Política

Ministro defende análise das causas das deslocações

André dos Anjos | Addis Abeba

O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, defendeu, em Addis Abeba, a necessidade de olhar-se para a globalidade das causas que estão na origem das deslocações forçadas em África.

Manuel Augusto fez um apelo para a eliminação da pobreza e má distribuição da riqueza
Fotografia: Paulo Mulaza| Edições Novembro

“Devemos continuar a lutar para eliminar também a pobreza, a má distribuição da renda, as desigualdades, catástrofes naturais e a falta de políticas inclusivas”, defendeu em declarações à im- prensa o ministro, que representou o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, na 32ª sessão ordinária da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana.
Dados divulgados na véspera da Cimeira indicam que África acolhe 6,3 milhões de refugiados e 14,5 milhões de deslocados internos.
O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, teceu duras críticas ao Ocidente, no domingo, em Addis Abeba, pela insensibilidade que revela para com os refugiados que procuram acolhimento nos respectivos países, sublinhando que, sobre esta matéria, “África tem vindo a dar lições ao resto do Mundo.”
António Guterres participou, na qualidade de convidado especial, na 32ª sessão ordinária da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo dos países do continente, que decorreu em Addis Abeba, domingo e ontem. A cimeira decorreu subordinada ao tema “Ano dos refugiados, retornados e deslocados internos: soluções duráveis para os deslocamentos forçados em África”.
“Verificámos que os direitos dos refugiados são respeitados em África, mas infelizmente o mesmo não se pode dizer em relação a outras partes do Mundo”, sublinhou Guterres, visivelmente agastado pela relutância dos países ocidentais em acatar as constantes recomendações das Nações Unidas para um tratamento mais condigno às pessoas que procuram abrigo fora dos países de origem.
A solidariedade internacional para com os refugiados, frisou, tem vindo a reduzir, principalmente nos países com economias desenvolvidas, onde a insensibilidade das autoridades, não raras vezes, acaba em atropelos aos direitos dos refugiados, enunciados na Convenção das Nações Unidas de 1951.
O nosso apelo, disse, é que se restabeleçam as condições para que o regime internacional dos refugiados seja integralmente respeitado e que a solidariedade internacional, para com os países africanos que acolhem um grande número de refugiados, seja significativamente aumentada.

 

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