Política

“Operação Transparência” chega a onze províncias

João Constantino | Cuito

A “Operação Transparência”, que visa combater o garimpo de diamantes e a imigração ilegal, vai ser estendida às províncias de Luanda, Bengo, Moxico e Zaire. De acordo com o comissário António Bernardo, porta-voz da operação, que já decorre em sete províncias, o processo vai ser alargado a Luanda, Bengo, Moxico e Zaire, por registarem uma intensa presença de estrangeiros em situação ilegal.

Comando da “Operação Transparência” apresentou ontem, no Cuito, Bié, os resultados dos primeiros 32 dias
Fotografia: Edições Novembro |

A “Operação Transparência”, que visa combater o garimpo de diamantes e a imigração ilegal vai ser estendida às províncias do Moxico, Bengo, Luanda e Zaire, anunciou ontem, no Cuito, Bié, o porta-voz do comando de coordenação, António Bernardo.
Ao fazer o balanço dos primeiros 32 dias da operação, que já decorre em sete províncias, o porta-voz indicou que a operação vai continuar e alargada com a mesma intensidade noutros pontos do país.
“A operação deve continuar, com a mesma intensidade, e estender-se  a outras províncias. Estamos a falar  do Moxico, Bengo, Luanda e Zaire, por registarem ainda intensa a presença de estrangeiros ilegais que têm um peso bastante elevado na nossa economia e representa uma dificuldade para o nosso Governo”, afirmou.
Durante os 32 dias da operação, que abrangeu as principais áreas de incidência da imigração ilegal -áreas de tráfico ilícito de diamantes - segundo o porta-voz, a operação atingiu os seus objectivos. \"Naqueles lugares onde o foco do garimpo era intenso, hoje estes locais estão sob controlo da Policia Nacional e das Forças integrantes do sistema de defesa nacional\", salientou.
Da operação, informou, resultou a saída voluntária de mais de 400 mil cidadãos estrangeiros que se encontravam ilegalmente a residir no nosso país. “Neste período podemos também recuperar mais de 17.332 quilates de diamantes e ainda, por avaliar, mais de 1.800 supostas pedras de diamantes\", acrescentou.
No mesmo período as autoridades apreenderam mais de 17 milhões de kwanzas e mais de um milhão de dólares dos Estados Unidos.
As autoridades encerraram mais de duas centenas e meia de casas de compra de diamantes, mais de 90 cooperativas e apreenderam meios industriais, semi-industriais e vários equipamentos que serviam para a extracção de diamantes.
Na província do Bié a \"Operação Transparência\" resultou no encerramento de 39 casas que se dedicavam à compra de diamantes e 12 cooperativas foram forças a paralisar as suas actividades.
 “Essa operação não visa acabar definitivamente com a actividade de exploração e extracção de diamantes. Esta operação visa tão somente repor a ordem institucional, funcional e estrutural de todos os agentes públicos ou privados que queiram desenvolver essa actividade”, disse o também comandante da Polícia Nacional em Malanje, garantindo que os angolanos serão os primeiros a serem beneficiados. \"Pedimos um pouco de paciência”, referiu.
A operação começou nas províncias do Uige, Malanje, Bié, Cuanza-Sul, Cuando Cubango e as Lundas Norte e Sul, porque os dados em posse das autoridades indicavam que era necessário atacar lá para retornar uma certa calma no país.
\"A saída destes mais de 400 mil cidadãos dá-nos um indicador preciso de que imediatamente temos de trabalhar na política de migração no país\", disse o responsável, que falou também da necessidade de se melhorar os procedimentos de segurança da fronteira.
O responsável lembrou que os angolanos estão proibidos de praticar actos de xenofobia ou actos semelhantes que venham a pôr em causa a actividade que o Governo está a realizar. \"Angola não é um país xenófobo, Angola não é um país fechado à comunidade internacional, antes pelo contrário, o que queremos é ter um país organizado onde todos pautam pelo primado da lei e da concórdia ”, garantiu.
No princípio do mês, a Polícia Nacional avisou que quaisquer actos de xenofobia contra cidadãos da República Democrática do Congo serão duramente punidos, depois de agressões registadas num mercado de Saurimo, na província da Lunda-Sul.
Em declarações à imprensa, a propósito das agressões de angolanos a cidadãos da RDC no mercado “Portão do Leste”, conhecido localmente por “Candembe”, em Saurimo, o comandante em exercício da Polícia Nacional na Lunda-Sul assegurou que os órgãos de Defesa e Segurança da Província não permitirão que tal facto volte a acontecer, sob pena de os autores serem responsabilizados criminalmente.
“O cidadão angolano residente nesta província que se aproveitar da Operação Transparência e optar pela xenofobia ou sabotagem aos estabelecimentos dos congoleses residentes nesta região, mesmo aqueles que se encontram em situação ilegal, sentirá a mão pesada da Polícia Nacional”, avisou.
O aviso surge numa altura em que está em curso a “Operação Transparência”, iniciada a 25 de Setembro nas províncias de Malanje, Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico, Bié, Uíge e Zaire, destinada a impedir actos sistemáticos de violação das fronteiras do país.

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