Política

Percurso até ao cessar-fogo

Bernardino Manje |

Dia 3 de Janeiro de 2002 - Guarda-costas de Jonas Savimbi apresentam-se às forças governamentais:  tenente Abílio Daniel, alferes Santos Ricardo e o aspirante Artur Pedro, que levam consigo alguns objectos pessoais de Jonas Savimbi, designadamente uma caçadeira, munições da sua arma R-4, máquina de barbear, lapiseiras e documentos.

9 de Janeiro - O Conselho de Segurança das Nações Unidas apela à comunidade internacional para permanecer vigilante a fim de assegurar o estrito cumprimento das sanções contra a UNITA.
10 de Janeiro - O Jornal de Angola dá a notícia da captura de dois antigos generais do grupo rebelde liderado por Jonas Savimbi: Samuel Martinho Epalanga, então membro dos Serviços de Segurança Militar, e o brigadeiro Domingos Sopite, chefe das comunicações.
14 de Janeiro - O Presidente José Eduardo dos Santos defende, em Blantyre, que a condenação e as sanções da comunidade internacional e em particular da SADC ao movimento de Jonas Savimbi “devem ser mantidas até que os opositores armados respeitem o Protocolo de Lusaka sobre a paz em Angola”. Um dia depois, os líderes da SADC, reunidos na capital do Malawi, decidem reforçar as sanções.
23 de Janeiro - O secretário-geral do MPLA, João Lourenço, afirma, no Moxico, que a conquista da paz definitiva para Angola é uma questão de mais algum tempo.
13 de Fevereiro - O Conselho de Segurança da ONU volta a acusar a organização de Jonas Savimbi pelo conflito em Angola e por uma das situações humanitárias mais graves do mundo, recomendando, por isso, sanções mais rigorosas ao movimento rebelde angolano.
22 de Fevereiro - O Estado-Maior General das FAA anuncia a morte de Jonas Savimbi, por volta das 15 horas do mesmo dia, na província do Moxico. Osecretário-geral do MPLA, João Lourenço, lamenta a morte do líder da UNITA mas reconhece que “Jonas Savimbi teve o fim que escolheu”.
23 de Fevereiro - O porta-voz da Presidência da República, Aldemiro Vaz da Conceição, exorta todos aqueles que ainda se encontravam nas matas a ouvir a voz da razão e abandonar as armas.
26 de Fevereiro - O Presidente José Eduardo dos Santos, em visita aos EUA, afirma que o fim da guerra dependia dos rebeldes. “O Governo angolano não disparará qualquer tiro se não houver quem esteja armado para disparar primeiro”, disse.
1 de Março - O Chefe de Estado, em visita ao Brasil, anuncia a iniciativa das FAA de estabelecer contactos com a UNITA para um cessar-fogo imediato.
3 de Março - Começam os contactos entre as FAA e as forças militares da UNITA.
4 de Março - Um comunicado do Estado-Maior General das FAA citado pelo Jornal de Angola revela que o general António Dembo, que era formalmente o “número um” da UNITA após a morte de Savimbi, morreu de fome em data indeterminada.
13 de Março - O Governo anuncia a “Agenda para a Paz”, onde considera “fundamental e decisiva” a desmilitarização da UNITA, nos termos da lei.
14 de Março - As Forças Armadas Angolanas anunciam que cessam todos os movimentos ofensivos, de modo a permitir o estabelecimento de contactos directos, no interior, entre as chefias militares das FAA e das forças militares da UNITA. A medida, decidida pelo Presidente José Eduardo dos Santos, fazia parte da agenda para o alcance da paz definitiva para Angola.
15 de Março - As chefias militares das FAA e da UNITA mantêm, na localidade de Cassamba, 102 quilómetros a sul do Luena (Moxico), o primeiro encontro após a morte do líder rebelde. O então chefe adjunto do Estado-Maior General das FAA, Geraldo Sachipengo Nunda, não tem dúvidas ao afirmar que “a paz já chegou no país”.
18 de Março - Realiza-se o primeiro contacto exploratório de uma delegação das FAA, chefiada pelo tenente general Diógenes Malaquias, chefe do grupo operativo de inteligência do Posto de Comando Avançado do Estado-Maior General, com o secretário-geral da UNITA, general Paulo Lukamba Gato. 
19 de Março - Uma delegação das FAA desloca-se à nascente do rio Luzi para um contacto com a comissão de gestão da UNITA, tendo como coordenador Paulo Lukamba Gato, secretário-geral do partido, e integrada por Arlindo Samuel “Sami”, Alcides Sakala, Marcial Dachala, Kalias e  Blanche Dilon.
30 de Março - As FAA e as forças militares da UNITA assinam, na cidade do Luena, o Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka para a Cessação das Hostilidades e Resolução das demais Questões Militares pendentes no termo do referido protocolo.
3 de Abril - Numa mensagem à Nação, por ocasião da assinatura dos acordos de paz, o Chefe de Estado garante que tudo faria para que os compromissos assumidos fossem respeitados e para que todos os angolanos se sentissem cidadãos de uma mesma pátria, “em que cada um podia livremente expressar as suas ideias e desenvolver plenamente a sua personalidade”.
4 de Abril - Assinatura, no Palácio dos Congressos, em Luanda, da Acta Final do Luena, documento que ratificava o Memorando de Entedimento para o Cessar-Fogo, assinado doa dia 30 de Março, no Luena.

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