Política

Governo recomenda controlo dos refugiados

Isidoro Samutula| Dundo

O secretário de Estado da Acção Social, Lúcio do Amaral, mostrou-se preocupado com o elevado número de refugiados que ainda se encontra nas comunidades, sem o devido controlo, que, segundo o ACNUR, totalizam 3.067.

Um grupo de 130 refugiados deve regressar hoje à RDC
Fotografia: Isidoro Samutula | Edições Novembro

Lúcio do Amaral, que efectuou uma visita de dois dias à Lunda-Norte, para se inteirar da retomada do processo de repatriamento vo-luntário, disse que o número pode não ser real, razão pela qual pediu ao ACNUR e às autoridades da província para trabalharem em conjunto, de modo a aferir a existência ou não destes refugiados nas comunidades. 

Não obstante isso, Lúcio do Amaral saudou o reinício do repatriamento voluntário organizado dos refugiados da República Democrática do Congo, suspenso em De-zembro , devido às más condições das estradas para os postos fronteiriços do Txicolondo e Nachiri.
O secretário de Estado disse ser preocupação do Governo acompanhar todo o processo, para que decorra dentro dos acordos entre as partes (An-gola, RDC e ACNUR).
Pela constatação feita no assentamento do Lóvua e informações recebidas do ACNUR durante o encontro técnico, Lúcio do Amaral disse estarem criadas as condições necessárias para continuar o repatriamento voluntário organizado.
Mas disse esperar que não haja mais interrupções que possam atrasar o processo, de modo a facilitar o regresso dos refugiados às zonas de origem.
A incerteza que muitos refugiados apresentam quanto ao regresso, acrescentou, também pode contribuir para o atraso do processo, porque muitos deles que,no princípio, manifestam vontade de re-gressar, depois mudam de ideias, informando que querem continuar no assentamento do Lóvua.
Quando os refugiados to-mam essa posição, disse, ninguém os pode obrigar a regressar.
Segundo Lúcio do Amaral, a única preocupação é o mau estado das vias de acesso aos postos fronteiriços do Txicolondo e Nachiri devido às chuvas que caem constantemente na região, aguardando por uma intervenção da parte das autoridades locais.
Essa situação leva o ACNUR a não programar, por enquan-to, uma coluna para o posto fronteiriço do Nachiri.
Até ao momento, foram repatriados 2.720 refugiados através dos postos Fronteiriços do Txicolondo, Nachiri e Kamako.
O último comboio de refugiados foi no dia 10 de Fevereiro deste ano, com 130 ci-
dadãos para o posto fronteiriço do Txicolondo, e o próximo está previsto para hoje, segun-da-feira, com 193 cidadãos congoleses, também para o mesmo posto.
Para a primeira coluna, com destino à localidade do Kalamba Mbuji, na provín-cia do Kassai Central, foram mobilizados três camiões e garantido abrigo, assistência médica e toda a logística necessária.
O chefe do escritório de campo do ACNUR, Chrispus Tebid, garantiu que o processo de repatriamento vo-luntário organizado vai continuar com os refugiados que manifestarem vontade de regressar.
Informou que actualmente estão controlados 9.434 refugiados, dos quais 6.367 no assentamento do Lóvua e 3.067 nas comunidades.
Chrispus Tebid disse que, pela sondagem realizada, existem cerca de quatro mil refugiados que pretendem permanecer em Angola e mais de mil manifestaram vontade de regressar ao país de origem.
O chefe do escritório do ACNUR disse que se aguarda pela melhoria da via de acesso para o posto fronteiriço do Nachiri, para se poder retomar, nos próximos dias, o repatriamento voluntário organizado dos refugiados originários da localidade do Mungamba, na província do Kassai.

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