Política

Joseph Kabila Kabange: problema ou solucão?

Altino Matos

O impasse político no Congo Democrático volta a ser analisado hoje em Kinshasa, mais uma vez, numa cimeira tripartida que junta os Chefes de Estado de Angola, João Lourenço, do Congo Brazzaville, Denis Sassou N'Guesso, e o anfitrião, Joseph Kabila, a quem recaem acusações de inviabilidade ao processo democrático por força da sua persistência em manter-se no poder.

Fotografia: AFP

O Presidente Joseph Ka-bila está na linha da frente de um confronto político com a oposição, já que atingiu proporções alarmantes, com níveis de violência preocupantes que causaram a morte de centenas de civis.
No âmbito das consultas regulares, de Estados-membros da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIGRL), os três Chefes de Estado vão analisar o actual quadro na RDC e perceber até que ponto o Presidente Joseph Kabila está em falta no seu compromisso com o povo  e de que forma é possível acalmar os ânimos e envolver as forças da oposição no processo de estabilidade.
A remarcação das eleições gerais na RDC, que passaram de  31 de Dezembro de 2017 para  23 de Dezembro deste ano, também, vai merecer a devida atenção, por ser o principal ponto que desagrada a oposição.
O Presidente Joseph Kabila faltou com a sua palavra em várias ocasiões, quando havia dado como certo a sua saída do poder, por estar impedido pela lei. Kabila usou argumentos técnicos, como a falta de condições logísticas e outras, para adiar a marcação e consequente realização das eleições, o que descarrilou o processo e deu num banho de violência, quase sem precedentes.  
A atitude de Joseph Kabila irritou, também, os representantes da Igreja Católica, que haviam influenciado os acordos de São Silvestre, assinados a 31 de Dezembro do ano passado. Kabila foi acusado de tentar eliminar limites constitucionais de mandato, o que deixa latente uma convulsão social interna com prováveis consequências para os países vizinhos.
É neste particular que os países vizinhos tentam manter as coisas sob controlo, de forma a evitar um conflito que transborde aos seus territórios. O Presidente de An-gola, João Lourenço, e do Congo Brazzaville, Denis Sassou N'Guesso, vão tentar criar as condições para o relançamento do processo político.
O representante especial do Secretário -Geral e chefe regional das Nações Unidas para África Central, François Fall, disse, em Luanda, após uma audiência concedida pelo Chefe de Estado angolano, que existem boas garantias nos aspectos relacionados com a situação política e de segurança na região.

A República do Congo Democrático tem uma população estimada entre 82 e 86 milhões de habitantes, sendo o quarto país mais populoso do continente africano, a seguir à Nigéria, à Etiópia e ao Egipto.
A RCD está numa situação difícil, com enfrentamentos nas ruas entre apoiantes do governo e da oposição, liderada por Félix Tshisekedi, filho do malogrado Etienne Tshisekedi, o carismático político que deu uma forte luta ao Presidente Joseph Kabila devido à sua permanência no poder fora do prazo previsto pela Constituição. 
A Igreja Católica na República Democrática do Congo continua, até agora, a endereçar duras críticas ao Presidente Kabila, alertando para a "brutalidade policial", durante várias missas realizadas em Kinshasa.
O cardeal de Kinshasa, Laurent Monsengwo, chegou a afirmar que estes "mártires da independência recordam as mortes de “hoje”, circunstâncias actuais,  vítimas da brutalidade policial".
Os dois dos principais opositores do Presidente Kabila, Felix Tshisekedi e Vital Kamerhe, afirmaram  que o que está acontecer no Congo “vai ajudar a fortalecer a nossa convicção de que este é o começo do fim da ditadura no nosso país”.
As forças de segurança têm dispersado várias marchas organizada pela Igreja Católica. A polícia congolesa rejeita as acusações de brutalidade, mas a igreja e a ONU confirmam o excesso nas suas acções.

PERFIL

Joseph Kabila Kabange
Presidente da República Democrática do Congo (RDC) há 15 anos

Sucedeu ao pai Laurent Desiré, vítima de atentado em Janeiro de 2001

Legitimidade
Venceu duas eleições 2006 e 2011

Mandato
Terminou em Dezembro de 2016

Novas eleições
Marcadas para Dezembro de 2018 mas a oposição rejeita com base na Constituição

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