Política

Perda de um grande estratega da defesa

André dos Anjos |

O corpo do general do Exército, João Baptista de Matos, foi enterrado ontem à tarde, em Luanda, no Cemitério do Alto das Cruzes, em cerimónia fúnebre aberta ao público, após ter recebido honras militares no Quartel-general das Forças Armadas Angolanas.

Figura marcante da História da arte militar angolana
Fotografia: Lino Guimarães | Angop

A chuva que caiu horas antes na baixa da cidade de Luanda não impediu que centenas de pessoas, entre membros do Governo, do corpo diplomático acreditado no país, da magistratura pública e judiciária, das Forças Armadas Angolanas, da Polícia Nacional, do clero, da Assembleia Nacional, da sociedade civil e pessoas anónimas se juntassem à família enlutada para o último adeus ao primeiro Chefe do Estado-Maior-General das FAA.
Em elogio fúnebre lido pelo também General do Exercito e ex-chefe do Estado-Maior-General do Exército, General Francisco Pereira Furtado, os companheiros de armas de “Mau Mau”, nome de guerra de João de Matos, destacaram as qualidades do malogrado, salientando que foi um “estratega militar e cabo-de-guerra”, de que os anais da história castrense angolana saberão dar a devida nota.
João de Matos faleceu aos 62 anos, no sábado, em Espanha, por doença. O General foi, ao lado do General Camalata Numa,  um dos principais rostos da criação, em Outubro de 1991, das FAA, produto da junção das Forças Armadas Populares para a Libertação de Angola (FAPLA) e das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), da UNITA. Nas hostes castrenses é consensual que foi sob seu comando inquestionável e  exemplar que as FAA  conseguiram reunir nas suas fileiras, em tempo recorde, outros bravos e destemidos filhos da pátria angolana que tudo fizeram e sacrificaram as próprias vidas em defesa da independência, da soberania e da integridade territorial, para que a paz e as instituições democráticas vingassem em Angola.
João de Matos celebrizou-se  entre 1992 e 2001, período em que chefiou o Comando Superior das FAA, numa altura em que o conflito posterior às primeiras eleições ameaçava minar as bases do sistema democrático então emergentes.

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