Política

Lições da Batalha de Kifangondo

Miguel Júnior *

Perante esta realidade, é útil identificar as suas lições. Aliás, a Batalha de Kifangondo, como qualquer outra batalha, é detentora de lições. Nesta base o interesse é examinar a presente batalha de modo a colocar em evidência as suas lições visto que elas representam a parte mais substancial de um combate militar desta dimensão.

Assim, em primeiro lugar, expomos os ensinamentos militares e, em segundo lugar, as lições de natureza política. Por fim, seguem-se comentários em forma de conclusões.
 
Ensinamentos Militares

Antes de avançar para a descrição dos ensinamentos militares desta batalha, há que interiorizar que as guerras diferem umas das outras e o mesmo sucede com as batalhas. Também os objectivos políticos em jogo numa guerra distinguem-se dos fins em disputa noutra guerra. O mesmo se passa com os objectivos militares das batalhas. Apesar das diferenças há aspectos comuns nas guerras e nas batalhas. Além do mais, as missões das forças armadas em luta são idênticas porque elas procuram alcançar, por via do confronto armado, os objectivos políticos fixados por uma força política ou um grupo social.
Por isso, quando se decide estudar uma batalha em concreto há que considerar o que se disse mas também há que ver a natureza da guerra, porque as guerras podem ser de alta, média e baixa intensidade. E são estes tipos de guerra que determinam, para melhor esclarecer, o tipo de batalha. Também é importante perceber que há uma linha ténue que separa a guerra de baixa intensidade da guerra de média intensidade e desta da guerra de alta intensidade. Significa isto dizer que as dinâmicas de uma guerra podem fazer como que ela passe de um nível para outro de forma inesperada, dando lugar a outros tipos de batalhas. Do mesmo modo que uma guerra pode configurar-se de forma mesclada, conduzindo assim a uma batalha de certo modo complexa.
Também há que valorizar os estádios de estruturação e de desenvolvimento de umas forças armadas e a sua concepção a respeito da guerra de maneira real. Estas três questões devem ser tomadas em conta porque do ponto de vista militar são elas que determinam os tipos e as qualidades das campanhas, das operações, das batalhas e dos combates. Também desses três assuntos derivam o tipo de quadros militares e o profissionalismo das armas, bem como a qualidade dos meios técnicos de combate. Para além disto há que ter em conta também as virtudes militares essenciais para a condução vitoriosa de uma campanha, operação, batalha e combate, sem esquecer a força moral dos homens que decidem enfrentar um oponente militar. Também é preciso identificar as experiências de combate acumuladas por parte de umas forças armadas que se vão envolver numa guerra e ter em conta o perfil de liderança militar de chefes e cabos de guerra, porque a batalha vitoriosa depende em grande medida desses quesitos. Por este conjunto de razões aqui expressas é que se diz que  forças armadas não se improvisam e nem elas são o somatório de homens fardados e armados.
Passando para outras considerações, também há que ver em que medida os líderes políticos se entrosam com os militares numa guerra e em que medida esses líderes percebem que a batalha vitoriosa depende muito mais daquilo que é essencialmente técnico-militar do que de aspectos políticos e ideológicos. A falta de percepção sobre os factores decisivos da batalha vitoriosa por parte de políticos pode conduzir a uma força à catástrofe militar. Outro aspecto a valorizar é a articulação de forças conjuntas de diversas origens e de perfis militares díspares no campo de batalha. Ainda assim há que ver se as condições de comando, controlo e condução dessas forças se coadunam com os desafios militares em presença, de modo a evitar a incerteza e o malogro de forma automática. Também há que ver a coesão das unidades, o espírito de corpo e o sentido de missão. Neste rol de assuntos poderíamos adicionar outros, mas bastam estes como elementos preliminares no âmbito desta análise.
Partindo do exposto e da situação de guerra que prevalecia em Angola, em 1975, vamos avançar com algumas indagações sobre as duas forças militares que se confrontaram em Kifangondo. Como é que se encontravam organizadas as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) mais os seus aliados? Como é que se encontravam estruturados o Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA) mais os seus aliados?
As respostas às perguntas implicam esclarecer que o corpo de guerrilheiros do MPLA iniciou a luta armada de forma morosa mas, na fase mais avançada da luta, ele foi a única força da luta de libertação que procurou atingir o estádio de transformação de forças guerrilheiras em forças regulares. Isto sucedeu devido à criação de esquadrões e colunas militares, nos primeiros anos da década de setenta, no Leste de Angola. Na esteira da transição para outro estádio de organização, um leque de chefes guerrilheiros do MPLA frequentou, em 1971, cursos de comandantes de regimentos na Coreia do Norte e na China. Depois, em 1974, um punhado de comandantes do MPLA proclamou as FAPLA. E, no mesmo ano, face aos desafios que se avizinhavam, o MPLA arquitectou a formação de quadros de comando, estado-maior e especialistas de armas na União Soviética, o que culminou com a criação, em 1975, da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada. O que restava fazer por parte da 9ª BrIM, em 1975, era aprontar as unidades de infantaria e outras. Tanto que aprontaram, com a devida celeridade, batalhões e baterias com um mínimo indispensável de treino e coesão combativa. Mas a capacidade militar das FAPLA já havia sido evidenciada na batalha de Luanda de Agosto de 1975.
Significa dizer que o MPLA havia criado, com antecedência, condições para enfrentar combates de natureza convencional e os seus quadros tinham assimilado saberes de estado-maior para direcção de forças em ambiente combativo complexo. Quando a guerra ganhou outra velocidade, em 1975, o entrosamento entre as tropas aliadas - Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) e Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR) - tornou-se fácil, incluindo o aconselhamento por parte dos especialistas militares soviéticos. No terreno estavam líderes e chefes militares emparelhados na mesma doutrina militar. E com a particularidade de que Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, naquela altura, já dominavam saberes militares avançados e haviam participado em algumas guerras em África e no Médio Oriente.
Quanto aos guerrilheiros da FNLA, estes começaram a luta armada de forma impetuosa. Mas perante o rolo compressor do exército português, no âmbito das medidas de contra-insurreição, eles tiveram que se reestruturar. Por força da reestruturação, a FNLA criou o Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA) em 1962. Ela concebeu este exército e aproveitou os seus quadros que se tinham formado na Argélia e na Tunísia. A guerra de guerrilha da FNLA prosseguiu, bem como a formação de quadros na União Indiana e na Tunísia. Aproveitando esses quadros, a FNLA manteve de pé a guerra no Norte e se instalou depois no Leste em 1966. Aqui constituiu unidades guerrilheiras em forma de batalhões. Mas o ELNA teve diante de si um cortejo de problemas durante a guerra de guerrilhas no Norte e no Leste. Somando isto às lutas internas, a partir de 1971, o ELNA tinha enfraquecido e não estava em condições de operar transformações. Apesar disto, ele chegou a Luanda, em 1975, em força. Para surpresa, partes dos seus efectivos teriam sido de origem zairense. Para agravar a situação, os resultados dos combates de Luanda, Agosto de 1975, tinham sido desfavoráveis às suas forças. No terreno ficou evidente que a força do ELNA era fogo-fátuo.
Quanto aos aliados do ELNA, uma parte eram militares e gendarmes oriundos do Zaire. Neste país imperava um sistema militar sem credibilidade e sem experiência de combate. A fama desses militares advinha do sistema repressivo instalado nesse país, mas eles dispunham de meios de combate. A outra parte era uma elite de antigos militares do exército português, maioritariamente tropas especiais, sob direcção do coronel Santos e Castro. Este oficial português e outros tinham mais experiência da guerra de contra-insurreição, operações especiais e menos da guerra convencional. A parte seguinte era uma força-tarefa sul-africana com meios de artilharia de apoio. Esta força-tarefa tinha uma missão dupla. Apoiar e monitorar os desenvolvimentos no Norte face aos avanços das forças sul-africanas no Sul. Esta coligação era complexa porque era composta por forças militares sem coesão e com problemas sérios de entrosamento, coordenação e comando. A situação era mais grave porque no seu seio havia civis fardados e mercenários.     
Estas eram as composições e as referências das agrupações militares opostas no terreno e que tinham diante de si uma tarefa hercúlea, consubstanciada na proclamação da independência e na definição do destino político de Angola à luz dos seus interesses políticos e estratégicos.
Continuando a explicação sobre os desenvolvimentos da guerra, em 1975, é preciso relembrar que a Batalha de Kifangondo tinha sido antecedida da batalha de Luanda, onde a FNLA/ELNA averbaram uma derrota, seguido do recuo das suas forças de Caxito e de outros pontos acima desta localidade face à ofensiva das FAPLA com base na Operação Ciclone Negro de Setembro de 1975 (Ver Forças Armadas Populares de Libertação de Angola Primeiro Exército Nacional (1975-1991), 2007). Nestes desdobramentos, as FAPLA actuaram sem a participação de qualquer aliado. Só que, no fim de Setembro, as FAPLA recuaram devido à contra-ofensiva inimiga. Assim, as FAPLA posicionaram-se em Kifangondo. 
Mas as forças do ELNA mais os seus aliados tiveram dificuldades em prosseguir a ofensiva, nos primeiros dias de Outubro de 1975, por falta de combustíveis para os seus meios motorizados. Eles detiveram-se vinte dias em Caxito, segundo relato do coronel Santos e Castro (Ver Angola Comandos Especiais contra Cubanos, 1978, p.21). Quanto à paralisação do ELNA e dos seus aliados, vimos que era pertinente deslindar as razões de fundo do sucedido. Para o efeito, aprofundámos as pesquisas e encontrámos informações esclarecedoras e inéditas.
A coligação do ELNA tinha o seu quartel-general no Ambriz e a partir daqui eles coordenavam os seus movimentos, bem como recebiam mantimentos e demais meios a partir do Zaire, por via aérea, segundo informações que nós obtivemos de oficiais que trabalharam com o coronel Santos e Castro. Mas também pesquisámos fontes do então Departamento de Informação e Segurança do Estado Maior Geral das FAPLA. As fontes atestam que com base numa denúncia um "Consulado de um país europeu sediado em Luanda, havia 'oferecido' à FNLA, 11 (onze) camiões STEYER de caixa aberta, carregados de tambores de 200 litros de combustível (gasóleo e gasolina), bem como de inúmeros sacos de arroz e feijão e recipientes de óleo alimentar, adquiridos no mercado local." Perante esta informação, os operativos do Departamento de Informação e Segurança do Estado Maior Geral das FAPLA, no âmbito dos esforços da guerra, procederam "[...] ao reconhecimento na placa do Porto Comercial de Luanda, tendo-se comprovado a existência do objectivo, bem como [investigaram] a documentação existente e o meio de transporte. Na posse desses elementos […], [estabeleceram] as premissas para a realização com êxito da Operação […] (fonte escrita de um oficial do D.I.S./EMG/FAPLA)". Quer dizer, essa mercadoria deveria seguir, no fim do mês de Setembro, do porto de Luanda para o porto do Ambriz, mas a carga não avançou devido à acção desse grupo operativo. Este dado talvez seja o mais certo, pois os oficiais do coronel Santos e Castro tiveram dificuldades em argumentar a razão da falta de combustíveis.
Prosseguindo a nossa análise, vêm à tona as seguintes perguntas: o que teria sucedido no teatro de guerra caso a coligação do ELNA não tivesse ficado sem combustíveis naqueles vinte dias do mês de Outubro de 1975? Quais seriam os desenvolvimentos operacionais? Mas também é verdade que com o pouco combustível que eles dispunham, a coligação do ELNA fez acções exploratórias ao bordo defensivo das FAPLA. Assim tiveram lugar colisões entre carros de combate opostos, tendo as FAPLA capturado os primeiros mercenários portugueses e zairenses.
Avançando a explanação sobre os combates nos primeiros dias de Novembro de 1975, a 9ª BrIM continuou a fortalecer a sua posição no Morro de Kifangondo e rechaçou todos os ataques. Estes ataques da coligação do ELNA já faziam parte da execução do Plano Operacional de 4 de Novembro de 1975 resultante das instruções expressas de Holden Roberto, Presidente da FNLA (Ver A Batalha de Kifangondo 1975 Factos e Documentos, 2011). A missão da 9ª BrIM consistia em travar e derrotar nesse ponto, e noutras direcções prováveis, um avanço das forças contrárias. Aliás, os cubanos reconhecem que as "forças regulares cubanas não chegaram a tempo para enfrentar o ataque a Quifangondo em 6 de Novembro, rechaçado também pela 9ª Brigada […] (general de divisão Urbelino Sixto Betancourt Correia Cruces, Agosto de 2015)". As tropas cubanas só começaram a engrossar a defesa em Kifangondo no dia 8 de Novembro de 1975.
Os combates prosseguiram até ao dia 10 de Novembro de 1975. E foi neste dia que tiveram lugar os combates mais significativos, consagrados como a Batalha de Kifangondo, cujos resultados militares foram a derrota da coligação ELNA, forças zairenses, comandos especiais e sul-africanos. Assim, António Agostinho Neto, Presidente do MPLA, proclamou a independência de Angola no dia 11 de Novembro 1975.
Depois desta explanação há que identificar os ensinamentos militares da Batalha de Kifangondo. Os resultados da Batalha de Kifangondo atestam que quando uma formação militar surge desorganizada e sem coesão ela corre riscos elevados. Por outra, o sucesso numa batalha tem a ver com recursos materiais, morais, intelectuais e sociais.
A unidade de uma agrupação militar é indispensável e representa uma força inquebrantável. O conhecimento militar e o mando de forças asseguram o sucesso dos combates no campo de batalha. Os líderes militares têm que ter um conhecimento profundo do terreno onde as suas tropas estão a desenvolver os combates. É preciso ter conhecimento de topografia militar e orientar a tropa em conformidade a geografia local. É necessário estabelecer de modo antecipado o plano da batalha e o modo de emprego das forças e definir que tipo de batalha se deseja travar. A batalha ofensiva estrutura-se de modo próprio e o mesmo se passa com a batalha defensiva. Para cada uma destas duas modalidades e para as demais é preciso pagar um preço. Também há que adicionar a isto a audácia.
De igual modo não se deve esquecer a grande lição dos campos de batalha, que se traduz no facto de que em cada batalha o líder deve escolher em ser audacioso ou cuidadoso porque nenhum líder militar se tornou grande sem ser audacioso. Também só revela audácia quem já esteve num campo de batalha e quem conduziu homens no terreno. E os campos de batalha, por regra, estão repletos de surpresas, dinâmicas e de situações esperadas e inesperadas. Por isso, é conveniente conhecer o inimigo, suas formas de organização e o modo de estruturação das suas unidades, equipamentos e tácticas de guerra, para diminuir a incerteza. Mas o que determina na batalha é o génio humano, então a batalha vitoriosa é sempre uma incógnita. Esta desaparece quando se valorizam os aspectos enumerados e outros.   
As tradições de luta e de resistência também fazem a diferença no auge de uma guerra. A luta incessante para fortalecer e apetrechar as unidades com os meios indispensáveis deve constituir uma prioridade, bem como não devem ser descurados os esforços incessantes para aprontar as forças. Mas, segundo o general Tonta Afonso Castro, "a FNLA não tinha armas para enfrentar a guerra. [Foi] mesmo uma aventura. [...] Foi uma aventura triste." E ele prosseguiu: "Não devíamos ter feito essa aventura, mas fomos aldrabados [...] (Jornal de Angola, 8.12.2017)." E o general António França (Ndalu) observa: "Entraram na batalha como quem vai para um passeio. Pensavam que avançavam sem resistência, entravam em Luanda e Holden Roberto proclamava a independência (Jornal de Angola, 11.11. 2011)."
É aqui que as lideranças militares jogam um papel chave, pois os campos de batalha exigem liderança em permanência. Mas também é verdade que a liderança militar é produto da educação militar, do adestramento e da entrega ao profissionalismo das armas. Neste ponto, devemos salientar que a formação militar coesa faz a diferença numa batalha, conforme destaca o general António França (Ndalu): "A defesa começou a ser organizada muito antes da Batalha de Kifangondo. Tivemos a noção das nossas fraquezas e da força do inimigo, por isso decidimos criar a Nona Brigada, com o envio de vários comandantes da guerrilha para a antiga União Soviética, onde receberam treino com o equipamento militar, sobretudo tanques e artilharia. O comandante Ndozi chefiava a missão e eu era o chefe do Estado-Maior. Estivemos oito meses a receber treino (Jornal de Angola, 11.11. 2011)."
A liderança militar é produto de uma formação militar sólida, bem como do estudo dos clássicos da guerra na perspectiva da formação militar contínua. Também é preciso notar que a liderança militar é a base do sucesso. Estas palavras encontram força na explicação elogiosa do general Roberto Leal Monteiro (Ngongo) quando destaca que "[…] o Comandante Ndozi merece [reconhecimento] porque foi ele que nos ensinou a combater de uma maneira clássica, como exército regular (Jornal de Angola, 3.7.2013)". De facto, o general David António Moisés (Ndozi) tinha impulso forte e estava talhado para a guerra e era visto pelos seus camaradas como o líder que eles queriam e precisavam para a situação específica de Kifangondo. Neste ponto sobre os ensinamentos da Batalha de Kifangondo é preciso realçar também o papel desempenhado pelo Estado Maior Geral das FAPLA, sob o comando do general de exército Luís Neto Xietu, pois ele foi incansável em termos do auxílio e da coordenação dos esforços da guerra na frente de Kifangondo e noutros pontos.
Na Batalha de Kifangondo podem ser identificados vários ensinamentos. Mas o traço mais peculiar deste combate reside no facto de que pela primeira vez, numa batalha no continente africano, tinham sido empregues os foguetes múltiplos reactivos de fogo de saturação por parte da coligação das FAPLA (Ver, 2014). O emprego desse tipo de foguetes deixou atónitos os membros da coligação do ELNA e foi a razão da fuga da força-tarefa da artilharia sul-africana. Estes factos mais os que tinham ocorrido no Sul de Angola, em 1975-1976, deram lugar ao interesse sul-africano em desenvolver sistemas de fogo iguais ou superiores. Do ponto de vista dos ensinamentos, também é indispensável que umas forças armadas se submetam a treinos e exercícios com fogo real. É importante fazer manobras militares com todo tipo de armas. É preciso estudar as guerras do passado e do presente. É preciso estudar em permanência as questões da guerra, da inteligência, da paz, da estratégia e matérias afins. É necessário estudar a guerra, mas percebendo os avanços tecnológicos e científicos porque hoje vencemos uma batalha, amanhã podemos perder todas. No domínio da guerra é perigoso embandeirar em arco.

Lições Políticas

Agora do ponto de vista político há várias lições. Umas são internas e outras externas. No plano interno, como se tratou de uma batalha onde se envolveram os angolanos de um lado e do outro lado, o mais importante é perceber que hoje todos se revêem na independência proclamada no dia 11 de Novembro de 1975. É aqui que deve residir a visão estratégica nacional. No plano externo, temos que perceber que há Estados que tiram partido dos conflitos internos a fim de projectarem os seus interesses, bem como para dar vida às suas estratégias. Como também há Estados que retardam o desenvolvimento dos outros, criando, para o efeito, o caos e a instabilidade política.

Conclusões
As lições da Batalha de Kifangondo transcendem o campo da batalha e exigem estudos nos múltiplos campos do saber (militar, segurança, diplomático, estratégico, paz, etc.). Não admitir o valor destes estudos e querer remeter os estudos das batalhas aos cabos de guerra é perder, de forma automática, uma batalha.
*Mestre em História Militar e PhD em História

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