Política

"Não contava que as coisas corressem tão depressa"

Marcolino Moco, outro político que já foi Primeiro-Ministro e secretário-geral do MPLA, partido no poder em Angola, fala em sinais positivos e numa nova era para Angola.

Moco diz que há 20 anos que não ia ao Palácio Presidencial
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

“É uma surpresa, pois pessoalmente não contava que as coisas corressem tão depressa quanto isso. Mas veja que estamos ainda em presença de filosofia, que é muito importante”, disse o político que já ocupou o cargo de secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Convidado pelo casal presidencial para a cerimónia de cumprimentos de fim de ano, nos jardins da Cidade Alta, Marcolino Moco, que há mais de 20 anos não ia ao Palácio Presidencial, elogiou o gesto do Chefe de Estado e disse que a atitude demonstra abertura para ouvir a todos.
O político regista com “agrado algumas mudanças” operadas, mas “quer ver mais”. “Há sinais muito positivos, estamos a entrar numa nova era”, disse Marcolino Moco, afirmando que o problema não é de pessoas ou de ministérios, mas que reside na filosofia de abertura. “É bom que não haja um rompimento total com o passado, porque o Presidente José Eduardo dos Santos representa, para nós, um Património Nacional”, acrescentou. Questionado sobre se estava disponível para exercer um cargo, Marcolino Moco minimizou a questão”. “Já exerci muitas funções, mas estamos abertos para servir”, disse, para sublinhar que exerceu “um grande papel”, enquanto “activista” na sociedade civil. “Há, no país, o que considera o medo da diferença. Há mais de 20 anos que não tenho medo da diferença, pois entendo que a diferença é que faz o progresso”, afirmou o político, para acrescentar: “não tenho receio que haja um descompasso entre o discurso de João Lourenço e de José Eduardo dos Santos. Para mim, isto é premissa para a vitalidade, para o progresso”.
Marcolino Moco disse, igualmente, estar surpreendido com o Presidente da República, pois sempre pensou que seria diferente e traria mais-valia para aquilo de positivo que o Presidente José Eduardo dos Santos deixou.
O político lembrou, por outro lado, que o Vice-Presidente da República, na mensagem dedicada ao Chefe de Estado, falou da necessidade de se ultrapassar esta fase de medo e passar-se a viver na diferença, pois “pessoas de gerações diferentes não podem pensar da mesma maneira, tal como pessoas de várias regiões não podem pensar da mesma maneira, porque cada um pensa de acordo com o ambiente em que cresceu com as suas leituras e vivências”.
Marcolino Moco reagiu, igualmente, ao anúncio do Presidente da República de que aplicaria medidas para o repatriamento de capitais do estrangeiro para o país. O político saudou a ideia, considerando “de aplaudir” e criticou indivíduos que aparecem com argumentos jurídicos formalistas a afirmar que a coisa “não vai dar, não vai funcionar”.
A Lei, disse o político, tem de ser interpretada de acordo com os interesses do povo, do Estado angolano. Marcolino Moco lembrou que o problema foi enunciado por João Lourenço da forma mais correcta, que é no sentido de não se pensar em atitudes punitivas puras, mas que abre oportunidade de as pessoas trazerem de volta para o país as fortunas sem mais burocracias.
“Partilho da opinião de que o exemplo vem de cima. Quando há quebra da ética e da moral é porque o exemplo não está a partir de cima”, disse Marcolino Moco, para quem, se a partir de cima houver nepotismo e ostentação, não se pode esperar que mais abaixo haja bom exemplo.

Tempo

Multimédia