikoti vai permanecer 24 horas em Malabo, período para consultas com as autoridades locais sobre os mais variados aspectos, incluindo a situação na região. Ontem, antes de deixar Luanda Georges Chikoti não prestou declarações no aeroporto Internacional 4 de Fevereiro. No mês passado, num périplo para concertar iniciativas conjuntas sobre a situação na Região dos Grandes Lagos, com destaque para a República Democrática do Congo (RDC), o ministro Georges Chikoti entregou, em Malabo, uma mensagem do Presidente José Eduardo dos Santos ao Chefe de Estado da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema.  
Na mesma deslocação, Georges Chikoti entregou mensagens do Chefe de Estado angolano e presidente em exercício da Conferência Internacional dos Grandes Lagos, José Eduardo dos Santos, ao homólogo chadiano, Idriss Deby, que também dirige a União Africana, e a Dennis Sassou Nguesso, Chefe de Estado da República do Congo, antes de tratar com o ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Jean Claude Ngakosso, questões de interesse geopolítico entre os dois países e a situação na República Centro Africana.  
Angola assume a presidência rotativa da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos e o seu Mecanismo Regional de Supervisão do Acordo-quadro para a paz, segurança e cooperação na República Democrática do Congo e na região.
A deslocação do chefe da diplomacia angolana realiza-se dias após o Governo e a oposição da República Democrática do Congo assinarem um acordo para dirigir, conjuntamente, o país durante a transição entre o fim do mandato do Presidente Joseph Kabila e a eleição do seu sucessor.
Após mais de treze horas de negociações, as partes fecharam o acordo com a mediação dos bispos. O documento autoriza o Presidente Joseph Kabila a manter-se à frente do país até ao final de 2017, em troca da criação de um Conselho Nacional de Transição, presidido por Etienne Tshisekedi, e da nomeação de um primeiro-ministro oriundo da sua coligação.
Outro destaque do périplo realizado em Dezembro foi a participação de Georges Chikoti na conferência sobre paz e segurança em África, realizado em Oran, Argélia. Antes, já tinha participado numa cimeira extraordinária, em Libreville, Gabão, que dedicou uma especial atenção à situação na RCA, questões de segurança e terrorismo na região e o processo do Burundi, além de apreciar a evolução da CEEAC.
Angola e a Guiné Equatorial têm excelentes relações de cooperação no quadro bilateral e a nível das organizações internacionais que integram, como a Comissão do Golfo da Guiné, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, União Africana e a Organização das Nações Unidas.
Entre as áreas de cooperação, estão os domínios da segurança e apoio institucional, uma vez que a Guiné Equatorial se tornou, recentemente, membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e conta com a ajuda de países irmãos, como Angola. Existe ainda acordo nos sectores das pescas e da educação, intercâmbio entre a Universidade Agostinho Neto e da Guiné Equatorial e está desenhado um novo marco para o ensino da língua portuguesa.

Diplomacia actuante


O ministro das Relações Exteriores garantiu recentemente, em Luanda, que Angola vai continuar a desenvolver uma diplomacia “activa e construtiva” no plano bilateral e multilateral, com vista ao fortalecimento das relações de amizade e de cooperação com os diferentes Estados. Georges Chikoti disse que a promoção da diplomacia angolana também tem como meta o estabelecimento de parcerias produtivas com vantagens recíprocas. Num encontro com diplomatas e funcionários do Ministério das Relações Exteriores, o ministro garantiu a disponibilidade de Angola continuar a contribuir para o crescimento  da União Africana, promovendo entre os Estados-membros uma abordagem pragmática dos ideais dos países fundadores, baseados na coesão, unidade, amizade e solidariedade.
O ministro reafirmou  a determinação de Angola continuar a promover uma maior cooperação e  concertação entre os Estados, incluindo a paz e a segurança em várias regiões do globo, para o desenvolvimento e o bem-estar dos cidadãos. O chefe da diplomacia angolana, garantiu que Angola vai continuar a participar  activamente nas iniciativas globais que visam preservar a paz, no âmbito das organizações  sub-regionais, da União Africana e das Nações Unidas.

Promoção da paz


A política externa angolana foi sempre norteada pelos princípios de autodeterminação dos povos e de não ingerência nos assuntos internos de outros Estados, na igualdade de direitos e solidariedade entre os povos, recordou o ministro Chikoti, para quem estes pressupostos constituem a base essencial para o aprofundamento das relações bilaterais.
Georges Chikoti apontou o Burundi, a República Centro Africana, o Congo  Democrático  e o Sudão do Sul como alguns países instáveis no continente africano, do ponto de vista político e militar. “Esses conflitos põem em causa a integridade territorial e a soberania  dos respectivos países, bem como o desenvolvimento político, económico, social e o processo de integração das diversas organizações sub-regionais”, afirmou.
O chefe da diplomacia angolana garantiu que as autoridades angolanas tudo fazem para a promoção e preservação da segurança internacional, em particular em África, com destaque para as Repúblicas Centro Africana, Democrática do Congo e Sudão do Sul, com vista ao progresso do continente africano.
Georges Chikoti assegurou que Angola vai continuar a empenhar-se ainda mais na Conferência Internacional  sobre a Região dos Grandes Lagos e a prestar o seu contributo na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, onde assume a  vice-presidência da troika deste órgão nas áreas de política, defesa e segurança. Garantiu ainda um maior contributo para a crescente afirmação e visibilidade da Comissão do Golfo da Guiné e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
No caso particular da República Democrática do Congo, o ministro condenou os actos recorrentes de violência, tendo solicitado aos políticos e membros da sociedade civil congoleses para fazerem de tudo para a preservação da paz e da estabilidade.

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