Política

Lula escolhe o continente africano

Manuel Feio|Enviado especial

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, disse, ontem, em Sirte, que o Brasil deseja ser parceiro de África em projectos de desenvolvimento.

Líder líbio Muammar Kaddafi e Lula da Silva
Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursou durante a abertura da cimeira da União Africana que decorre na cidade líbia de Sirte
Fotografia: AFP

 

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, disse, ontem, em Sirte, que o Brasil deseja ser parceiro de África em projectos de desenvolvimento.
“O Brasil não vem a África para expiar a culpa de um passado colonial. Tampouco vemos África como uma imensa reserva de riquezas naturais a serem exploradas. O Brasil deseja ser parceiro, em projectos de desenvolvimento”, acentuou Lula da Silva, na abertura da XIII cimeira ordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, aberta ontem, em Sirte, na Líbia.
Lula da Silva, que discursou, na qualidade de convidado, afirmou, que o Brasil e a África têm desafios similares de desenvolvimento, pois, “várias das questões socioeconómicas, que mais afectam o continente estão também a ser enfrentadas no Brasil”.
“Combater a fome e a pobreza, garantir a segurança alimentar e lutar por igualdade social não são questões, que aprendemos apenas nos livros. Tratamos desses temas com os nossos irmãos africanos a partir de experiências vividas”, destacou.
Conhecido no mundo, pelas suas políticas de combate à fome e à pobreza e de inclusão social, o Presidente brasileiro reiterou, o compromisso do seu Governo, de ajudar África a promover a sua própria “revolução verde”.
“Essa revolução não se faz sem a agricultura familiar e a criação de emprego e rendimentos no campo. A experiência brasileira demonstra, que a produtividade da pequena agricultura e a sustentabilidade de alimentos são fundamentais, para erradicar a fome”, salientou Lula da Silva, acrescentando, que  “investimentos em agricultura que gerem emprego são a melhor forma de garantir vida digna aos nossos cidadãos”.
Recordando, que o Brasil tem defendido a conclusão, da ronda de Doha como meio de fazer da agricultura “um instrumento de desenvolvimento”, Lula anunciou, que o Brasil vai conceder acesso ao seu mercado, livre de tarifas e quotas, a produtos originários dos “Países de Menor Desenvolvimento Relativo”.
Antes de concluir o seu discurso, Lula da Silva, também, dedicou uma palavra à crise económica e financeira mundial, a qual, na sua opinião, “revela a fragilidade e o carácter perverso da actual ordem internacional”.
“É o momento de africanos e brasileiros  dedicarem-se conjuntamente a propor, novos padrões de desenvolvimento económico e social”, disse.
Ainda a este respeito, concluiu: “a ordem mundial não é mais moldada por algumas poucas economias dominantes. Sem os países em desenvolvimento não é possível a abertura de um novo ciclo de expansão, que combina crescimento, combate à fome e à pobreza, redução das desigualdades, preservação ambiental e maior equilíbrio entre as nações. Estas devem ser as prioridades da nova ordem internacional”.

Fortalecer as relações

Alguns sectores da imprensa brasileira destacam, a participação de Lula da Silva na Cimeira da União Africana como um novo passo no fortalecimento das relações, entre o Brasil e o continente africano, que cresceram consideravelmente nos últimos seis anos.
Em 2003, o volume de trocas comerciais entre o Brasil e África rondava os cinco mil milhões de dólares, enquanto no ano passado chegou a cerca de 26 mil milhões.
O comércio com os países africanos já representa sete por cento da balança externa brasileira. Recorde-se, que estava prevista, para ontem, a assinatura de três acordos entre o Brasil e a União Africana, destinados a reforçar a cooperação para o desenvolvimento, nomeadamente, para melhorar a produtividade agrícola.
Outro dos acordos é sobre o fortalecimento dos pequenos produtores agrícolas e a melhoria do seu acesso aos mercados domésticos, regionais e internacionais.
O terceiro acordo, diz respeito à cooperação para o desenvolvimento humano e social, na assistência sanitária aos grupos mais vulneráveis, que abrange também as áreas de cultura e o desporto como factores de inclusão.

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