Política

Lesotho elogia opção angolana

João Dias

O Primeiro-ministro do Lesotho, Thomas Thabane, elogiou a liderança de An-gola e considerou o modelo angolano na manutenção da paz e gestão de conflitos o tipo de direcção que a África precisa “muito urgentemente” para debelar tensões e instabilidades.

Em declarações à imprensa, no aeroporto, o Chefe de Governo do Lesotho agradeceu a hospitalidade dos angolanos
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Numa breve declaração à imprensa, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, minutos antes de partir para o Rwanda, onde participa na Cimeira extraordinária dos Chefes de Estado e de Governo que projecta o lançamento da Zona de Comércio Livre Continental, o Primeiro-ministro do Lesotho enfatizou que se tivesse poder, pediria que os angolanos viajassem por todos os países africanos para divulgar a todos os povos a sua experiência de que a paz é a solução e que guerras e matanças só dão má fama.  
“Notei em Angola uma liderança que África precisa muito urgentemente. Se tivesse poder, pediria que vocês viajassem por todos os países de África e divulgar aos povos de que a paz é a solução e que as guerras e as matanças só nos deram e nos dão a má fama, factores pouco abonatórios para o que se pretende”, realçou Thomas Thabane que durante a sua telegráfica declaração não especificou os termos da sua visita a Luanda.
O chefe de Governo do pequeno reino do Lesotho disse esperar que a reunião que teve com o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, deixou uma marca indelével junto do seu povo a quem deve reportar todas as questões chaves das discussões e encontros que teve ao longo da visita de 48 horas.
O governante, que foi recebido pelo Presidente da República, João Lourenço, a quem informou sobre o estado de implementação do roteiro de reformas político-constitucionais, pediu que a África deixe de se auto caracterizar-se como sendo o “continente escuro”.
Numa referência digna de nota, Thomas Thabane  lembrou que “são pessoas como os angolanos que ajudam a que o continente deixe de ser taxado como escuro, mau e subdesenvolvido”.
 Seja o que for que aconteça, prometeu, o governo do Lesotho não se vai retrair de tudo o que veio discutir, deixando a promessa que é a paz que o seu povo pretende perseguir até ser alcançada na plenitude.  “Prometemos, junto do Presidente da República, João Lourenço, o ministro das Relações Exteriores e membros do Executivo, que a paz é a única saída e que as eleições regulares, a democracia e o Estado de Direito que aprendemos aqui deve ser a ordem a seguir pelos nossos países”, sublinhou o político, que convidou as autoridades angolanas a visitarem o seu país tão logo tenham oportunidade.
 Thomas Thabane agradeceu pela hospitalidade e pela atenção que lhe foi prestada, apesar dos assuntos serem de estrito âmbito interno do Lesotho, mas também pelo interesse que têm as questões gerais sobre o continente berço. “Desde que o nosso avião aterrou em Luanda, sentimo-nos em casa e este tipo de hospitalidade não se aprende nos livros. Vem directamente do coração”, disse.
O Primeiro-Ministro do Lesotho esteve em Angola desde a noite de domingo e partiu ontem. Na segunda-feira visitou o Museu de História Militar e o Memorial António Agostinho Neto.
 Thomas Thabane foi recebido pelo Presidente da República, João Lourenço, na qualidade de presidente do Órgão de Política Defesa e Segurança da SADC. No encontro, foram avaliados os passos sobre a evolução e os progressos alcançados no Lesotho com a implementação do roteiro de reformas políticas, constitucionais, judiciais e militares para contrapor o cenário de instabilidade reinante naquele pequeno reino.
O Lesotho está de braços com uma crise política, que levou a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) a proceder ao desdobramento, a 2 de Dezembro do ano passado, de um contingente militar no âmbito da Missão de Contingência, a pedido das autoridades deste país. O contingente, composto por 269 militares, dos quais 162 de Angola que detém a presidência rotativa do órgão da SADC para Defesa e Segurança, tem a missão de apoiar o Lesotho a ultrapassar a crise política que enfrenta, tendo o governo de Maseru aprovado, recentemente, um roteiro para imp-lementação de reformas políticas, constitucionais, judiciais, parlamentares, de se-gurança para a estabilização do país.
A missão para a paz e estabilidade política do Lesotho é dirigida por Angola no âm-bito da presidência rotativa do Órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC.

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