Política

Kofi Annan lembrado como um dos melhores

Fonseca Bengui e Adelina Inácio

Kofi Annan será lembrado como um dos melhores secretários-gerais das Nações Unidas, afirmou ontem o secretário de Estado das Relações Exteriores, Téte António.

Kofi Annan foi secretário-geral da ONU entre 1996 e 2006
Fotografia: DR

Em declarações à Rádio Nacional de Angola, em reacção à morte do ghanense que foi secretário-geral da ONU entre 1997 e 2006, Téte António lembrou que Kofi Annan foi um quadro das Nações Unidas que fez a sua ascensão dentro do sistema, daí o conhecimento profundo que tinha da organização, até tornar-se secretário-geral adjunto encarregue das operações de manutenção da paz. Nessa qualidade, recordou, esteve ligado ao processo de paz em Angola.
Kofi Annan é um “símbolo da contribuição da África para o mundo”, porque esteve ligado a todas as causas nobres da Humanidade enquanto secretário-geral da ONU, disse. Acrescentou que Annan deu continuidade à agenda de paz, iniciada pelo seu antecessor, o egípcio Boutros Boutros Ghali (secretário-geral entre 1992 e 1996), que esteve na origem da criação de certos órgãos das Nações Unidas, como o Conselho dos Direitos Humanos.

Notável filho de África
João Pinto, quarto vice presidente do grupo parlamentar do MPLA, considerou Kofi Annan um “homem transversal e notável filho de África”. “Perdemos um bom cidadão, diplomata refinado e humanista que marcou o continente, e um selo, porque pela primeira vez na História um homem negro da África Subsariana dirigiu as Nações Unidas e foi respeitado por todos”, disse.
 Em relação ao conflito em  Angola, João Pinto referiu que Kofi Annan teve sempre uma posição firme e  determinada na aplicação das sanções contra a UNITA. 

Gratas recordações
O porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, disse ao Jornal de Angola que o partido tem “gratas recordações” da “enorme contribuição” de Kofi Annan na procura de uma solução política para o conflito angolano.
Segundo Alcides Sakala, Kofi Annan  defendeu sempre o princípio do diálogo inclusivo entre angolanos e manteve encontros com o líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, em várias ocasiões, mas sempre convicto que o diálogo era a melhor opção para o país.
Kofi Annan morreu ontem, na Suíça, aos 80 anos. Foi secretário-geral das Nações Unidas entre 1997 e 2006. Em 2001 ganhou o Prémio Nobel da Paz.
 

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