Política

IGAE recebe duas mil chamadas diariamente

Edivaldo Cristóvão

A linha telefónica de denúncias da Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) recebe duas mil chamadas por dia, ao contrário das 20 que recebia anteriormente. A informação foi avançada, ontem, em Luanda, pelo inspector-geral Sebastião Domingos Gunza.

Sebastião Gunza informou que a maioria das denúncias são de pequena corrupção
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

O inspector-geral da Administração do Estado falava no encerramento de um ciclo de formação avançada para alta liderança sobre “Integridade institucional”, dirigida a ministros, governadores provinciais, secretários do Presidente da Republica, secretários de Es-tado e presidentes de conselhos de administração de empresas públicas e privadas, realizado pela Escola Nacional de Políticas Públicas (ENAPP).

Sebastião Gunza disse que a maior parte das denúncias são feitas para pequenos casos de corrupção, como irregularidades nos serviços da Ad-ministração Pública, nomea-
damente extorsão. “O aumento do número de denúncias pelo nosso “call center” tem permitido que em tempo útil e oportuno consigamos impedir que certos actos venham a ser cometidos”, realçou.
As denúncias da IGAE são feitas por via telefónica e electrónica. Os terminais telefónicos são 222328140 e 222321250, enquanto os correios electrónicos são denuncia@igai.gov.ao e www.igai.gov.ao.
Sebastião Gunza enalteceu a formação realizada na ENAPP, considerando que a mesma se inseriu nos desafios da modernização da Administração Pública sobre a integridade institucional. A acção formativa contou com a participação de vários prelectores com formação altamente qualificada, entre os quais brasileiros, portugueses, moçambicanos e angolanos.
Entre os prelectores, destaque para o vice-procurador-geral da República, Mota Liz, o procurador-geral adjunto da República de Moçambique, Taibo Mucobora, a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Almada, e a professora universitária brasileira Anne Cabral.
Com a formação, considerou o inspector-geral, a IGAE está com mais instrumentos para actuar na Administração Pública. "Esta for- />mação vem colocar em prática o programa do Governo sobre combate à corrupção e aos males, que começa nas instituições públicas", disse Sebastião Ngunza.
Por seu turno, a ministra das Pescas e do Mar, Maria Antonieta Baptista, considerou a formação oportuna e que chegou no momento certo, face o compromisso que Angola assumiu de combate à corrupção.
“A experiência trocada com outros países foi importante, porque nos possibilita fazer os devidos ajustes de acordo com a nossa realidade. A percepção da corrupção é internacional, mas o que importa é nos adequarmos aos modelos da globalização, tendo em conta aquilo que precisamos”, considerou Antonieta Baptista, para quem o combate à corrupção é uma tarefa dos cidadãos, razão pela qual todos devem estar envolvidos.
O governador provincial de Benguela, Rui Falcão, também considerou a formação positiva, porque foi uma "oportunidade impar" que serviu para discutir muitas questões que têm a ver com o erário e a própria administração.
"Os participantes saíram da formação enriquecidos, não apenas pelo conteúdo, mas também pela partilha de experiências com outros países. Foi útil para todos", disse Rui Falcão.
A ENAPP realizou, durante dois dias, um ciclo de formação que visou capacitar os participantes em matérias relacionadas com o compliance, ética e boa governação, com vista a adoptar as melhores práticas de gestão e a melhoria do de-sempenho das instituições.
A ENAPP tem prevista, para as próximas edições, duas formações em que serão abordados temas como a cibersegurança, protecção do conhecimento de dados, risco e controlo financeiro, gestão dos recursos não renováveis e desenvolvimento sustentável.

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