Política

Grande estudo ambiental nos rios Cuito e Cubango

Carlos Paulino | Cuito Cuanavale

A ministra do Ambiente, Fátima Jardim, assinou na semana passada, no Cuito Cuanavale, província do Cuando Cubango, um memorando de entendimento com a “National Geographic” para a realização de investigação sobre a biodiversidade ao longo dos rios Cuito e Cubango.

Organização ''National Geographição'' desenvolveu o mesmo trabalho nas regiões do Botswana e do Zimbabawe que fazem parte do Projecto Okavango Zambeze
Fotografia: Reuters

Com uma vigência de três meses de investigação, na primeira fase, o memorando prevê uma expedição numa área de cerca de 450 quilómetros desde a nascente do rio Cuito, na província do Bié, até à confluente do Cubango, na fronteira com a Namíbia.
O projecto prevê o estudo de espécies aquáticas dos rios Cuito e Cubango para a promoção do ecoturismo no quadro do Projecto Transfronteiriço de Conservação Ambiental Okavango Zambeze (KAZA), que integra igualmente o Botswana, a Namíbia, a Zâmbia e o Zimbabwe.
No final da pesquisa vai ser produzido um filme e editado um livro sobre a biodiversidade ao longo dos rios Cuito e Cubango.  A ministra Fátima Jardim afirmou que a expedição vai dar um maior impulso ao projecto Okavango Zambeze, que constitui a maior área de conservação do Mundo, devido à sua riqueza em água e todos os outros ecossistemas. “Urge a necessidade de envidarmos esforços para que este projecto regional sirva de exemplo para o Mundo”, disse a ministra.
Fátima Jardim defendeu o apoio das instituições internacionais para o desenvolvimento do Projecto Okavango Zambeze do lado angolano e manifestou a abertura das autoridades à cooperação em projectos que permitam um melhor conhecimento e a preservação da biodiversidade nacional.

Condições criadas

O responsável da equipa de expedição da rede “National Geographic”, Steve Boyes, garantiu que estão criadas todas as condições para a expedição da biodiversidade nos rios Cuito e Cubango, que, sublinhou, são bastante ricas em espécies animais aquáticas e com uma água cristalina. Para o êxito da actividade, estão envolvidos 45 técnicos que trabalham no terreno há  três semanas, entre cientistas, biólogos, professores e estudantes da Universidade de Pretória, na África do Sul, cineastas, fotógrafos e sapadores da operadora de desminagem The Hallo Trust.
Steve Boyes reconheceu que o Cuando Cubango tem uma “biodiversidade invejável”, caracterizada por muitas espécies de animais e árvores que deve ser revelada.
A “National Geographic”, segundo Steve Boyes, já realizou estudos científicos do género na Namíbia e Botswana, sobretudo no Delta do Okavango, que tem uma área protegida de 18 mil quilómetros quadrados. O director nacional da biodiversidade de Angola, Joaquim Manuel, disse que a expedição vai permitir o aproveitamento dos dados científicos para futuros estudos, sobretudo para trabalhos de licenciaturas dos estudantes das Universidades Cuito Cuanavale e Agostinho Neto.
O projecto é fiscalizado por uma comissão, coordenada pela ministra do Ambiente, que integra peritos em biodiversidade, técnicos do Pólo de Desenvolvimento Turístico do Município do Dirico, da Reitoria da Universidade do Cuito Cuanavale e da Associação de Ecologistas e Biólogos de Angola, entre outras organizações.

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