Política

Mundo espera forte acção da ONU

Kumuênho da Rosa |

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, espera que o actual secretário-geral da ONU, António Guterres, possa dar um “novo impulso na abordagem dos problemas internacionais”, num quadro em que ganha corpo o consenso em relação à necessidade de se acabar com a “inércia negativa dos conflitos”.

Presidente da República José Eduardo dos Santos espera do novo Secretário-Geral da ONU um notável impulso na resolução dos conflitos internacionais
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Ao discursar na tradicional cerimónia de cumprimentos de ano novo do corpo diplomático, no Salão Nobre do Palácio Presidencial da Cidade Alta, o Chefe de Estado angolano disse esperar que os Estados membros da ONU possam contribuir para a solução efectiva dos conflitos actuais e a criação de mecanismos de prevenção de conflitos, com base numa “diplomacia preventiva mais actuante”. O Presidente José Eduardo dos Santos considerou “inquestionável” que o “actual espírito unipolar nas relações internacionais” conduziu o mundo a um período difícil, marcado por conflitos militares em várias partes do globo, pelo clima de incerteza política e pela crise económica e financeira.
Para o Chefe de Estado angolano só o regresso aos “parâmetros do multilateralismo universal” permitiria sair desse momento difícil que o mundo vive actualmente. “São muitos os problemas a que a comunidade internacional tem de fazer face, e só colocando acima de tudo a vontade política, o espírito de diálogo e o cumprimento dos princípios e normas do Direito Internacional será possível encontrar soluções para esses problemas”.
O Presidente da República defendeu uma visão “mais realista, pragmática e tolerante” num cenário internacional em que urge inverter-se a “inércia negativa dos conflitos”, com a ONU e outras instituições internacionais a terem um papel cada vez mais activo na resolução dos problemas internacionais. O líder angolano realçou o consenso de que a paz é fundamental para o desenvolvimento e progresso dos povos e nações, para a promoção da democracia e para a salvaguarda dos direitos humanos. Líder em exercício da conferência internacional da região dos Grandes Lagos, José Eduardo dos Santos pediu que seja dado maior apoio a África na luta contra o terrorismo, o radicalismo religioso e a sua expansão pelo continente.
E citou os casos de maior preocupação na região. O Sudão do Sul, que enfrenta um problema de insurreição e precisa de uma “verdadeira reconciliação”, a RDC onde tarda a aplicação dos acordos entre o governo e a oposição para a realização de eleições até Dezembro deste ano, e se restabeleça a confiança no sistema democrático vigente, e a República Centro Africana que, depois do processo de transição que culminou em eleições e formação do Governo, e outras instituições, continua a precisar de apoio para a conclusão da pacificação e estabilização.
Em ano de eleições, o Presidente José Eduardo dos Santos falou dos preparativos do acto em que, como disse, os angolanos vão escolher com maior consciência quem consideram mais apto para continuar a dirigir os destinos da Nação. “O ano de 2017 representa para Angola um ano em que os eleitores angolanos vão ter a possibilidade de renovar a sua escolha sobre quem consideram mais apto para continuar a dirigir os destinos da Nação e a crescente maturidade do nosso povo vai permitir que essa escolha seja feita com maior consciência”.
O Chefe de Estado manifestou total confiança em como a transparência, o espírito de harmonia e concórdia continuarão a pautar o processo eleitoral. Dependem do resultado dessas eleições e do voto consciente dos eleitores, as soluções mais viáveis para se ultrapassarem os problemas económicos e sociais actuais e o regresso aos índices mais elevados de crescimento que o país registou poucos anos atrás.
O líder angolano disse contar que o apoio e o acompanhamento da comunidade internacional permita avaliar e confirmar com isenção o resultado a ser ditado pelas urnas, e assim evitar que se repitam “cenas lamentáveis” que se assistem em alguns países africanos, com a contestação dos resultados acompanhadas pela violência gratuita.

Valor da paz

O decano do corpo diplomático saudou os esforços do Governo angolano para superar os efeitos da crise do preço do petróleo. Ao discursar em nome dos embaixadores estrangeiros acreditados em Angola, na tradicional cerimónia de cumprimentos de Ano Novo, o embaixador Jean Baptiste Dzangue, do Congo Brazzaville, manifestou optimismo quanto aos resultados da estratégia para o fomento da produção em sectores como a agricultura, pesca, construção e comércio. O diplomata saudou a política que está a ser seguida pelas autoridades angolanas para a estabilização e regulação macro-económica, que, no entender dos diplomatas, permitiram uma “melhoria, de forma tímida, mas notável”, da situação fiscal e monetária.
Segundo o diplomata, essa política melhorou de forma substancial a cesta básica, o fornecimento de água e energia, a saúde pública, sobretudo no que concerne à melhoria das taxas da mortalidade materno-infantil, de acordo com as recentes estatísticas da OMS, UNICEF, do Banco Mundial e de todas as organizações regionais e/ou internacionais.
Jean Baptiste Dzangue falou de um outro desafio maior e também preocupante: a segurança e instabilidade no mundo, em geral, e na região. O diplomata congolês disse que a instabilidade política e militar na região minam  a soberania e a integridade dos países envolvidos, assim como nos afectam a todos, ameaçando a paz e a segurança de toda a região.
Para o diplomata, os angolanos têm motivos de sobra para se vangloriar, porque “o povo e os governantes compreenderam muito bem que só a paz social e a segurança constituem a alavanca incontornável para a construção de uma sociedade inclusiva e de bem-estar, favorecendo a liberdade e a diversidade de expressão, a criatividade, promoção da democracia participativa e o diálogo, tudo num estrito respeito das leis em vigor”.

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