Política

Mauritânia está optimista no futuro da cooperação

João Dias

O embaixador da Mauritânia, Sheik El Bekaye, mostrou-se optimista com o futuro da cooperação entre Angola e o seu país e fala na possibilidade de virem a ser realizadas, de modo recíproco, visitas oficiais de alto nível nos próximos tempos.

Presidente da República e embaixador da Mauritânia analisaram o estado da cooperação
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Em declarações à imprensa no termo de uma audiência que lhe foi concedida pelo Presidente da República, João Lourenço, no Palácio da Cidade Alta, o diplomata preferiu não entrar em detalhes sobre a questão.
Segundo Sheik El Bekaye, durante a audiência foi possível fazer uma abordagem sobre a condição dos cidadãos mauritanianos residentes em Angola, afirmando que são “pessoas de paz e de bem”. Com efeito, pediu que as autoridades angolanas “continuem a prestar o tratamento adequado que os tem dado”.
Actualmente existem seis mil mauritanianos a residir em Angola, muitos dos quais a exercer actividades económicas nas diversas províncias do país, com grande incidência em Luanda.
Para o embaixador, os seus compatriotas “são cidadãos que não têm causado quaisquer problemas para Angola”.  A título exemplificativo, Sheik El Bekaye citou o facto de não ter sido visado nenhum cidadão mauritaniano no âmbito da “Operação Transparência”.
O diplomata elogiou os seus concidadãos, afirmando que os mesmos dedicam-se apenas à actividade económica e dentro dos marcos da legalidade.
Segundo o embaixador mauritaniano, o Chefe de Estado angolano aproveitou a ocasião para manifestar a sua vontade de continuar a reforçar os laços de cooperação e de que haja visitas oficiais recíprocas de alto nível. “Estou muito orgulhoso de ter trabalhado aqui e senti, na verdade, aquilo que é a dimensão do povo angolano. É um povo que carrego no meu coração”, sublinhou.
O embaixador, em fim de missão depois de três anos de mandato, foi o primeiro embaixador residente daquele país em Angola. Durante a audiência, aproveitou transmitir votos de prosperidade e de boa saúde do Presidente da Mauritânia ao homólogo angolano, gesto retribuído pelo Chefe de Estado angolano.

Cooperação com Vietname

Quem também está em fim de missão, depois de três anos de missão em Angola, é o embaixador do Vietname, Nguyen Cuong, igualmente recebido em audiência pelo Presidente João Lourenço.
O diplomata vietnamita abordou com o Chefe de Estado angolano aspectos relacionados com a cooperação entre os dois países. “Foi uma grande honra ter sido recebido pelo Chefe de Estado angolano antes de deixar Luanda. Foi possível fazer menção às relações de cooperação tradicionais existentes entre os nossos dois Estados e povos”, disse.

Além das áreas tradicionais de cooperação que o Vietname e Angola mantêm há já largos anos, nos domínios da Saúde e Educação, o embaixador vê possibilidades de as relações serem alargadas para os sectores da Agricultura e Telecomunicações. No ano passado, lembrou, o ministro angolano das Telecomunicações esteve no Vietname, o que, segundo o diplomata, torna esta perspectiva muito mais próxima de se realizar.
Nguyen Manh Cuong defendeu que Angola também precisa de desenvolver a agricultura, nessa fase em que busca a consolidação da diversificação económica.
Ainda sobre as relações bilaterais, o diplomata lembrou que existe em território angolano uma grande comunidade vietnamita e muitos desses cidadãos consideram Angola como o seu segundo país. Existem, actualmente, 20 empresas privadas vietnamitas a trabalhar em Angola.

Região dos Grandes Lagos

Ainda ontem, o Chefe de Estado angolano recebeu em audiência o enviado especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Região dos Grandes Lagos, o belga Renice Nijskens, que seguiu para Brazzaville, onde deve encontrar-se com o presidente em exercício da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), Denis Sassou Nguesso.
À saída do encontro com o Presidente João Lourenço, Renice Nijskens não prestou declarações à imprensa.
O Congo Brazzaville assumiu a presidência da CIRGL no ano passado. Criada em 1994, a CIRGL integra Angola, Burundi, República Centro-Africana, República do Congo, República Democrática do Congo, Quénia, Uganda, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia.
O objectivo principal da CIRGL é evitar que a região continue a ser foco de instabilidade em África, cujas consequências acabam sempre por afectar os Estados limítrofes, ainda que não estejam directamente envolvidos no conflito. O Pacto sobre Segurança, Estabilidade e Desenvolvimento na Região dos Grandes Lagos foi adoptado pelos Chefes de Estado e de Governo em 2006 e entrou em vigor em Junho de 2008.


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