Política

João Lourenço contra a pobreza

Josina de Carvalho e Adalberto Ceita |

O candidato do MPLA a Presidente da República, João Lourenço, defendeu ontem, no Zango, a rápida expansão da classe média em Angola e afirmou que uma das suas batalhas vai ser combater a pobreza extrema no país.

Cabeça-de-lista do MPLA às eleições gerais de Agosto próximo pediu o voto dos angolanos para alargar a classe média e reduzir a pobreza em Angola
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

João Lourenço quer equilíbrio entre ricos e pobres, razão pela qual prometeu, depois da sua vitória nas eleições, trabalhar para ampliar ao máximo a classe média, fazendo com que muitos dos que hoje estão na condição de pobres, integrem a classe média em alguns anos. “Se conseguirmos que parte da população da classe média represente uma percentagem acima dos 60 por cento, obviamente estaremos a fazer um bom trabalho”, frisou, para acrescentar: “O conflito aumentou a pobreza, mas nós estamos dispostos a esquecer o passado, trabalhar e lutar para combatê-la”.
João Lourenço discursava ontem no Campo do Zango 3, no acto político de massas do partido para a sua apresentação aos militantes, amigos e simpatizantes do município de Viana. O candidato do MPLA a Presidente da República explicou que a pobreza vai ser combatida com um conjunto de acções do Governo, instituições privadas, Organizações Não Governamentais (ONG), igrejas e de todos aqueles apostados na tarefa de retirar o maior número possível de cidadãos da condição de pobreza extrema.
Ao mesmo tempo em que defendeu medidas para aumentar o rendimento das famílias,
João Lourenço disse ser importante apostar numa melhor organização da economia nacional, para que o país produza localmente os bens e serviços de que necessita.

Apoio ao empresariado

Acompanhado do secretário do Bureau Político para a Política Económica e Social, Manuel Nunes Júnior, e do primeiro-secretário do Comité Provincial de Luanda, Higino Carneiro, o candidato do MPLA a Presidente da República prometeu apoiar o sector privado para produzir bens e oferecer serviços à população, para permitir que o Estado se ocupe mais da regulação, fiscalização e elaboração de políticas de incentivo ao surgimento de mais empresas privadas.
“Queremos maior oferta de bens alimentares. Mas não vai ser o Estado a produzir, serão os privados”, esclareceu João Lourenço, incentivando ainda os empresários nacionais e estrangeiros à criação de indústrias para a transformação destes bens.
“Se queremos oferecer mais comida, medicamentos, roupa, calçado, livros escolares para as crianças e estudantes, devem ser preferencialmente os empresários nacionais e estrangeiros implantados no país a produzirem estes bens”, referiu.
João Lourenço destacou também a importância do empresariado nacional na redução da taxa de desemprego, através da abertura de mais empresas e do aumento da oferta de emprego à população, principalmente aos jovens.
“O Estado é o primeiro interessado em ver reduzida a taxa de desemprego. Por essa razão, somos obrigados a motivar o empresariado a trabalhar bem nas suas áreas de actuação, para que possam aumentar a oferta de emprego para os jovens e cidadãos em geral”, justificou.
O candidato do MPLA a Presidente da República recordou que o Estado precisa dos impostos pagos pelos empresários, para investir na construção de estruturas sociais, como escolas e hospitais, e na criação de outros serviços públicos essenciais à população.
Sem prejudicar as grandes empresas, João Lourenço disse que vai privilegiar o surgimento de micro, pequenas e médias empresas, porque podem produzir tanto ou mais do que um determinado número de grandes empresas, e empregar no seu conjunto um número elevado de cidadãos. “Se conseguíssemos fazer de cada cidadão um pequeno empresário, detentor de uma micro ou pequena empresa, seria o ideal”, disse João Lourenço.

Diplomacia económica

O candidato do MPLA a Presidente da República, caso vença as eleições, também pretende trabalhar para colocar a diplomacia angolana ao serviço da economia, incentivando os empresários estrangeiros a investirem nos mais variados sectores da economia nacional. João Lourenço disse que vai priorizar a cooperação económica com países africanos, principalmente da África Central, para que Angola tire benefícios das capacidades destes países, bem como ajudar os países da Região dos Grandes Lagos a alcançarem a paz e a estabilidade, para depois estabelecer a cooperação económica.

Aprofundar relações

Com a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), da qual Angola faz parte, João Lourenço também pretende aprofundar as relações, no sentido de tornar realidade o sonho da integração económica regional.
Além da cooperação com os países africanos, o candidato do MPLA a Presidente da República quer ainda estabelecer relações fortes e sólidas com os países motores da economia mundial, como os da América, com destaque para os Estados Unidos, Europa, Ásia e com os integrantes do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). 
“Vamos procurar aproveitar o que têm de melhor em termos de conhecimento no domínio da ciência e da tecnologia, em proveito da nossa economia”, acrescentou o candidato do MPLA a Presidente da República, defendendo ser necessário sonhar alto. João Lourenço recordou que muitos dos países que hoje têm economias fortes e sólidas, tinham há 30 ou 40 anos mais miséria que Angola. Mas, porque sonharam alto, fizeram parcerias acertadas e trabalharam muito, conseguiram virar a página da pobreza, ter um Produto Interno Bruto (PIB) elevado e uma qualidade de vida invejável.
O governo do MPLA, disse, se ganhar as eleições, vai juntar-se às vozes de outros países, sobretudo dos menos desenvolvidos, para a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com a admissão de novos membros permanentes, sobretudo da América Latina, África e Ásia.
João Lourenço disse que ao longo de décadas os países destes continentes nunca estiveram bem representados neste órgão da maior organização mundial, nem os seus interesses bem defendidos. “Queremos acabar com essa injustiça”, declarou o candidato do MPLA a Presidente da República, lembrando que essa luta já decorre.
Antes de terminar o discurso, João Lourenço apelou aos militantes, amigos e simpatizantes do MPLA à adesão ao processo de registo eleitoral, que termina dia 31.
Os militantes, amigos e simpatizantes do partido do município de Viana, que compareceram em massa ao acto político, conheceram o currículo do candidato apresentado pelo primeiro secretário do MPLA em Luanda, Higino Carneiro.

Visita ao Hospital do Zango


À margem da sua apresentação pública, ontem, aos militantes e simpatizantes do seu partido no município de Viana, o candidato do MPLA a Presidente da República visitou o Hospital Municipal do Zango e a Estação de Tratamento de Água de Calumbo.
Localizado no Zango II, o hospital está implantado numa zona em franco crescimento, ocupando uma área de 9.037 metros quadrados. Os trabalhos de construção tiveram início em Outubro de 2012, tendo sido concluída a primeira fase em Abril de 2014. A segunda fase, já em execução, tem a conclusão prevista para Junho.
Durante a sua permanência no Hospital Municipal do Zango, João Lourenço foi informado do andamento das obras, visitou as diferentes áreas de serviço e testemunhou a entrega de uma ambulância, oferta da Ango Real, bem como uma doação da Fundação Sol, composta por um conjunto de bens alimentares e material gastável.
À saída do hospital, o candidato do MPLA às eleições gerais de 2017 afirmou que está a ser feito um grande esforço para o atendimento do maior número de cidadãos residentes no Distrito Urbano do Zango, em particular, e do município de Viana no geral. No fim das obras, disse, o Zango vai ter um hospital com grande capacidade.
“No comício no Cazenga visitámos um hospital e fizemos o mesmo (aqui) no Zango. É sinal da importância que temos dado à área social, e no atendimento da população que ocorre aos serviços de saúde”, disse. João Lourenço salientou que o Executivo do MPLA vai continuar a trabalhar para oferecer melhor qualidade de vida ao cidadão angolano.
O Programa de Governo do MPLA, sufragado nas eleições gerais de 2012, no domínio da saúde, estabelece entre os principais objectivos, “garantir o acesso universal e a utilização dos serviços de saúde, baseados nos cuidados primários” e o “fortalecimento do sistema e do Serviço Nacional de Saúde, tendo o município como centro das actividades”.  
Durante a sua apresentação, na cidade do Lubango, João Lourenço manifestou, também, preocupação relativamente ao sector da saúde, tendo afirmado que “outra área, aonde nos comprometemos a prestar especial atenção é a área da saúde”. Para se trabalhar, disse, é preciso que se esteja “em perfeitas condições de saúde. O empregador não pode exigir do trabalhador se o trabalhador não estiver em condições perfeitas para realizar o seu trabalho”. O director do Hospital Municipal do Zango, Henriques Ramalho, disse ao Jornal de Angola que o atendimento aos pacientes é normal e deu como exemplo o funcionamento regular das áreas de consultas externas, banco de urgência e  maternidade. Apontou a malária e as doenças respiratórias como as mais frequentes naquele hospital. Só no ano de 2016, a unidade sanitária consultou 109 mil 510 pacientes, 54 por cento dos quais crianças. Actualmente a média de atendimento diário é de 600 pessoas.“De momento, estamos limitados, mas o hospital está projectado para atender todas as valências médicas e seus respectivos serviços”, assegurou o director do Hospital Municipal do Zango.

Mais água para Viana

Na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Calumbo, João Lourenço recebeu informações pormenorizadas sobre a distribuição do líquido à população, e fundamentalmente aos clientes residentes em Viana.
Em funcionamento desde 2014, o empreendimento tem uma capacidade de produção de 51.830 metros cúbicos de água por dia. Neste momento, produz 20 mil metros cúbicos e abastece principalmente a população dos distritos urbanos do Zango e da comuna de Calumbo.
O porta-voz da EPAL, Domingos Paciência, informou que, no quadro da implementação de redes de distribuição domiciliárias de água em Luanda, em Viana já foram executadas 99.377 ligações. O Zango, por exemplo, conta com 26.115 ligações domiciliares. Em curso está um projecto para mais 8.889 ligações, das quais 7.575 estão concluídas. Está na forja a construção de outros centros de distribuição, integrados nas políticas do Executivo, com vista a garantir maior oferta de água tratada a todos os angolanos.

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