Política

PGR investiga 900 milhões de dólares de São Vicente

Edna Dala

A Procuradoria-Geral da República (PGR) está a investigar, em colaboração com as autoridades suíças, uma série de casos e negócios que envolvem a seguradora AAA, incluindo os 900 milhões de dólares bloqueados na Suíça.

Seguradora foi dissolvida em Fevereiro pela Agência de Supervisão e Regulação de Seguros
Fotografia: DR

Uma fonte da instituição disse, ontem, ao Jornal de Angola, que a PGR e as autoridades suíças têm trabalhado no envio e recepção de cartas rogatórias à volta do processo.

 De acordo com a fonte, que reagia às informações sobre o congelamento de 900 milhões de dólares pertencentes ao antigo PCA da seguradora AAA, dissolvida em Fevereiro, Carlos Manuel de São Vicente, a PGR não está a ver apenas a questão do dinheiro apreendido na Suíça, mas também vários casos que ligam a AAA com a Sonangol, os trabalhadores e os fundos de pensão.

Sobre os 900 milhões de dólares actualmente bloqueados na Suíça, atribuídos ao antigo presidente da AAA, a fonte confirmou tratar-se, inicialmente, deste valor, mas poderá ser muito mais.  A fonte do Jornal de Angola confirmou, ainda, que foram as autoridades angolanas que despoletaram e solicitaram o congelamento das contas.

O processo, esclareceu, não é novo, já se arrasta desde o ano passado, para apuramento dos factos. “A PGR não está parada. Há um trabalho árduo em curso, em colaboração com as autoridades suíças”, garantiu. “Há um bom tempo que a PGR tem estado a trabalhar sobre este caso, em colaboração com as autoridades suíças.

Houve troca de cartas rogatórias e está a investigar uma série de casos que envolvem as AAA e outros parceiros e negócios que envolviam a seguradora”, sublinhou. Vários meios de comunicação social noticiaram o congelamento de 900 milhões de dólares pertencentes ao antigo presidente da seguradora AAA, Carlos Manuel de São Vicente.

Em Fevereiro deste ano, a Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG) anunciou a cessação da actividade da AAA seguros, por caducidade da autorização que a habilitava a comercializar produtos de seguros.  Num comunicado de imprensa, o regulador observava que a caducidade da autorização para o exercício da actividade resultou da dissolução voluntária deliberada pelos accionistas da AAA Seguros e autorizada pela ministra das Finanças.

A AAA Seguros foi a se-gunda seguradora mais antiga do mercado, depois da ENSA Seguros e actuava nos ramos Vida e não Vida. Era integrante do grupo AAA Activos, um dos maiores conjuntos empresariais nacionais com participações em diferentes sectores como a hotelaria. 

A liquidação ocorreu sete anos depois de a AAA ter colocado fim à gestão dos fundos de pensões e dos planos de pensões “resultado do fraco crescimento dos activos dos referidos fundos e no âmbito da revisão estratégica de negócios da instituição”.

Devido à alegada gestão pouco transparente, em Março de 2016, a AAA foi substituída na liderança do regime especial de co-seguro das actividades petrolíferas (seguro petroquímico) pela ENSA Seguros, mediante o Despacho Presidencial n.º 39/16, publicado em Diário da República, de 30 de Março.

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