Política

Morreu o nacionalista Jaime de Sousa Araújo

O nacionalista Jaime de Sousa Araújo morreu ontem, em Lisboa, aos 99 anos de idade, vítima de doença.

Nacionalista Jaime de Sousa Araújo
Fotografia: DR


Jaime de Sousa Araújo nasceu a 14 de Outubro de 1920, em Angola. Frequentou o Liceu Salvador Correia e diplomou-se em Enfermagem, no Hospital Dona Maria Pia, em Luanda. Licenciou-se em Jornalismo pelo Instituto de Angola e frequentou a Universidade Clássica de Lisboa e a Universidade de Coimbra (Portugal).
Considerado uma biblioteca viva e um pilar em que assentam as bases do nacionalismo cultivado pela Liga Nacional Africana, da qual era membro fundador e sócio nº 1, Jaime de Sousa Araújo, embora fora de Angola, recebeu, em 2017, ao completar 97 anos, o carinho dos associados e dirigentes da Liga Africana, herdeira espiritual dos valores cívicos, morais, culturais e patrióticos daquela associação desde o início do século 20.
No mesmo ano publicou o livro “Caminho Longo - Desenvolvimento Integrado”. O nacionalista tem, também, no mercado, o livro “Voz sem Eco”, editado em 2012.
Funcionário público e empresário, participou em inúmeras intervenções públicas nacionais e internacionais. Foi membro da comissão para a transladação dos restos mortais do Monsenhor Manuel Joaquim Mendes das Neves de Braga para o cemitério do Alto das Cruzes, em Luanda. Esteve também presente, sob a égide do Presidente Jomo Kenyata, nas conferências políticas da FNLA, MPLA e UNITA decorridas no Quénia, antes dos Acordos de Alvor.
Esteve na origem de vários movimentos e organizações, tais como a FULA - Frente Unida de Libertação de Angola, a Liga das Comunidades Lusófonas, a FACEL – Federação das Associações Cívicas do Espaço Lusófono e a Liga Africana (antiga Liga Nacional Africana).
Foi redactor de diversas publicações, como o jornal Farolim, que editou e administrou em conjunto com Aníbal Melo e Mário de Alcântara Monteiro. Editou também a revista "Angola", publicada pela Liga Nacional Africana, e foi o autor do opúsculo “Sonho Adiado - União Económica da África Austral”, documento que foi enviado a 13 chefes de Estado africanos.

 

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