Política

Muitos ex-militares continuam sem pensões

A Associação dos Antigos Combatentes da Frente Nacional de Libertação de Angola (AAC/FNLA) solicitaram ao Presidente da República que se pronuncie sobre o processo de reforma dos ex-militares do ELNA, antigo braço armado da FNLA.

Tropas do antigo braço armado da FNLA na base militar do Kinkuzu, no ex-Congo belga
Fotografia: DR

A solicitação consta do comunicado final da terceira assembleia-geral da AAC/FNLA, durante a qual Lino Massaqui Ucaca foi eleito presidente.
Em Março, o presidente da FNLA, Lucas Ngonda, revelou que 27.180 ex-militares do antigo Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA) querem ver a sua situação de pensão e outros benefícios regularizados.
O político fez essa revelação à saída de uma audiência que lhe foi concedida pelo Chefe de Estado, João Lourenço, no Palácio da Cidade Alta. No encontro, o líder da FNLA apresentou questões que considera prementes para os antigos combatentes e veteranos da Pátria, com realce para as relacionadas com pensões, patenteamento e a restituição de bens, à semelhança do que ocorreu, recentemente, com ex-militares das extintas FAPLA e FALA.
Face ao que chama de novo paradigma de governação, proposto pelo Presidente da República, o também deputado espera que esta questão tenha o merecido acolhimento e solução que se impõe “para aqueles que se bateram pelo país”.
Lucas Ngonda afirmou que todos aqueles que participaram na luta de libertação estão graduados como generais, excepto os antigos militares do extinto braço armado da FNLA. Estes disse, nunca chegaram a ser contemplados. “Eles não têm culpa que a direcção política do partido em que sempre pertenceram não teve tempo de abordar estas questões de forma incisiva para que se encontrasse uma solução”, considerou Lucas Ngonda.O presidente da FNLA referiu-se igualmente ao valor da reforma. Para Lucas Ngonda, 23 mil kwanzas de pensão “não dá para fazer absolutamente nada” e, por isso, defende que o Governo re-veja a situação.

Felicitações ao Presidente
Os participantes à assembleia geral da AAC/FNLA felicitaram o Presidente da República pela sua “dinâmica e forma sábia” com que vem dirigindo o país e encorajaram João Lourenço “a tornar palpável” o seu compromisso de “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”, sobretudo o de combate à corrupção e à impunidade.                                                                                                                 
O presidente da AAC/FNLA vai trabalhar com o Estado para reduzir as principais dificuldades dos membros da organização e adoptar medidas que possam beneficiar os associados.
Lino Massaqui Ucaca, que foi reeleito na sexta-feira para um mandato de cinco anos, prometeu corrigir os erros do passado.
Segundo dados de 2015, a AAC/FNLA tem 17.352 associados, dos quais apenas 3.750 beneficiam de pensão, enquanto o restante aguarda a conclusão do processo. Para além de delegados da AAC/FNLA, participaram na assembleia-geral representantes do Ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, da Acção de Desenvolvimento Rural e Am-biente (ADRA), da Associação do Processo 50, Associação Fundanga, entre outras organizações.
Na semana passada, a Associação dos Antigos Combatentes da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) pediu ao Presidente da República, João Lourenço, para elevar Álvaro Holden Roberto, a título póstumo, ao posto de General de Exército, por ter formado e comandado o primeiro exército angolano (ELNA), em 1962.
O pedido foi feito pelo presidente da associação, Lino Ucaca, quando apresentava em Mbanza Kongo, Zaire, uma mensagem ao túmulo onde repousam os restos mortais de Holden Roberto, a propósito das celebrações do 56.º aniversário da fundação do ELNA, antigo braço armado da FNLA.

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