Política

Mais gasolina da refinaria

Fonseca Bengui |

O Presidente João Lourenço afirmou ontem que Angola está aberta ao investimento italiano em todos os sectores da economia.

Paolo Gentiloni afirmou que a primeira visita a Angola serviu para confirmar o apoio do Governo italiano ao novo Executivo angolano
Fotografia: Rogério Tuti | Edições Novembro

“A Itália é uma economia de pequenas e médias empresas. Aproveitamos esta ocasião para estender a mão a essas pequenas e médias empresas italianas a virem, em força, investir naquilo que sabem fazer na economia angolana”, disse o Presidente João Lourenço na conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, que efectuou uma visita de dois dias a Angola. João Lourenço afirmou que a visita do primeiro-ministro italiano reveste-se de uma grande importância nas relações entre os dois países. Recordou o apoio das organizações da sociedade civil italianas aos movimentos de libertação e o facto de a Itália ter sido o primeiro país da Europa Ocidental a reconhecer a independência de Angola, no dia 18 de Fevereiro de 1976, referindo não ser por acaso que é também o chefe do Governo italiano a efectuar a primeira visita depois da sua investidura.
João Lourenço, que agradeceu ao primeiro-ministro italiano pelo encorajamento após a sua investidura, manifestou a intenção de aprofundar a cooperação económica em vários domínios como a agropecuária, indústria e outros, que se juntariam aos sectores energético e da Defesa, onde já existem avanços.
João Lourenço reconheceu ter havido, desde 2014, uma retracção nas trocas comerciais entre os dois países, devido à crise financeira resultante da baixa do preço do petróleo (principal produto de exportação de Angola) no mercado internacional, mas considerou que o  quadro está a mudar. O primeiro-ministro italiano afirmou que a escolha de Angola como primeira etapa da sua visita ao continente africano não foi casual. Responde às raízes antigas existentes nas relações entre os dois países. “A visita de hoje é uma ocasião para confirmar os laços de amizade entre a Itália e Angola e confirmar o apoio do Governo italiano a Angola e ao seu Presidente num momento muito importante para o país depois das eleições gerais e com um programa muito importante de renovação do país”, salientou.
 O primeiro-ministro  italiano reconheceu que as economias dos dois países têm muitos pontos de complementaridade, destacando a prestação das pequenas e médias empresas do seu país que operam em Angola com satisfação.

Inventariação de acordos

Os governos de Angola e da Itália concordaram em acelerar os mecanismos necessários para o reforço da cooperação bilateral em vários domínios e recomendaram que equipas técnicas se reúnam o mais depressa possível para a inventariação dos acordos e a criação de condições para a sua implementação. De acordo com o comunicado conjunto emitido por ocasião da visita oficial de dois dias a Angola do primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, os dois governos encorajam o estabelecimento de contactos entre as entidades públicas e privadas dos dois países.
O comunicado refere que o Chefe de Estado angolano aceitou o convite formulado pelo Presidente do Conselho de Ministros da Itália para visitar, oficialmente, o seu país em data a ser tratada pelos canais diplomáticos.
O documento salienta que o Governo italiano manifestou o seu apoio às reformas em curso em Angola, lideradas pelo Presidente João Lourenço.
No documento, o Governo italiano reitera o interesse no reforço da cooperação e em participar “activamente” na diversificação da economia angolana. As duas partes acordaram continuar o diálogo político regular a todos os níveis para o desenvolvimento das relações bilaterais. Durante a visita, Paolo Gentiloni visitou o Museu das Forças Armadas e o Memorial  Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, onde depositou uma coroa de flores no sarcófago do Fundador da Nação angolana, Agostinho Neto.
No período da tarde visitou a sede da petrolífera ENI e  manteve um encontro com a comunidade italiana residente em Angola.


Acordo em petróleo

A assinatura de dois acordos entre a Sonangol e a petrolífera italiana ENI marcou ontem um dos momentos altos da visita de 24 horas do primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, a Angola.
O primeiro acordo prevê a recuperação da refinaria de Luanda para o aumento da produção de gasolina, melhoria da sua operacionalidade e a formação do pessoal angolano da equipa de refinação.
O presidente do conselho de administração da Sonangol, Carlos Saturnino, um dos subscritores dos acordos, testemunhados pelo Presidente João Lourenço e pelo primeiro-ministro Paolo Gentiloni, disse que  os instrumentos rubricados com a ENI vão permitir investimentos importantes, com ênfase na Refinaria de Luanda e para o gás natural.
Em declarações à imprensa no final da cerimónia, Carlos Saturnino explicou que a cooperação entre as duas empresas vai permitir a exploração e desenvolvimento de gás natural, abastecimento à Angola LNG (empresa de produção de gás natural liquefeito), no Soyo (província do Zaire), cooperação para a refinaria do Lobito, continuação da cooperação para a exploração de petróleo bruto e gás em áreas existentes e áreas novas.
 “A refinaria de Luanda, por exemplo, vai ficar auto-suficiente em gasolina, provavelmente cobriremos todas as necessidades de gasolina de Luanda e não só”, garantiu o gestor, que está à frente da Sonangol desde 16 de Novembro último.
O segundo acordo, rubricado pela parte italiana pelo administrador da ENI, Claudio Descalzi, prevê a transferência das operações do bloco em terra, denominado “Cabinda Norte”, para a petrolífera ENI. O presidente do conselho de administração da Sonangol, Carlos Saturnino, explicou que o referido bloco foi operado por um grupo e ficou parado alguns anos, e decidiu-se relançar as actividades depois de  reapreciado o seu potencial.

                                                           Nova companhia petrolífera em breve no mercado angolano

Carlos Saturnino, o presidente do conselho de administração da Sonangol, anunciou, para breve, a entrada, em Angola, de uma nova companhia petrolífera, cujo nome não quis revelar, mas enfatizou ser uma das “grandes petrolíferas que, de certeza, vai trazer algumas novidades”.
O gestor anunciou que vão ser igualmente relançados alguns projectos sociais na região mais ao norte do país, como a continuação do projecto de construção e apetrechamento de uma escola no município de Cacongo, para ajudar a população local.
Carlos Saturnino evitou falar em volume de negócios que os dois acordos envolvem, garantindo que isso vai ser definido numa fase posterior. “Não estamos ainda a falar de volume de negócios.  É um memorando de entendimento que dará origem a acordos específicos e aí, sim, poderemos vislumbrar o volume de negócios para cada actividade”, salientou. O gestor garantiu, contudo, que os acordos são de “implementação imediata”.  “Temos marcos, datas precisas para implementar. Em 2018, teremos um comité director e subgrupos com datas onde os relatórios deverão ser apresentados para a tomada de decisão”, frisou. Para Carlos Saturnino, o acordo reforça bastante a cooperação com a ENI, que considera ser “um investidor importante\" e uma das companhias do mundo com a maior taxa de descobertas de petróleo e gás do mundo. “A cooperação com a ENI vai ser muito importante e tem objectivos precisos”, sublinhou. O principal gestor da maior empresa estatal do país destaca ainda outra valência da parceria: “O acordo é muito mais importante porque Angola não lança nenhum bloco em exploração desde Dezembro de 2011. Isto é muito importante”, disse o gestor da Sonangol.

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