Política

Kaxicane de Neto está em abandono

Edna Dala |

A viúva do primeiro Presidente de Angola, Maria Eugénia Neto, lamentou ontem o estado de abandono da aldeia de Kaxicane, onde nasceu António Agostinho Neto e os seus progenitores.

Viúva do primeiro Presidente participou numa conferência organizada pelas FAA
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

“Kaxicane está completamente abandonada e é preciso fazer todos os esforços para se recuperar, tendo em conta que é um local histórico, não só para ele (Agostinho Neto) como também dos pais, que foram grandes trabalhadores para a causa de Angola”, disse Maria Eugénia Neto, ao intervir na conferência em homenagem ao dia do Herói Nacional, destinada a oficiais generais das Forças Armadas Angolanas e corpo diplomático.
Segundo Maria Eugénia Neto, a aldeia podia servir como um “grande centro de turismo.” “Temos que fazer tudo para conservar este lugar”, salientou.
A viúva de Agostinho Neto informou que a fundação que cuida do legado do primeiro Presidente sempre se debateu sobre o assunto e tem trabalhado com a Unesco e personalidades individuais para a divulgação da história de vida de Neto para as gerações vindouras. A viúva disse ter esperança que a situação conheça um fim antes do centenário natalício de Agostinho Neto, em 2022.
Maria Eugénia Neto disse que “Neto morreu jovem e não usufruiu nada. Emocionou-me porque é o pai dos meus filhos e meu marido, porque gestos destes nem sempre se vêem para repor a sua memória e pensamentos”, salientou, a propósito da homenagem.
Na conferência, o historiador e catedrático Fernando Jaime considerou que Agostinho Neto foi um homem transversal, predestinado para liderar, e que lutou toda a sua vida para a libertação de Angola e de África.
Ao falar sobre a trajectória de Agostinho Neto enquanto poeta, médico e estadista,  o historiador  disse que “não é justo que não se conheça com profundidade a figura proeminente do primeiro Presidente angolano.”
Na conferência, presidida pelo comandante do Exército, Gouveia de Sá Miranda, Fernando Jaime recordou que Agostinho Neto, mesmo depois da sequência de encarceramentos, nunca se deixou abater e a sua trajectória é a história real dos angolanos.
O historiador abordou a vida de Neto em cinco vertentes, num enquadramento que começa desde 1922, data do seu nascimento, em Kaxicane, a 1944, altura em que termina a sua formação, no Liceu Salvador Correia, com 15 valores.
A segunda etapa vai de 1944 a 1947, período em que terminou o liceu e partiu para Coimbra (Portugal), para concluir os seus estudos, onde se formou em Medicina, em 1958, casando-se com Maria Eugénia Neto.
O historiador recordou que os pais foram as suas primeiras referências, a mãe foi sua professora até aos 8 anos e bebeu a instrução religiosa e o dom da palavra do seu pai, tendo em conta que foi um grande orador e disse que muitas vezes Neto imitava o pai.
Durante o encontro, marcado por fortes emoções da viúva, que não se conteve e derramou lágrimas, Fernando Jaime recordou que Neto era tratado pelos mais velhos como Antonico e pelos  mais novos como professor pequeno.

Prémio internacional

A Fundação Agostinho Neto outorga, no dia 17 deste mês, o Prémio Internacional de Investigação Histórica “Agostinho Neto”, no valor de 50 mil dólares e lançamento da obra premiada.
De carácter bianual, o prémio encontra-se na 2ª edição de 2017-2018. Consiste na promoção e incentivo da investigação histórica sobre Angola, Brasil e suas diásporas. É co-organizado pela Fundação Agostinho Neto, pelo Instituto Afro-brasileiro de Ensino Superior, representado pela Faculdade Zumbi dos Palmares, com a participação da UNESCO no júri.

Tempo

Multimédia