Política

Ministra de Estado defende inclusão da mulher na resolução de problemas

João Dias

A ministra de Estado para área Social, Carolina Cerqueira, defendeu hoje, em Luanda, ser necessário multiplicar os rostos e a visibilidade das mulheres africanas nos órgãos de tomada de decisão, da base ao mais alto nível, e ampliar as suas vozes, de modo a terem maior representatividade.

Fotografia: DR

Falando na abertura do Fórum das Mulheres, que procurou debater a "Vulnerabilidade de meninas e mulheres à violência/A Mulher como agente pela paz", defendeu também que é chegada a hora de a mulher ser incluída na resolução dos problemas, quer a nível local, quer nacional, regional e internacional.
“Para falar de paz, existem três Chaves: educação, sustentabilidade e inclusão. É urgente canalizar os nossos esforços na construção da África que sonhamos; uma África sem conflitos, segura e com cidadãos saudáveis e instruídos”, disse.
Disso, lembrou, está dependente o alcance do desenvolvimento sustentável, crescimento económico e uma justiça social assente no desenvolvimento humano.
“Tenho a plena convicção de que cidadãos formados e educados são mais críticos, mais conciliadores e resistentes à desinformação e ao caos social e capazes de exercer a cidadania na sua mais alta dimensão”, sublinhou.
Para alcançar estes objectivos, avaliou, as mulheres devem estar no movimento de vanguarda para a paz, mas que se façam presentes, audíveis e que sejam unidas, corajosas e esperançosas.
"A bienal é prova de que a paz é pertença de todos nós. Para que seja duradoura, deve ser construída na compreensão mútua dos povos. Mas a paz prova que cada homem e cada mulher possui infinitos recursos de tolerância", frisou a ministra de Estado para área Social.

Mulheres são promotoras da paz e guardiãs da família

Numa breve incursão a alguns países africanos, Carolina Cerqueira falou dos movimentos pacifistas na Libéria, que inspiraram as mulheres a lutar pela paz; no Mali, onde as mulheres continuam a jogar um papel importante na resolução de conflitos étnicos e de combate à violência. Destacou, igualmente, a região do Sahel, onde a resiliência e estatuto das mulheres têm sido impulsionados por programas que procuram travar a desigualdade do género no acesso à terra e outros activos produtivos.
Carolina falou da experiência do Kenya, onde as organizações de mulheres lutam para travar a disseminação do radicalismo religioso. No Sudão, as mulheres tornaram-se num símbolo de manifestação da liberdade e democracia.
A ministra de Estado falou, igualmente, das mulheres angolanas. Destacou que se têm esforçado muito para preservação da paz, por via de actividades cívicas, culturais e religiosas, lembrando que continuam a ser promotoras da paz e guardiãs da família.
Carolina Cerqueira apontou a violência conjugal contra as pessoas mais vulneráveis e desprotegidas, principalmente as crianças, bem como o autoritarismo no local de trabalho, as relações de carácter racistas, que se manifestam, muitas vezes, de forma subtil na vida das pessoas e das sociedades, provocando efeitos que perturbam a tranquilidade social e fragilizam as relações familiares, como "verdadeiros atentados à cultura de paz".
Carolina Cerqueira foi categórica ao afirmar que as mulheres são uma força vital das sociedades e representam, actualmente, mais de 41 por cento dos trabalhadores nos países desenvolvidos e 34 por cento a nível mundial.

Lembrou ainda que, aproximadamente, 46 por cento da população feminina mundial é economicamente activa. Mas a triste realidade é que a maioria vê-se desapossada dos frutos do seu trabalho, com factores a contribuírem para a fragilização do seu estatuto, menor acesso ao poder e aos meios económicos, ao crédito, aos bens e a participação nos processos de tomada de decisão.
Para a governante, as mulheres deviam estar sempre unidas, para que, através de grupos de pressão ou de advocacia, saiam em defesa da paz e da solidariedade humana, e contribuírem para a mudança de paradigma visando a sua afirmação.

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