Política

Lembradas vítimas da Baixa de Cassanje

A cidade de Mbanza Kongo, capital da província do Zaire, acolhe amanhã o acto central alusivo às comemorações do 57.º aniversário da repressão colonial portuguesa, que marcou o início da luta de libertação nacional.

 

Revolta foi provocada por trabalhadores da fábrica de algodão
Fotografia: Edições Novembro

O acto central, a ser presidido pelo ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, vai ser antecedido hoje de visitas a locais históricos e de interesse económico na província. Entre os locais escolhidos para homenagear os heróis do 4 de Janeiro destaca-se o campo agrícola dos antigos combatentes no Mboyambo, comuna do Nkiende, Museu dos Reis do Kongo, Kulumbimbi e Cemitério dos Reis.
Antes do acto central, o ministro visita uma exposição de produtos agrícolas, potencialidades geológicas e mineiras da região e fotografias sobre a data.
A actividade, que acontece sob o lema “4 de Janeiro de 1961- fonte de inspiração política para a independência nacional”, assinala o início de uma revolta contra a ocupação colonial portuguesa na região da Baixa de Cassanje, província de Malanje, em 1961.
Na altura, milhares de pessoas foram assassinadas pela aviação colonial portuguesa que descarregou bombas de napalm.
As actividades alusivas à efeméride, abertas a 15 de Dezembro, incluem palestras e mesa-redonda sobre o massacre da Baixa de Cassanje, causas e consequências, bem como visitas a locais de interesse histórico. A 4 de Janeiro de 1961 foram assassinados camponeses dos campos de algodão da Baixa de Cassanje, por se oporem aos reduzidos preços do algodão pagos pelos fazendeiros e pela companhia belga Cotonang. 
A reivindicação dos camponeses foi repelida com um bombardeamento da Força Aérea Portuguesa, tendo vitimado milhares de pessoas.
A Baixa de Cassanje é uma região localizada entre as províncias de Malanje e da Lunda-Norte.
O acto central da celebração do 56º aniversário dos Mártires da Repressão Colonial, no ano passado, decorreu no município do Quela, a 115 quilómetros da cidade de Malanje. Sob o lema “Firmes e unidos, engajemo-nos no processo de diversificação da economia”, o acto político foi antecedido de uma homenagem aos Mártires da Repressão.

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