Política

Momento exige mais apoio às vítimas da seca

O Presidente da República, João Lourenço, pediu ontem aos angolanos solidariedade para com a população da região sul do país, frequentemente afectada pela seca prolongada.

Mobilização de apoios pode reforçar as acções do Executivo contra a estiagem
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Na rede social Twitter, o Chefe de Estado considera que “o momento crítico para o sul de Angola se avizinha, Julho, Agosto e Setembro, quando a seca é mais severa.”
No “tweet”, João Lourenço considera que “se os milhões de angolanos continuarem solidários para com os milhares de sinistrados, vamos salvar vidas.”
O Titular do Poder Executivo termina o “post” com o seguinte apelo: “Seja solidário, doe o que pode.”
Em Maio, o Presidente João Lourenço visitou o Namibe e o Cunene, para constatar o impacto da estiagem prolongada naquelas províncias. A seca que se regista no Cunene é considerada das piores da região nos últimos 20 anos.
Um fundo de emergência de 3.988.000 de kwanzas foi disponibilizado, em Março último, pelo Presidente da República, após declarar o estado de calamidade e de emergência para as províncias do Cunene e parte das regiões da Huíla e Namibe.
A verba de emergência autorizada pelo Chefe de Estado visa permitir a reabilitação de 168 furos de água, a colocação de 58 tanques de plástico (de 5 e 10 mil litros) nas comunidades para a criação de pontos de convergência de abastecimento de água, a distribuição de cerca de 98,13 toneladas de bens de primeira necessidade, a abertura de novos furos e tratar do desassoreamento e abertura de novas chimpacas.
Em despacho, o Titular do Poder Executivo determinou que os sectores correspondentes desencadeassem os procedimentos de contratação, por concurso público, de serviços para a edificação de um conjunto de obras com aquele fim.
Em concreto, o Presidente da República orientou que se construa um sistema de transferência de água do rio Cunene, que partirá da localidade de Cafu até Shana, nas áreas de Cuamato e Namacunde. A obra está estimada em kwanzas o equivalente a 80 milhões de dólares.
Um segundo projecto será a construção de uma barragem na localidade de Calucuve e o seu canal adutor associado, num custo global de 60 mi-lhões de dólares, correspondentes em moeda nacional. Será também construída outra barragem e o respectivo canal adutor, na localidade de Ndue, igualmente no valor de 60 milhões de dólares, equivalentes em kwanzas. João Lourenço determinou, igualmente, a contratação dos necessários serviços de fiscalização.

UNICEF disponibiliza 460 milhões de kwanzas

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) disponibilizou 460, 5 milhões de kwanzas para acudir as 857 mil e 443 pessoas afectadas pela seca na província do Cunene desde Outubro de 2018.
A informação foi avançada ontem, em Ondjiva, num encontro com parceiros sociais locais, pelo representante do UNICEF em Angola, Abubacar Mamadbhay Sultan, referindo que o valor destina-se aos programas ligados ao acesso à água e saneamento, nutrição, educação e protecção da criança.
Segundo a Angop, no encontro abordou-se aspectos relacionados com o desenvolvimento na província, programas de emergência para acudir as populações afectadas e sobre as garantias dos direitos da criança.
A seca na província do Cu-nene, que já se arrasta por vários meses, a par da falta de água para 857.443 pessoas, a morte de 26. 267 animais, forçou também o encerramento de 13 escolas, deixando sem aulas 54.500 alunos do ensino primário ao I ciclo.

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