Política

Instituto propõe debate sobre o papel da Igreja

Adelina Inácio

O director do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), Francisco de Castro Maria, defendeu ontem, em Luanda, a promoção de um debate teológico entre as instituições do Estado, investidores e líderes religiosos sobre o contributo da religião nas soluções dos problemas do país, sobretudo no que diz respeito à paz e ao desenvolvimento sustentável.

Francisco Castro Maria director do INAR apresentou proposta
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Francisco de Castro Maria, que falava na abertura do 1º Fórum Inter-Religioso para a Paz e Desenvolvimento Sustentável, adiantou que a ideia é aproximar mais as instituições do Estado às outras forças da sociedade no desejo de ver solucionado os problemas das confissões e organizações religiosas e os da população. 

O director do INAR defende a realização de um debate conjunto entre as igrejas e a sociedade para estabelecer estratégias e procedimentos de aplicação dos pressupostos para o desenvolvimento sustentável, com vista à manutenção da paz.
“Os debates actuais sobre a paz e a segurança dos Estados e a sua relação com a fé têm um impacto para a tranquilidade, harmonia, o bem-estar e segurança dos cidadãos”, considerou Francisco de Castro Maria, tendo acrescentado que a Igreja é chamada a promover estes valores associados à paz.
Francisco de Castro Maria explicou que este primeiro Fórum Inter-religioso para a Paz e Desenvolvimento Sustentável resulta da útil parceria social entre o Estado e as confissões e organizações religiosas. Segundo Francisco de Castro Maria, o fórum é a base e o centro de diálogo vocacionado para tratar as várias metérias que envolvem o fenómeno religioso em Angola. O encontro visa, ainda, disse Francisco de Castro Maria, a edificação de uma plataforma de diálogo e de reflexões em torno dos principais anseios e preocupações da população, incidindo sobre a nova configuração do exercício da liberdade de religião e de culto no país, tendo em consideração a promoção de instituições religiosas eficazes, sólidas, responsáveis e comprometidas com paz, justiça e bem-estar dos seus membros e de toda a comunidade.
O director do INAR lembrou que as recomendações da ONU sobre o desenvolvimento sustentável a serem atingidos pelos países membros até 2030, bem como na Agenda 2063 da União Africana, declaram indispensável a criação de alianças em torno da estabilidade dos povos, considerando a religião como um veículo estratégico para a sua consolidação.
No evento, encerrado ontem, foram debatidos temas como “O papel da Igreja nas estratégias de construção da paz e do desenvolvimento sustentável em Angola”, “A Igreja como reserva moral da Nação na promoção da paz e reconciliação entre os angolanos”, “Estratégias de pacificação do país, à luz dos instrumentos jurídicos aprovados e o quadro actual de algumas confissões religiosas”, “Procedimentos e desafios das associações e confissões religiosas reconhecidas no exercício da liberdade religiosa e de culto e no fortalecimento da parceria com as instituições do Estado” e a “Coexistência entre religiões na construção de uma cultura de paz, harmonia e desenvolvimento sustentável”.

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