Política

Governo português desmente declarações de Ana Gomes

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal desmentiu ontem “em absoluto” que as autoridades políticas tenham exercido pressão política para que a justiça decidisse enviar o processo do ex-Vice-Presidente Manuel Vicente para Luanda, como afirmou a eurodeputada socialista Ana Gomes.

Chefe da diplomacia portuguesa critica eurodeputada socialista
Fotografia: DR

“No que me diz respeito, se a alegação de que houve pressão política quisesse dizer pressão das autoridades políticas portuguesas, eu desminto em absoluto”, afirmou aos jornalistas Augusto Santos Silva, à margem da abertura da conferência “Europe as a Global Actor”, no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa.
O chefe da diplomacia portuguesa disse conhecer “muito bem o processo”.
“Como aliás é público e notório, se houve comportamento das autoridades políticas portuguesas, foi de inteiro respeito pelo processo judicial e pelas decisões judiciais”, salientou.
Em entrevista à rádio TSF, a eurodeputada do Partido Socialista (PS) Ana Gomes afirmou que a transferência do processo de Manuel Vicente para Luanda – que era exigi-da pelas autoridades angolanas e que o Governo por-
tuguês classificava como “o único irritante” nas relações bilaterais – “foi fabricada”.
Ana Gomes considerou que a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa de remeter o processo para Angola foi uma “decisão fabricada à medida do que é conveniente e com o objectivo de fazer desaparecer o irritante”.
Na mesma entrevista, a eurodeputada socialista considerou que Portugal “continua a ser uma lavandaria de Angola, num es-quema de branqueamento de capitais”.
Uma expressão que, comentou Santos Silva, “só responsabiliza” Ana Gomes.
“Apenas lamento que esta tentação que às vezes se tem de se procurar ar-vorar em justiceiro pode levar a níveis de irresponsabilidade política que me continuam a surpreender”, disse.
Questionado sobre se estas declarações podem prejudicar a visita do Primeiro-Ministro português, António Costa, a Angola, que está a ser preparada, Santos Silva recusou.
“Quem fala com Angola em nome de Portugal é o Presidente da República, o Governo, quem conduz a política externa é o Governo, são as minhas palavras que contam”, disse.
Portugal e Angola “estão a trabalhar” na deslocação oficial de Costa a Luanda, que estava suspensa devido ao impasse sobre o processo de Manuel Vicente, disse ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros português, que se escusou a revelar se já há data para essa visita.
O ex-Vice-Presidente Manuel é acusado de ter corrompido o ex-procurador português Orlando Figueira, no processo Operação Fizz, com o pagamento de 760 mil euros, para o arquivamento de dois inquéritos, um deles o caso Portmill.

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