Política

Norueguesa quer reactivar estaleiros navais

João Dias

A companhia DOF ASA, presente em Angola através da Dof Subsea Angola, manifestou ontem, em Luanda, a intenção de construir, no país, instalações de repara-ção de navios e embarcações offshore.

Chefe de Estado recebeu vice-presidente executivo da companhia norueguesa DOF ASA
Fotografia: Mota Ambrosio | Edições Novembro

A intenção foi anunciada pelo vice-presidente executivo para a região Atlântica, Jan-Kristian Haukeland, em declarações à imprensa, no termo de uma audiência que lhe foi concedida pelo Presidente da República, João Lourenço.

Sem adiantar prazos, Jan-Kristian Haukeland sustentou que a construção de instalações para a reparação de navios offshore em Angola é justificável, fundamentalmente, para evitar que sejam feitas intervenções em em-barcações na Namíbia ou África do Sul, como tem sido prática ao longo destes anos.
A companhia, explicou, detém e opera uma frota moderna de embarcações offshore e tem capacidade de engenharia para instalação, reparação de navios e inspecção, geralmente, para atender a indústria petrolífera ao redor do mundo. “Nesta altura, a nossa perspectiva é incrementar a frota de navios e, consequentemente, aumentar também o conteúdo local. Queremos transferir o conhecimento e tecnologias para Angola. Daí precisarmos criar parcerias com o Governo”, sublinhou.
Jan-Kristian Haukeland elogiou os passos que Angola tem dado para a melhoria do ambiente de negócios. “Angola tem registado significativas melhorias a nível do ambiente de negócios. Temos reparado que Angola se tem desenvolvido neste âmbito, o que permite alavancar a nossa actividade, em parceria com os nossos principais clientes”, disse.
A Dof Subsea, a operar em Angola desde 2006, está a projectar um investimento de um a dois milhões de dólares no quadro da sua responsabilidade social. “Reafirmamos a nossa determinação em continuar a investir em Angola e a servir a indústria petrolífera”, concluiu o gestor.

Regularização da dívida com empresas portuguesas

O embaixador de Portugal em Angola, em fim de missão, após quatro anos a trabalhar no país, mostrou-se satisfeito com os avanços registados no processo de pagamento da dívida às em-presas portuguesas.
João Caetano da Silva, que falava à imprensa no termo de uma audiência que lhe foi concedida pelo Presidente João Lourenço, lembrou que os progressos neste sentido são significativos a vários níveis, quer na amplitude do número de empresas abrangidas, quer nos sectores, que, além da construção civil e energia, incluem dívidas a governos regionais.
Sem entrar em detalhes, o embaixador afirmou que actualmente o nível de pagamento está situado nos dois terços. “Os progressos, quanto à dívida de Angola às empresas portuguesas, têm sido muito significativos e foram feitos em três parâmetros: reconhecimento, certificação e pagamento”, sublinhou.
João Caetano da Silva elogiou a equipa do Ministério das Finanças com quem trabalhou nos últimos dois anos. “Foi através deste espírito de forte cooperação que se conseguiu fazer uma gestão bem sucedida de um tema que não era fácil de gerir e que está, hoje, em muito bom rumo e num caminho rápido da sua resolução”, disse.
O embaixador falou da cooperação entre os dois países a nível das Finanças, na introdução do IVA, privatizações, gestão da dívida pública e cooperação na área da administração autárquica.

Balança comercial

Quatro anos e três meses depois de cumprir missão em Angola, João Caetano da Silva faz um balanço positivo sobre as relações comerciais entre Angola e Portugal. Segundo o diplomata, a balança comercial entre os dois países está equilibrada, apontando o crescimento das exportações angolanas para Portugal, ao mesmo tempo que se regista uma ligeira queda das exportações portuguesas para Angola. “Os últimos dados apontam para quase um nivelamento. Queremos que continue a haver exportações angolanas para Portugal, que incluam necessariamente o petróleo, mas que abranjam também áreas como as rochas ornamentais e agricultura”, assinalou o embaixador, para quem, “apesar da ligeira vantagem para Portugal em 15 ou 20 por cento, há grande progressão para Angola”.
“Deixo o relacionamento bilateral num nível de excelência e extremamente alto. Tivemos em seis meses três visitas políticas ao mais alto nível”, realçou João Caetano da Silva, qualificando a cooperação entre Angola e Portugal muito forte, intensa e variada.

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