Política

Ministra confirma mortes mas sem dados estatísticos

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, declarou ontem, em Cafunfo, província da Lunda Norte, haver um surto de malária nesta localidade, de acordo com o conceito epidemiológico usado, embora não haja ainda estatística concreta de casos.

Ministra da Saúde falou da existência de seis óbitos de menores de até cinco anos de idade
Fotografia: Francisco Bernardo| Edições Novembro


Sílvia Lutucuta constou tratar-se da malária com anemia severa provocada por falta de sanidade do meio e prioridade das famílias em crenças religiosas,  para cura da doença,  mas sem indicadores para surto epidémico. O hospital de Cafunfo registou seis óbitos de menores até cinco anos de idade, desde o passado dia 4 de Dezembro.
A ministra admite haver muito por fazer para a prevenção da patologia, tendo reiterado  a prática de uma medicina humanizada com a mudança de direcção, o reforço de quadros e  medicamentos para o Hospital de Cafunfo, que deu alta-médica a 97 por cento dos 2.815 casos de internamento por malária diagnosticados desde Janeiro deste ano.
Na interacção com as autoridades comunitárias, realçou a necessidade da mudança de mentalidade, em relação a educação e medidas para a prevenção das doenças, de um modo geral, mormente o saneamento do meio, no contexto em que a atenção do governo está virada para a concretização de programas a curto, médio e longo prazos.
Sílvia Lutucuta fez a entrega de um lote de 17 viaturas, entre ambulâncias e carros de fumigação para combate à  malária, cobrindo os 10 municípios da Lunda Norte. A localidade de Cafunfo confina mais de 130 mil  habitantes, cerca de 80 por cento da população do município  do Cuango. A comitiva ministerial já regressou a Luanda.

Acusações da UNITA
O grupo parlamentar da UNITA considerou que a situação vivida no município do Cuango “é o resultado de uma governação irresponsável, uma governação sem norte e sem projectos sociais coerentes”.
O relatório refere que “há efectivamente uma doença com sintomas de malária a matar de cinco a 12 crianças por dia”. O documento foi elaborado após a visita efectuada por uma delegação parlamentar da UNITA  à Lunda-Norte, na sequência de denúncias de uma alegada epidemia que estava a vitimar maioritariamente crianças, na vila de Cafunfo, município do Cuango.
A doença, acrescenta o documento, apresentado   pelo presidente do grupo parlamentar, Adalberto Costa Júnior, torna-se estranha na medida em que “actua de maneira muito rápida levando à morte as suas vítimas”.
A título de exemplo, segundo os parlamentares da UNITA, que visitaram a Lunda-Norte entre os dias 26 a 29 de Novembro, de 1 de Setembro a 29 de Novembro deste ano terão perecido 1.080 crianças, dos zero ao 17 anos.

Governador provincial
A falta de programas estruturantes de saneamento básico e a ausência do trabalho de educação sobre saúde pública junto das comunidades são apontados como as causas do surgimento da malária que levou a vida a 77 crianças, na localidade de Cafunfo, município do Cuango, na Lunda Norte.
A constatação é da equipa multisectorial do gabinete provincial da Saúde, que no  fim-de-semana antepassado trabalhou naquela localidade para encontrar soluções dos problemas que assolam a população desde o mês de Setembro.
A equipa composta por epidemiologistas, especialistas em saúde pública e doenças infecto-contagiosas e parasitárias e responsáveis do sector da saúde constataram que a malária, associada à anemia severa, é a doença que está a provocar altos níveis de mortalidade infantil na localidade de Cafunfo, descartando a existência de uma doença estranha.
 O governador da Lunda-Norte disse, na semana passada, que a situação no Cafunfo está controlada. Ernesto Muangala reconheceu que o sistema de saneamento básico de Cafunfo preocupa as autoridades locais e prometeu inverter a situação o mais breve possível, com a mobilização de meios técnicos e recursos financeiros.
Em declarações à Rádio Nacional, Ernesto Muangala garantiu que o Governo está a apoiar o município com meios de combate ao vector, com a pulverização. “Estamos a reforçar o quadro clínico do Hospital do Cafunfo”, assegurou o governador.

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