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Metro de superfície de Luanda começa a ser construído este ano

João Dias|

A empresa alemã Siemens Mobility vai construir, a partir deste ano, o Metro de Superfície de Luanda, no âmbito de uma Parceria Público-Privada. O memorando de entendimento, que dará suporte à construção do Metro de Superfície, foi assinado ontem, em Luanda, pelo director executivo da empresa, Michael Peter, e o ministro dos Transportes de Angola, Ricardo D’Abreu, no quadro da visita que a Chanceler alemã, Angela Merkel, efectuou ao país.

Fotografia: Kindala Manuel| Edições Novembro

De acordo com o ministro dos Transportes, o Metro de Superfície deverá custar três mil milhões de dólares. Ricardo D’Abreu esclareceu que Angola terá uma participação na ordem dos 30 por cento, cabendo a outra parte aos agentes privados interessados em participar no projecto.
O ministro disse que uma vez assinado o acordo, começa o trabalho nas diferentes etapas do projecto, quer do ponto de vista nacional, quer internacional. “A intenção é que o projecto arranque o mais rápido possível, este ano, para facilitar a vida dos cidadãos”, referiu.
Sobre as linhas de crédito, Ricardo D’Abreu sublinhou que estão bem definidas, a nível macro, e que a primeira fase já está bastante desenvolvida.
A linha do Metro de Superfície vai ter uma extensão de 149 quilómetros. Vai cobrir os eixos principais de Luanda, isto é, do Porto de Luanda a Cacuaco, Avenida Fidel Castro Ruz-Benfica, Porto de Luan-da-Largo da Independência e Cidade do Kilamba-Largo da Independência.
Além do Metro de Superfície, o Plano Director de Luanda, já aprovado pelo Executivo, prevê também dois sistemas de metro de superfície, designadamente o Bus Rapid Transit (BRT) e o Veículo Rápido sobre Trilhos (carris), abreviadamente VLT.
O primeiro é utilizado para sistemas de transporte urbano com autocarros, que são alvo de consideráveis melhorias na infra-estrutura, nos veículos e nas medidas operacionais que resultam em qualidade de serviço mais atractiva.
Ontem, foram assinados também um Memorando de Entendimento nos domínios dos transportes aéreos, energia e um outro para a reabilitação das Estradas Nacionais 295 (Xangongo-Calueque) e 140 (Cuito-Andulo), além de um acordo financeiro e outro sobre a construção pela Voith de um centro de formação.
No Salão Nobre do Palácio Presidencial, depois das conversações oficiais entre o Presidente da República, João Lourenço, e a Chanceler alemã, Angela Merkel, foi assinado pelo ministro dos Transportes, Ricardo D’Abreu, e pelo embaixador da Alemanhã em Angola, Dirk Lock, um acordo sobre Serviços de Transporte Aéreo.
Além deste acordo, foi também assinado um outro para formação profissional entre o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos e o Instituto dos Serviços alemão para Intercâmbio Académico e Formação Profissional.

Gestão de Portos e Caminhos de Ferro
Na sua intervenção, no Palácio da Cidade Alta, antes da assinatura dos Acordos, João Lourenço afirmou que a concessão para gestão dos principais caminhos de ferro e portos existentes, com realce para o CFB, com vista a rentabilizar o tráfego internacional de mineiros, mercadorias e passageiros dos países encravados, constitui um grande desafio para os investidores alemães do ramo dos transportes.
O Chefe de Estado falou do interesse do Executivo em estabelecer com a Alemanha programas de assistência em matéria de promoção e capacitação de quadros, de investigação e cooperação científica nos sectores da agricultura e florestas, pescas, educação, formação profissional e saúde.
O Presidente da República sublinhou que o país tem um grande interesse em aprofundar e ampliar a cooperação com as instituições financeiras e bancárias alemãs, com o propósito de assegurar os financiamentos necessários para o desenvolvimento dos sectores do gás, energia e águas, infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias e portuárias num regime de parceria públi-co-privada.
No domínio da cooperação financeira, a Alemanha disponibilizou um financiamento no valor de 1,06 mil milhões de dólares destinados à aquisição de equipamentos electromecânicos para apetrechar turbinas da central hidroeléctrica de Caculo Cabaça.
“Gostaríamos de ver o envolvimento de empresas alemãs na construção de outras centrais hidroeléctricas de grande porte, como o empreendimento binacional de Banje, no Rio Cunene, para servir Angola e a Namíbia, e também na produção de energia solar nas zonas mais remotas do país”.
No rol de interesses de Angola, o estadista angolano quer o apoio alemão para a expansão e modernização da rede eléctrica das cidades de Moçâmedes e Tômbwa e a interligação de ambas, a construção de uma unidade de produção de vacinas e um laboratório de pesquisa animal, bem como a construção da fábrica do papel-moeda e documentos de alta segurança.
O Presidente da República manifestou, também, o de-sejo de ver a Alemanha a ajudar a equipar a Marinha Nacional, no quadro da vigilância e segurança marítimas das águas nacionais e do Golfo da Guiné. “Equipar um ramo das Forças Armadas custa caro. Se houver interesse da Alemanha e financiamento, vamos continuar a trabalhar com o fabricante, mas também com o Estado”.
Ontem, o Presidente da República anunciou que a empresa alemã Voith vai oferecer uma Academia e construir a mini-hídrica do Cu-
emba. Tudo isso, disse, a título gratuito, sem custos. No âmbito do investimento privado, está prevista a instalação de uma linha de montagem da Volkswagen no país.

Congelamento de bens
Durante a conferência de imprensa, João Lourenço falou do congelamento de bens adquiridos ilicitamente, sublinhando a necessidade de recuperar os activos que foram retirados indevidamente do país.
Quanto às reformas em curso no país, o Chefe de Estado garantiu que vão continuar, acrescentando que há ainda muito por fazer.

Angela Merkel elogia reformas em curso no país

No Palácio Presidencial da Cidade Alta, a Chanceler alemã assegurou que o seu país quer contribuir para o desenvolvimento de Angola. “Seremos um bom parceiro para Angola e juntos vamos atingir um novo capítulo da nossa cooperação”.
Angela Merkel elogiou as reformas em curso no país, deixando expresso que tornam Angola mais interessante para a cooperação bilateral, mas aconselha a aceleração do processo de descentralização, implementando as autarquias.
A chefe do Governo alemão disse que o seu país está disposto a fortalecer a cooperação em aspectos concretos no domínio jurídico, tendo sugerido troca de experiências com juristas angolanos .
“Queremos trazer uma ampliação na cooperação económica com acordos que façam com que um país tão grande como Angola avance”, disse.
Angela Merkel admitiu a possibilidade da instalação de uma academia de digitalização e energia. Anunciou que Angola poderá vir a ser o 13º país a integrar o Pacto com África, criado sob iniciativa do G20.

Angola cria bases para uma economia forte

O Presidente da República, João Lourenço, afirmou, ontem, em Luanda, que Angola está a criar no país as bases para uma economia forte e sustentável, de modo a acabar com a dependência do petróleo.
Ao proceder à abertura do Fórum Económico, João Lourenço falou das medidas concretas para eliminar os efeitos da corrupção, que conflituam com o ambiente de negócios que se está a criar, das iniciativas para combater o branqueamento de capitais e recuperar os activos que foram constituídos com recurso ao erário e ilegalmente transferidos para o exterior.
Com o Banco Mundial, disse, o país leva a cabo um programa de melhoria do ambiente de negócios, que visa simplificar os procedimentos e reduzir o tempo dos diversos serviços públicos prestados ao sector privado. O objectivo é melhorar a posição de Angola nos rankings internacionais neste domínio. Com a ajuda do BM, o Executivo está a implementar um amplo programa de privatizações de empresas e activos públicos, sublinhando que até 2022 devem ser privatizadas mais de 190 empresas e activos públicos.
Para o Presidente, o objectivo é promover um crescimento económico rápido e sustentável, aumentar a eficiência das empresas angolanas e “aumentar o emprego e rendimento dos nossos cidadãos”.O Presidente da República afirmou que Angola está aberta para apoiar o investimento privado internacional na indústria extractiva, transformadora e na agricultura.
Para o Chefe de Estado angolano, as Parcerias Público-Privadas com os alemães vão permitir a criação de infra-estruturas rodoviárias, portuárias, ferroviárias, de produção e distribuição de água potável e de telecomunicações.
Neste sentido, lembrou que a Lei sobre as Parcerias Público-Privadas já foi aprovada e regulamentada, sublinhando que estão reunidas as condições para que os empresários se juntem aos esforços do Executivo na execução das grandes obras de infra-estruturas públicas.
“Que nos ajudem a transformar Angola num país próspero e moderno”, assinalou o Presidente da República, que destacou o interesse do país em ver o empresariado privado alemão investir na indústria siderúrgica (ferro e aço), automóvel, agro-pecuária, construção naval, têxteis e turismo.

Combate à corrupção é um passo corajoso

A Chanceler alemã disse que o seu país está disposto a apoiar o desenvolvimento do país no domínio das energias renováveis, transportes e finanças, realçando o compromisso das empresas alemãs neste processo.
Na sua intervenção no Fórum Económico, Angela Merkel sublinhou que Angola tem condições privilegiadas para o desenvolvimento e as reformas em curso são uma boa base para criar confiança para o investimento.
A chefe do Governo alemão elogiou a introdução do IVA na economia nacional e o programa de privatizações. Angela Merkel insistiu na descentralização do país com a implementação das autarquias e considerou o combate à corrupção um passo corajoso e necessário.
Angela Merkel destacou a importância da formação profissional e anunciou que as empresas alemãs poderão, no âmbito da responsabilidade social, construir centros de formação lá onde forem investir.

Visita movimentou várias empresas germânicas

Dez grandes empresas da Alemanha ligadas aos sectores de electrónica, telefonia, engenharia mecânica, fornecimento de equipamentos de energia solar e outros integraram a delegação da Chanceler Angela Merkel, que efectuou, ontem, uma visita de trabalho de oito horas a Angola.
Da lista das grandes empresas que pretendem investir em Angola consta a Rolls- Royce Power Sistem, a Hansa Flex - a Voith, Gebr. Knauf KG, a Andritz Hydro, John Berenberg, a Siemens e a Volkswagen.
A título de exemplo, o grupo Volkswagen esteve representado pelo alemão Thomas Schaefer. A empresa pretende instalar uma fábrica de montagem de veículos da marca na Zona Económica Especial Luanda/Bengo.
Os representantes das empresas alemãs participaram no Fórum Económico Angola/Alemanha, que juntou mais de 180 empresários nacionais e estrangeiros.
A sessão de abertura do fórum foi co-presidida pelo Presidente da República, João Lourenço, e a Chanceler Angela Merkel.
Esta é a segunda visita de Angela Merkel a Angola. A primeira aconteceu em 2011, ocasião em que foi acordada uma parceria alargada entre os dois Estados.
O Presidente João Lourenço visitou a Alemanha em Agosto de 2018. Em Setembro de 2019, o estadista angolano voltou a encontrar-se com Angela Merkel em Nova Iorque, por ocasião da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.
A parceria entre Angola e a Alemanha, iniciada em 1979, ganhou um novo im-pulso com a realização da I Sessão da Comissão Bilateral, em 2012, em Berlim. Angola tornou-se, nos últimos anos, no terceiro parceiro comercial deste país da Europa Ocidental na África subsahariana.
Nascida a 17 de Julho de 1954, em Hamburgo (República Federal da Alemanha), Angela Dorothea Merkel é Chanceler desde 2005. Foi líder do partido de centro-direita União Democrata-Cristã de 2000 a 2018.

 

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