Política

Mais cidadãos com acesso a água potável

Marcelo Manuel | Ndalatando

Em Angola, 53 por cento dos agregados familiares têm acesso a uma fonte de água apropriada para o consumo, enquanto quatro em cada dez residências tem acesso à energia eléctrica, quer de barragem ou grupos geradores, revela o inquérito de indicadores múltiplos e de saúde realizado pelo Instituto Nacional de Estatística.

Acesso à água apropriada varia de acordo com a zona de residência do consumidor
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro

Financiado pela Agência dos Estados Unidos da América para o desenvolvimento internacional, com o propósito de galvanizar o programa do Governo angolano de municipalização dos serviços de saúde, o Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde tem como objectivo fundamental o fornecimento de informações actualizadas sobre a situação dos homens, mulheres e crianças, para medir o estado actual dos indicadores chave.
De acordo com o director provincial do Instituto Nacional de Estatística no Cuanza-Norte, António Vicente, que falava na apresentação do referido inquérito, em Ndalatando,  testemunhado por quadros seniores do órgão central de tutela, o acesso à água apropriada varia de acordo com a zona de residência, sendo dois terços nas áreas urbanas e um terço nas suburbanas.
António Vicente revelou que 28 por cento dos agregados familiares angolanos levam em média 30 minutos para obterem água.
Em relação ao consumo de energia eléctrica, António Vicente frisou que quatro em cada 10 famílias vive de forma integral ou parcial com o referido bem de consumo, sendo que a proporção das famílias com electricidade é nove vezes maior a nível das áreas urbanas, em relação às zonas rurais.
António Vicente realçou que no que toca aos bens de uso não perecíveis ou duráveis, as famílias angolanas possuem essencialmente telefone celular, televisão e rádio. No que diz respeito aos meios de transporte, o inquérito revela que 18 por cento das famílias tem motorizadas, enquanto 11 por cento possui carros.
O acesso à terra para o cultivo, disse António Vicente, ronda aos 82 por cento nas zonas rurais, contra os 17 por cento das zonas urbanas. O director do Instituto Nacional de Estatística no Cuanza-Norte declarou que a nível do país oito por cento dos homens e 22 do sexo oposto, com idades compreendidas entre os 15 e 49 anos, vivem sem qualquer nível de escolaridade, enquanto que 63 por cento dos homens e 43 por cento das mulheres tem um nível de educação secundário ou superior.
António Vicente explicou que as mulheres nascem em média 6,2 filhos, sendo a província de Luanda com o menor índice de reprodução (4,5) e Bié com a maior (8,6).
De uma maneira geral, disse, as mulheres com menor nível de escolaridade são as que mais procriam, chegando em média a gerar 7,8 filhos, enquanto as que possuem ensino secundário ou superior optam por ter 4,5 rebentos.
O Inquérito de Indicadores Múltiplos  e de Saúde (IIMS), realizado no período entre Outubro de 2015 e Março de 2016, faz parte da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Estatístico 2015-2025 e do seu Plano de Acção 2015-2017, bem como do Plano de Actividades do Instituto Nacional de Estatística (INE) referente aos anos de 2015 e 2016.
O IIMS 2015-2016 faz igualmente parte do sétimo ciclo do programa Internacional de Inquéritos Demográficos e de Saúde (DHS) e do quinto ciclo de Inquéritos de Indicadores Múltiplos (MICS). Com a realização do IIMS 2015-2016, Angola junta-se, pela primeira vez, à lista de países que já realizaram , conjuntamente, o quarto MICS e o primeiro DHS. Este inquérito representa um marco para o INE com o início da recolha de dados com recurso à tecnologia digital.
Este inquérito foi realizado e coordenado pelo INE, em colaboração com o Ministério da Saúde e assistência técnica do Unicef.

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