Política

Josina Machel precisa de mais 120 médicos

Gabriel Bunga

O Hospital Josina Machel precisa, com urgência, de mais 120 médicos especialistas de várias áreas, técnicos de diagnóstico, enfermeiros e outros funcionários auxiliares da actividade médica.

Pacientes vão ter melhor atendimento com mais médicos
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Esta constatação ficou clara durante a visita que o Presidente da República, João Lourenço, realizou ontem àquela unidade hospitalar, acompanhado da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, do governador de Luanda, Sérgio Luther Rescova, e de vários auxiliares do Titular do Poder Executivo.

O Chefe de Estado percorreu as áreas de otorrinolaringologia, cardiologia, audiologia, oftalmologia, gastroenterologia, farmácia, banco de urgência, imagiologia, cirurgia pediátrica, cuidados intensivos, cirurgia cardíaca, cirurgia geral e neurocirurgia.
João Lourenço recebeu explicações dos médicos e de outros técnicos de saúde sobre o funcionamento das respectivas áreas. Dentre as dificuldades mais prementes apresentadas ao Presidente da República destacam-se a falta de técnicos de todas as áreas e de equipamentos médicos. A reabilitação daquela unidade hospitalar que existe há mais 100 anos e a compra de vários equipamentos laboratoriais hospitalares também são uma necessidade.
A médica Maria Soqui Manuel, a trabalhar no hospital desde 1997, disse que na área de cirurgia, onde está colocada, precisa-se de mais médicos, enfermeiros e pessoal de apoio para transportar doentes de um lado para o outro do hospital.
Deodeth Machado, directora-geral do Instituto Nacional de Sangue, disse que a sua área precisa de mais 200 novos funcionários, além dos 100 trabalhadores actuais.
Para o normal funcionamento, o Instituto Nacional de Sangue, que funciona no Josina Machel, necessita de 80 milhões de kwanzas por mês, ao contrário dos actuais 30 milhões, disse ainda Deodeth Machado.
A directora-geral do Hospital Josina Machel, Marquinha Venâncio, disse ser necessária a reabilitação daquele estabelecimento e a aquisição de novos equipamentos para o bloco operatório, camas, ventiladores e mesas cirúrgicas.
“Precisamos de mais 120 médicos especialistas, além dos clínicos gerais”, disse a doutora Marquinha Venâncio, realçando que os novos técnicos de saúde que entraram por via do recente concurso público não são suficientes para colmatar as dificuldades do hospital.
O Hospital Josina Machel dispõe de mais de 600 camas e recebe doentes provenientes de todo o país. Marquinha Venâncio disse que a falta de pessoal médico e técnicos de saúde tem dificultado o trabalho no Josina Machel. Aquela gestora acredita que a visita do Presidente João Lourenço devolve alguma esperança aos trabalhadores do hospital.
De resto, a falta de recursos humanos constitui o maior desafio da Central de Compras e Aprovisionamento de Medicamentos e Meios Médicos de Angola (CECOMA) e dos hospitais Geral de Luanda e Josina Machel, admitiu a ministra da Saúde.
Sílvia Lutucuta disse ter colocado esta preocupação ao Presidente da República e acredita que, a curto prazo, haverá uma solução para o enquadramento de mais quadros. Segundo a ministra, o país precisa de 66 mil enfermeiros e 30 mil médicos.
Ontem mesmo, um grupo de médicos e enfermeiros não admitidos no último concurso público de ingresso no sector da Saúde manifestou-se defronte às instalações do Ministério das Finanças, a reivindicar o seu enquadramento. Sílvia Lutucuta admitiu a possibilidade de admissão, dentro em breve, de mais quadros no sector.
A ministra Sílvia Lutucuta disse ser preciso melhorar o bloco operatório, a Unidade dos Cuidados Intensivos, a área de cirurgia cardíaca e de consulta de cardiologia do Hospital Josina Machel, que funciona desde 1883.
Contrariamente aos dias normais, ontem, durante a visita do Presidente da República, os vários compartimentos do Josina Machel estavam limpinhos e sem muita presença de pacientes. “A maioria dos pacientes recebeu alta ontem”, disse uma funcionária, que não se quis identificar. Na recepção, corredores e salas sentia-se o cheiro a perfume, num ambiente claro de recepção a um visitante presidencial. “Seria bom se essas visitas fossem feitas de surpresa”, sugeriu um outro funcionário, numa clara alusão de que, se assim fosse, o Presidente da República estaria melhor por dentro do dia-a-dia do Josina Machel.

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