Política

Mais de 120 casas de venda de diamantes encerradas

Armando Sapalo | Dundo

Quinze dias depois do seu lançamento, a “Operação Transparência” em curso em sete das 18 províncias do país permitiu o encerramento de 120 casas ilegais de compra e venda de diamantes detidas por cidadãos estrangeiros, garantiu terça-feira, no Dundo, o porta-voz da operação, comissário António Bernardo.

Operação policial em sete províncias resultou na apreensão de milhares de pedras
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Das 120 casas de comercialização de diamantes, esclareceu, apenas três são detidas por cidadãos nacionais. As casas em posse dos estrangeiros funcionavam com alvarás e licenças cedidas por nacionais.
Durante a operação, disse, foram recuperadas 31.742 pedras de diamantes que correspondem a mais de 1.894 quilates. Foram ainda apreendidas outras 1.403 supostas pedras de diamante bruto, um total de 644.831 dólares americanos e 869.81 mil kwanzas.
O também comandante provincial da Polícia Nacional em Malanje disse que esses números demonstram claramente que o país está perante uma situação assustadora de branqueamento de capitais.   Entre os meios confiscados, constam igualmente 106 viaturas ligeiras e pesadas, 31 bicicletas, 165 motorizadas, 50 dragas, 28 “lavarias” de diamantes, 100 motobombas, dezenas de máquinas escavadoras, buldózeres, niveladoras, 31 jangadas utilizadas na exploração, através da sucção dos rios, e 50 contentores com diversos meios de garimpo.
O comissário disse que todas as cooperativas de exploração artesanal e semi-industrial em funcionamento estão encerradas. Do encerramento das cooperativas de exploração diamantífera resultou ainda a captura de 50 armas de fogo do tipo AKM.

Imigração clandestina
Em termos de cidadãos implicados na entrada e permanência clandestina no território nacional, no quadro da ”Operação Transparência”, 180.802 cidadãos, todos da República Democrática do Congo (RDC), estão a regressar voluntariamente ao país de origem.
O repatriamento, esclareceu, está a ser processado através dos postos fronteiriços de Muheto, em Malanje, Chissanda, Furi, Txumu e Marco-25, na província da Lunda-Norte.
A nível do país, disse, o maior fluxo de exploração e tráfico ilícito de diamantes e a presença de estrangeiros em situação migratória ilegal estão concentrados na província da Lunda-Norte, onde desde o início da operação, estão detidos 8.798 cidadãos, entre os quais 5.995 da RDC. De outras nacionalidades, 90 foram transferidos aos centros de recolha de imigrantes ilegais em Luanda para repatriamento para os respectivos países.
No Bié, outra das sete províncias eleitas para a primeira fase do combate à imigração e garimpo ilegal, a operação já actuou nas localidades da Nharea, Seteka, Lubia, Andulo e Chitembo.
Em Malanje, a operação decorre com intensidade em todas as margens dos rios Kwanza e Luandu. No Cuando Cubango, precisamente em Mavinga, a operação passou nas áreas de Kapem-pe Luangundu e Bangai. No Uíge, os mu-nicípios com elevado fluxo de garimpo de diamantes e imigrantes ilegais são Maquela do Zombo, Quimbele, Quitexe e Songo
“Estamos perante uma situação que coloca em causa a soberania e economia nacionais”, declarou António Bernardo, para acrescentar que uma das situações mais preocupantes registadas tem a ver com a obtenção, por vias clandestinas, da nacionalidade angolana por parte de cidadãos estrangeiros, com o auxílio e protecção de nacionais.
Segundo um levantamento, em Angola estão cerca de quatro milhões de cidadãos estrangeiros, dos quais apenas um milhão e quinhentos são controlados pelo Serviço de Migração e Estrangeiros (SME).Os restantes dois milhões vivem na condição de ilegais, estão implicados em  vários crimes.

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