Política

Governo realça bravura dos heróis de Cassanje

Venâncio Victor | Malanje

Os acontecimentos de 4 de Janeiro de 1961, na vasta região da Baixa de Cassanje, em Malanje, é dos maiores actos de repressão e barbaridade perpetuado pelo regime colonial português contra o povo angolano e que a história jamais apagará da sua memória colectiva, considerou ontem, no município do Quela, o ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria.

Camponeses massacrados pelo exército colonial na Baixa de Cassanje foram homenageados
Fotografia: EDUARDO CUNHA |Edições Novembro| MALANJE

João Ernesto dos Santos “Liberdade”, que discursava no acto central das celebrações do 58º aniversário do Massacre da Baixa de Cassanje, assinalado ontem, disse que a partir daquela altura, os naturais daquela região passaram a ter uma vida muito difícil, caracterizada por movimentos limitados e controlados, constituindo a mão-de-obra barata e pagadora de impostos.
As vítimas do massacre, lembrou, foram submetidas ao arbítrio das autoridades coloniais e sujeitas a julgamentos sumários, que apesar da brutalidade e ameaças das autoridades coloniais no sentido de remover a atitude dos camponeses, estes não se renderam porque o sentimento de revolta foi crescendo, alastrando-se até atingir quase toda a vasta região de Cassanje.
Não tendo como parar a crescente onda de insatisfação e revolta dos camponeses, acrescentou, as autoridades coloniais portuguesas não encontraram solução, senão mobilizar o Exército e a Força Aérea, apoiada por aviões de guerra que carregados de bombas Napalm descarregaram a sua fúria, bombardeando milhares de homens, mulheres e crianças daquela região da província de Malanje.
João Ernesto dos Santos realçou que os milhares de corajosos camponeses massacrados despertaram vários compatriotas e ganharam a auto confiança e o sentido de revolta e resistência contra a humilhação colonial portuguesa.
“Perante tamanha humilhação e exploração a que estavam submetidos, os camponeses da Baixa de Cassanje tomaram consciência e num gesto de coragem e determinação revoltaram-se,  prenderam e amarraram os cipaios e capatazes da então Companhia Luso Belga da Cotonang, declarando que estavam dispostos a atacar quem os obrigasse a trabalhar nos campos de algodão”, sublinhou.
O ministro disse que foi com o sangue derramado por aqueles destemidos camponeses que os angolanos tomaram a consciência e assumiram a determinação e a vontade de lutar pela sua dignidade. João Ernesto dos Santos referiu que aquela conjuntura difícil e inesquecível influenciou de certo modo para que os angolanos partissem, de uma vez por todas, para a Luta de Libertação Nacional, a 4 de Fevereiro de 1961.
Para o ministro Liberdade, momentos como estes proporcionam um espaço privilegiado de um verdadeiro reencontro de distintas gerações de angolanos com a história do país. Por isso, frisou que acontecimentos como os de 4 de Janeiro de 1961 devem servir de referência comum ao longo percurso trilhado pelo povo angolano até à conquista da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.

  MPLA expressa reconhecimento

O Bureau Político do MPLA considera que o melhor tributo a ser dado pela sociedade angolana, particularmente pelas novas gerações, às milhares de vítimas da Baixa de Cassanje, é o de fazer florescer os ricos campos do país, cujos cidadãos e família são o seu primeiro e mais importante activo.
Numa declaração por ocasião do Dia dos Mártires da Repressão Colonial, o órgão de cúpula do partido maioritário expressa o seu “renovado reconhecimento ao povo angolano, heróico e generoso, que continua a manter acesa a chama gloriosa da Independência Nacional de Angola”.  
Para o MPLA, as políticas económicas não fazem qualquer sentido se não contribuírem para o aumento do bem-estar e da melhoria da qualidade de vida do povo angolano. Acrescenta que o desenvolvimento integral estará sempre no centro das atenções do Executivo, numa aposta assente em mais oportunidades para os jovens, na protecção e valorização do papel dos idosos e das crianças e na promoção das famílias, como pilar da Nação.
“O MPLA defende a contínua aplicação das políticas de apoio às famílias, dando prioridade àquelas em situação de pobreza extrema, ao combate à violência doméstica e à protecção dos grupos mais vulneráveis, nomeadamente, as crianças, os idosos, os deficientes e os desempregados, intensificando o empreendedorismo, para a participação qualificada dos seus sujeitos no desenvolvimento”, refere.
 

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