Política

Jurado exclui candidatos ao concurso público no Mirex sem direito à reclamação

Centenas de candidatos ao concurso público de admissão para o preenchimento de vagas nas carreiras diplomática, técnica e administrativa da Função Pública foram afastados sem possibilidade de reclamação hierárquica nem justificação, por alegada invalidade do requerimento dirigido ao ministro das Relações Exteriores por indicação do jurado.

Fotografia: DR

Em declarações aos Jornal de Angola a maioria dos candidatos, seleccionados na primeira triagem do concurso, foi surpreendida com a notificação de invalidade do mesmo requerimento que deu entrada na primeira fase, confirmada no acto de entrega dos documentos físicos mesmo sem observações, sugestões de melhoria da referida petição.

É o caso da candidata, Eugénia Manuel, que concorreu à vaga no regime geral. Eugénia Manuel afirmou que uma amiga, que não tinha sido admitida para a apresentação física da documentação enviada online na primeira fase, recebeu estranhamente uma mensagem por telefone a ser convocada para fazer o exame escrito.

"Ela pulou de uma fase para outra, enquanto eu fui surpreendida com a notificação, depois de passar da segunda fase", disse.

Nas primeiras horas da manhã de quarta-feira, primeiro dia de exames escritos, centenas de pessoas concentraram-se à porta do Instituto de Relações Internacionais, na centralidade do Kilamba, em Luanda, para obter explicações bastantes para a não admissão aos exames escritos.

A candidata Fernanda de Fátima está em Luanda há poucas semanas a viver em parentes para não ser surpreendida pelo calendário do concurso público que estabelece prazos apertados para determinadas etapas, num concurso inicialmente anunciado para durar um ano. Fernanda de Fátima deixou, em prantos, as instalações do instituto, depois de horas a fio debaixo do Sol à espera de uma explicação sobre a não admissão ao exame escrito.

Os candidatos João Sebastião e Carlos Lourenço lamentam terem sido excluídos do concurso que os poderia dar acesso ao primeiro emprego, com alegações de invalidade do requerimento, sem especificação do erro nem possibilidade de correcção.

"Se fosse reprovado no exame, até compreenderia. Agora, por um requerimento custa entender esta reprovação. Até nos tribunais, um autor tem a possibilidade de corrigir uma petição naquilo que for indicado por um juiz", lamentou, Carlos Lourenço, que concorria à categoria de adido, para ingresso na carreira diplomática.

À porta da instituição, ânimos exaltados tiveram de ser travados pelo pessoal de segurança da instituição, em função dos gritos de protestos e revoltas de centenas de pessoas.

Os exames escritos seguem nos próximos dias, para outras categorias de acesso. A reportagem do Jornal de Angola tentou ouvir alguém afecto à instituição, sem sucesso por indisponibilidade dos funcionários confinados no interior das instalações.

 

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