Política

Isabel dos Santos realça acções do seu mandato

Bernardino Manje |

Um dia após a sua exoneração da presidência do Conselho de Administração da Sonangol, Isabel dos Santos divulgou na quinta-feira uma nota de imprensa em que se refere à “situação de pré-falência” em que encontrou a empresa, em Junho do ano passado, e aos resultados obtidos durante o seu mandato de quase um ano e meio.

Isabel dos Santos fez um balanço positivo dos cerca de ano e meio que fez à frente da petrolífera nacional
Fotografia: Paulo Mulaza|Edições Novembro

“Pagámos os ‘cash calls’ (pedidos de fundos) na sua totalidade, reduzimos a dívida financeira de 13 mil milhões de dólares para sete mil milhões de dólares, aumentámos as receitas de 14,8 mil milhões de dólares em 2016 para 15,6 mil milhões de dólares em 2017, identificámos 400 iniciativas de redução de custos, no valor de 1,4 mil milhões de dólares, dos quais 380 milhões já foram efectivados, estando já em curso iniciativas que irão permitir uma poupança de 784 milhões de dólares”, lê-se na nota, que rapidamente espalhou-se nas redes sociais.
Isabel dos Santos refere-se ainda a um aumento da produção na refinaria de Luanda de 50 mil para 60 mil barris e a produção de todo o “jet fuel” (combustível para aviões) necessário para Angola, tendo sublinhado inclusive que já se exporta algum excedente. “Reduzimos o custo do barril de 15 para sete dólares, continuámos a apostar na produção de petróleo em 2016 e em 2017 investimos 5,6 mil milhões de dólares, sendo a sua maioria no ‘upstream’, por forma a garantir a sustentabilidade das reservas e da produção de petróleo futura; pusemos a fábrica ALNG a funcionar”, referiu.
Entre as várias realizações, Isabel dos Santos destacou ainda o aumento da produção do gás em 238 por cento, o que permitiu que o país produzisse todo o gás butano que precisa. “Exportamos gás pela primeira vez”, sublinhou a antiga PCA da Sonangol, que realça o facto de, na sua gestão, não ter despedido nenhum trabalhador e, pelo contrário, terem sido promovidos 400 quadros angolanos. “Iniciámos a geração de energia eléctrica usando gás produzido em Angola; em 2015 a P&P (Sonangol Pesquisa e Produção) tinha um resultado operacional negativo de 859 milhões de dólares, reduzimos a perda para 256 milhões de dólares em 2016 e, em 2017, haverá um resultado operacional positivo de 100 milhões de dólares”, escreveu Isabel dos Santos, que sublinhou o facto de existir, desde Junho do ano em curso, uma dívida de três mil milhões de dólares de empresas estatais para com a Sonangol.
Isabel dos Santos informa ainda que a sua administração deixou à nova, como instrumento essencial para a gestão, um financiamento no valor de dois mil milhões de dólares, com assinatura prevista para os próximos dias. Este valor, diz, vai garantir o pagamento de todos os “cash calls” relativos a 2017, permitindo assim à Sonangol chegar ao final do ano sem dívidas para com os seus parceiros.
Se o Presidente da República, João Lourenço, considera a Sonangol “a galinha dos ovos dourados” da economia nacional, Isabel dos Santos tem-na como “a coluna vertebral da economia nacional e o garante do futuro dos nossos filhos”. Por isso, diz sentir-se “privilegiada por ter contribuído para a reforma e melhorias desta grande empresa”.
Na nota, Isabel dos Santos diz igualmente sentir-se honrada por ter liderado “uma equipa com notável qualidade profissional e ética inquestionável”, tendo agradecido ao Executivo angolano por ter confiado no seu Conselho de Administração.A empresária congratula-se com o novo Executivo, liderado por João Lourenço, “pelo desejo de progresso, transparência e eficácia na gestão do bem público”, sublinhando que os mesmos valores mantêm-se no centro da cultura empresarial que a administração cessante implementou na Sonangol, garantindo assim o futuro da empresa. Isabel dos Santos conclui a nota desejando “melhor sucesso” ao novo Conselho de Administração, liderado por Carlos Saturnino.

Relatório-diagnóstico
A exoneração de Isabel dos Santos ocorreu depois de um diagnóstico ao sector dos Petróleos mandado solicitado pelo Presidente da República, João Lourenço.
Após trinta dias de trabalho, o grupo técnico conluiu existir uma quase paralisia da indústria petrolífera, em resultado de processos de gestão extremamente burocratizadas e ineficientes, por parte da SONANGOL.    O relatório descreve um conjunto de constrangimentos e práticas que prejudicaram, de modo assinalável, as operações do sector petrolífero, o mais penoso de todos eles o facto de a extrema burocracia imputada à gestão da SONANGOL ter elevado à cifra de cinco mil milhões de dólares os processos que esperam aprovação na concessionária nacional. O grupo referiu que se deparou com uma “concessionária nacional sem liderança e sem estratégia para desenvolver o papel de impulsionadora da indústria petrolífera”.

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